{"id":36835,"date":"2018-11-15T13:15:01","date_gmt":"2018-11-15T17:15:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=36835"},"modified":"2018-11-15T13:15:01","modified_gmt":"2018-11-15T17:15:01","slug":"advogada-de-narcotraficantes-e-assassinada-no-paraguai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2018\/11\/15\/advogada-de-narcotraficantes-e-assassinada-no-paraguai\/","title":{"rendered":"Advogada de narcotraficantes \u00e9 assassinada no Paraguai"},"content":{"rendered":"<p>A advogada argentina Laura Marcela Casuso, de 54 anos, que defendia o narcotraficante brasileiro Jarvis Chimenes Pav\u00e3o, foi assassinada a tiros, na noite desta segunda-feira, 12, em Pedro Juan Caballero, na fronteira do Paraguai com o Brasil. Conforme a pol\u00edcia paraguaia, a morte est\u00e1 relacionada com a guerra entre fac\u00e7\u00f5es brasileiras para o controle do tr\u00e1fico na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Laura atuava tamb\u00e9m na defesa do traficante Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, o &#8220;Marcelo Piloto&#8221;, ligado \u00e0 fac\u00e7\u00e3o carioca Comando Vermelho e preso no Paraguai desde dezembro de 2017. A advogada foi atingida por oito disparos de pistola 9 mm quando sa\u00eda de uma reuni\u00e3o, no centro da cidade, para atender a um telefonema. Ela foi emboscada quando se preparava para embarcar em seu SUV Range Rover, com placa brasileira do munic\u00edpio paulista de Santana de Parna\u00edba.<\/p>\n<p>Laura chegou a ser levada para um hospital, passou por uma cirurgia, mas n\u00e3o resistiu. Conforme o secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica de Pedro Juan Caballero, Te\u00f3filo Gim\u00e9nez, a suspeita \u00e9 de que os assassinos sejam brasileiros. O crime aconteceu a 400 metros da linha de fronteira e os atiradores estavam a bordo de uma Toyota Hillux que teria sido furtada no Brasil.<\/p>\n<p>Uma das hip\u00f3teses \u00e9 de que a advogada tenha sido morta a mando de um de seus clientes. O Comando Vermelho divulgou recentemente v\u00eddeo em que amea\u00e7a matar a procuradora-geral do Paraguai, Sandra Qui\u00f1onez, em repres\u00e1lia ao tratamento dado a seu l\u00edder, Marcelo Piloto, preso no pa\u00eds desde dezembro passado. Dias antes, o traficante havia declarado que pagava para receber prote\u00e7\u00e3o de um alto oficial da Pol\u00edcia Nacional do Paraguai, o diretor geral de Investiga\u00e7\u00f5es Criminais Alberto Ca\u00f1ete. O comiss\u00e1rio negou a acusa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi a advogada quem organizou a entrevista coletiva em que, da pris\u00e3o, o traficante carioca Marcelo Piloto, afirmou ter feito o pagamento de propina a oficiais da Pol\u00edcia Nacional do Paraguai. Considerado um estrategista do Comando Vermelho, respons\u00e1vel pelas rotas de drogas e armas, &#8216;Piloto&#8217; foi condenado a 26 anos de pris\u00e3o pela Justi\u00e7a do Rio de Janeiro e teve pedida sua extradi\u00e7\u00e3o para o Brasil.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edcia paraguaia encontrou carro-bomba<\/strong><\/p>\n<p>Na coletiva, no in\u00edcio deste m\u00eas, o traficante brasileiro tamb\u00e9m assumiu crimes que teria praticado no Paraguai, o que seria uma estrat\u00e9gia para n\u00e3o ser extraditado, j\u00e1 que teria de responder pelos crimes \u00e0 justi\u00e7a paraguaia. No dia 4 de outubro, com a ajuda da PF brasileira, a pol\u00edcia paraguaia prendeu cinco traficantes que planejavam resgatar &#8216;Piloto&#8217;. Semanas depois, um segundo plano de resgate com o uso de carros-bomba levou o Minist\u00e9rio P\u00fablico a declarar o preso &#8220;terrorista&#8221;.<\/p>\n<p>Por sua vez, Jarvis Pav\u00e3o \u00e9 apontado pela pol\u00edcia brasileira como um dos maiores fornecedores de coca\u00edna para o Brasil. Preso no Paraguai, ele foi extraditado para o Brasil em dezembro de 2017 e cumpre pena de 17 anos e 8 meses no pres\u00eddio federal de Mossor\u00f3 (RN). Laura, a advogada argentina falava portugu\u00eas fluentemente e costumava circular pelo Brasil.<\/p>\n<p>Ela teria atuado tamb\u00e9m na defesa do traficante Elton Leonel Rumich da Silva, o &#8216;Gal\u00e3&#8217;, de 34 anos, preso em mar\u00e7o deste ano, no Rio de Janeiro, com documentos falsos.<\/p>\n<p><strong>Regi\u00e3o vive disputa intensa desde 2016<\/strong><\/p>\n<p>Pav\u00e3o e &#8216;Gal\u00e3&#8217; s\u00e3o suspeitos de envolvimento no atentado que matou o megatraficante Jorge Rafaat Toumani, em Pedro Juan Caballero, em junho de 2016, desencadeando uma guerra na fronteira. At\u00e9 ent\u00e3o considerado &#8216;intoc\u00e1vel&#8217;, o chef\u00e3o das drogas foi atingido por disparos de metralhadora ponto 50 que estra\u00e7alharam seu utilit\u00e1rio Hammer blindado.<\/p>\n<p>Ao menos 50 mortes, nos \u00faltimos dois anos, s\u00e3o atribu\u00eddas \u00e0 rivalidade entre as fac\u00e7\u00f5es brasileiras pelo controle da fronteira. Em um \u00fanico dia, 17 de outubro \u00faltimo, cinco pessoas supostamente ligadas ao tr\u00e1fico internacional foram executadas a tiros, em Pedro Juan Caballero e na brasileira Ponta Por\u00e3. Uma das v\u00edtimas, o piloto brasileiro Mauro Alberto Parreira Esp\u00edndola, de 58 anos, trabalhou para o narcotraficante carioca Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, tamb\u00e9m preso na penitenci\u00e1ria de Mossor\u00f3.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A advogada argentina Laura Marcela Casuso, de 54 anos, que defendia o narcotraficante brasileiro Jarvis Chimenes Pav\u00e3o, foi assassinada a tiros, na noite desta segunda-feira, 12, em Pedro Juan Caballero, na fronteira do Paraguai com o Brasil. Conforme a pol\u00edcia paraguaia, a morte est\u00e1 relacionada com a guerra entre fac\u00e7\u00f5es brasileiras para o controle do tr\u00e1fico na regi\u00e3o. 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