{"id":39352,"date":"2019-05-22T12:59:23","date_gmt":"2019-05-22T16:59:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=39352"},"modified":"2019-05-22T12:59:23","modified_gmt":"2019-05-22T16:59:23","slug":"torturador-da-somalia-e-descoberto-trabalhando-como-motorista-de-uber-na-virginia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2019\/05\/22\/torturador-da-somalia-e-descoberto-trabalhando-como-motorista-de-uber-na-virginia\/","title":{"rendered":"Torturador da Som\u00e1lia \u00e9 descoberto trabalhando como motorista de Uber na Virg\u00ednia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Yusuf Abdi Ali era um dos comandantes do ex\u00e9rcito nacional e partid\u00e1rio do ditador Mohamed Siad Barre; corte decidiu que ele dever\u00e1 pagar US$ 500 mil de indeniza\u00e7\u00e3o a vitima.<\/strong><\/p>\n<p>Um ex-motorista do Uber que vivia na Virg\u00ednia, nos EUA, cometeu atos de tortura durante a guerra civil da Som\u00e1lia no final dos anos 1980, concluiu na ter\u00e7a-feira (21) um j\u00fari americano. O ex-coronel Yusuf Abdi Ali era um dos comandantes do Ex\u00e9rcito nacional e partid\u00e1rio do ditador Mohamed Siad Barre, conforme consta no processo. At\u00e9 este m\u00eas, ele dirigia para o Uber, com uma nota de avalia\u00e7\u00e3o alta: 4,89. Na semana passada, o cidad\u00e3o somali Farhan Tani Warfaa contou que foi baleado e torturado por Ali h\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas em depoimento ao tribunal federal na cidade de Alexandria, na Virg\u00ednia.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/i.dailymail.co.uk\/i\/pix\/2016\/06\/02\/01\/34D5F48E00000578-0-image-a-2_1464825916432.jpg\" alt=\"Resultado de imagem para Yusuf Abdi Ali\" \/><\/p>\n<p>O j\u00fari considerou ent\u00e3o que Ali foi respons\u00e1vel pela tortura de Warfaa, concedendo \u00e0 v\u00edtima uma indeniza\u00e7\u00e3o de US$ 500 mil (cerca de R$ 2 milh\u00f5es). Warfaa, que abriu o primeiro processo contra Ali em 2004, disse \u00e0 BBC que ficou &#8220;muito feliz&#8221; com o veredito. &#8220;Estou muito, muito satisfeito com o resultado&#8221;, afirmou por meio de um tradutor do tribunal.<\/p>\n<p><strong>Sequestro<\/strong><\/p>\n<p>Ele contou que foi sequestrado em sua casa no norte da Som\u00e1lia por um grupo de soldados de Ali em 1987. Nos meses seguintes, Warfaa disse que foi interrogado, torturado, espancado e baleado sob as ordens de Ali, que era comandante de batalh\u00e3o. Abandonado para morrer, ele diz que s\u00f3 conseguiu sobreviver subornando os coveiros para poup\u00e1-lo.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/e3.365dm.com\/19\/05\/768x432\/skynews-farhan-mohamoud-tani-warfaa_4675612.jpg?20190522102705\" alt=\"Resultado de imagem para Yusuf Abdi Ali\" \/><\/p>\n<p><strong>Document\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Ali foi identificado pela primeira vez em um document\u00e1rio de 1992 da Canadian Broadcasting Corporation, que detalhava as den\u00fancias de que Ali havia torturado, matado e mutilado centenas de pessoas enquanto trabalhava para o regime de Barre. Na \u00e9poca da transmiss\u00e3o, Ali estava morando em Toronto, onde trabalhava como guarda de seguran\u00e7a. No document\u00e1rio, v\u00e1rias testemunhas no norte da Som\u00e1lia descreveram assassinatos brutais ordenados por Ali, conhecido como &#8220;tukeh&#8221;, que quer dizer &#8220;o corvo&#8221;. Pouco ap\u00f3s ser exposto, Ali foi deportado do Canad\u00e1 por &#8220;graves viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos&#8221;, segundo consta no processo.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/cdn.cnn.com\/cnnnext\/dam\/assets\/160601113406-accused-war-criminal-dulles-airport-pkg-00021727-exlarge-169.jpg\" alt=\"Resultado de imagem para Yusuf Abdi Ali\" \/><\/p>\n<p>Os EUA tamb\u00e9m o deportaram, mas ele retornou ao pa\u00eds em 1996. N\u00e3o est\u00e1 claro como ele conseguiu entrar novamente em territ\u00f3rio americano. Ele esteve vivendo na Virg\u00ednia todo esse tempo. O processo contra ele foi acatado pela Justi\u00e7a pela primeira vez em 2004, mas, segundo o jornal &#8220;New York Times&#8221;, foi suspenso por 15 anos por causa de uma batalha legal para decidir se um cidad\u00e3o somali poderia dar entrada em uma a\u00e7\u00e3o judicial nos EUA por tortura em outro pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Checagem de antecedentes<\/strong><\/p>\n<p>Em maio, rep\u00f3rteres da CNN deram uma volta de Uber com Ali disfar\u00e7ados de passageiros. Ele contou aos jornalistas que dirigia para o Uber e o app Lyft em tempo integral, preferindo turnos de fim de semana porque &#8220;era ali que estava o dinheiro&#8221;. Perguntado se o processo de inscri\u00e7\u00e3o para ser motorista era dif\u00edcil, Ali respondeu que era simples: &#8220;Eles s\u00f3 querem verificar seus antecedentes, \u00e9 isso.&#8221; Ele dirigiu para o Uber por cerca de 18 meses, depois de passar por uma checagem de antecedentes realizada por uma empresa especializada. Ele agora foi &#8220;permanentemente removido&#8221; do aplicativo, segundo informou um porta-voz do Uber \u00e0 BBC. A porta-voz da Lyft, Campbell Matthews, afirmou que a empresa estava &#8220;horrorizada&#8221; com as acusa\u00e7\u00f5es contra Ali. &#8220;N\u00f3s banimos permanentemente este motorista da nossa comunidade e estamos prontos para ajudar a aplica\u00e7\u00e3o da lei em qualquer investiga\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou Matthews.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/PFmnWe6bHfs\/maxresdefault.jpg\" alt=\"Resultado de imagem para Yusuf Abdi Ali\" \/><\/p>\n<p>As verifica\u00e7\u00f5es de antecedentes do Uber e do Lyft s\u00e3o conduzidas pela ag\u00eancia Checkr. O processo de verifica\u00e7\u00e3o da Checkr varia de acordo com o cliente, mas inclui &#8220;fontes padr\u00e3o da ind\u00fastria&#8221;, como o banco de dados nacional Sex Offender (de condenados por crimes sexuais), a lista de procurados do FBI e da Interpol, v\u00e1rias listas de san\u00e7\u00f5es internacionais, al\u00e9m de hist\u00f3ricos de tribunais locais e federais. &#8220;Segundo a lei federal, as ag\u00eancias de informa\u00e7\u00e3o ao consumidor que processam verifica\u00e7\u00f5es de antecedentes dependem de registros criminais que foram arquivados em um tribunal, em vez de fontes n\u00e3o confirmadas, como os resultados de buscas no Google&#8221;, afirmou um porta-voz da Checkr. &#8220;A maioria dos empregadores n\u00e3o solicita verifica\u00e7\u00f5es de antecedentes que incluam a\u00e7\u00f5es civis entre entidades privadas porque as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o subjetivas demais para serem usadas para uma decis\u00e3o de contrata\u00e7\u00e3o&#8221;. Antes de trabalhar para o Uber e a Lyft, Ali trabalhou como guarda de seguran\u00e7a no Aeroporto Internacional de Dulles, perto de Washington DC.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/1024\/cpsprodpb\/DB01\/production\/_107056065_yusuf2.jpg\" alt=\"Resultado de imagem para Yusuf Abdi Ali\" \/><\/p>\n<p><strong>O veredito<\/strong><\/p>\n<p>A decis\u00e3o de ter\u00e7a-feira, a favor de Wafaa, exigiu &#8220;um esfor\u00e7o heroico&#8221;, informou sua advogada, Kathy Roberts. Roberts faz parte do Centro de Justi\u00e7a e Responsabilidade (CJA, na sigla em ingl\u00eas), organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos com sede em San Francisco que busca levar \u00e0 justi\u00e7a suspeitos de crimes de guerra. Grande parte do processo de Warfaa, frustrado por atrasos de mais de uma d\u00e9cada, dependia da possibilidade de Ali ser considerado culpado por um tribunal americano de um crime cometido na Som\u00e1lia. A Lei de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0s V\u00edtimas de Tortura (TVPA, na sigla em ingl\u00eas) pro\u00edbe a tortura, seja em solo americano ou no exterior, e permite que cidad\u00e3os e n\u00e3o cidad\u00e3os americanos apresentem den\u00fancias de tortura e assassinatos extrajudiciais cometidos em pa\u00edses estrangeiros. A TVPA s\u00f3 permite que as a\u00e7\u00f5es judiciais resultem em indeniza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, em vez de pris\u00e3o.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/i2.cdn.turner.com\/cnnnext\/dam\/assets\/160601113409-accused-war-criminal-dulles-airport-pkg-00023521-exlarge-169.jpg\" alt=\"Resultado de imagem para Yusuf Abdi Ali\" \/><\/p>\n<p>O caso de Warfaa incluiu os depoimentos de um ex-embaixador dos EUA, de soldados que serviram sob o comando de Ali e de outra v\u00edtima do ex-coronel, que argumentou que Ali havia ordenado atos de tortura e uma tentativa de assassinato extrajudicial. A decis\u00e3o do j\u00fari dos EUA foi dividida, considerando Ali culpado apenas de tortura. Ainda assim, Warfaa est\u00e1 &#8220;absolutamente entusiasmado&#8221;, disse Klein. &#8220;Ele estava esperando 31 anos por este dia.&#8221; J\u00e1 o advogado de Ali, Joseph Peter Drennan, afirmou \u00e0 CNN que ele e seu cliente ficaram desapontados. &#8220;Yusuf Abdi Ali foi considerado culpado porque ele era comandante de um ex\u00e9rcito que serviu sob um regime que tinha um hist\u00f3rico fr\u00e1gil de direitos humanos. Mas, al\u00e9m do depoimento do autor do processo, n\u00e3o havia praticamente nenhuma evid\u00eancia de que Ali torturou algu\u00e9m&#8221;, declarou Drennan. Drennan disse ainda que Ali n\u00e3o pode se dar ao luxo de pagar pela indeniza\u00e7\u00e3o, lembrando que ele perdeu recentemente o emprego como motorista.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/static.globalnoticias.pt\/tsf\/image.aspx?brand=TSF&amp;type=generate&amp;guid=7c247390-5eeb-47dc-8286-b3f624ba25f6&amp;w=800&amp;h=450&amp;t=20190515100938\" alt=\"Resultado de imagem para Yusuf Abdi Ali\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Yusuf Abdi Ali era um dos comandantes do ex\u00e9rcito nacional e partid\u00e1rio do ditador Mohamed Siad Barre; corte decidiu que ele dever\u00e1 pagar US$ 500 mil de indeniza\u00e7\u00e3o a vitima. Um ex-motorista do Uber que vivia na Virg\u00ednia, nos EUA, cometeu atos de tortura durante a guerra civil da Som\u00e1lia no final dos anos 1980, concluiu na ter\u00e7a-feira (21) um j\u00fari americano. O ex-coronel Yusuf Abdi Ali era um dos comandantes do Ex\u00e9rcito nacional e partid\u00e1rio do ditador Mohamed Siad Barre, conforme consta no processo. At\u00e9 este m\u00eas, ele dirigia para o Uber, com uma nota de avalia\u00e7\u00e3o alta: 4,89. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":39353,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[4,3,1],"tags":[],"views":2378,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39352"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39352"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39352\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39354,"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39352\/revisions\/39354"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39353"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39352"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39352"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39352"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}