{"id":42614,"date":"2020-01-08T12:10:00","date_gmt":"2020-01-08T16:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=42614"},"modified":"2020-01-08T12:10:00","modified_gmt":"2020-01-08T16:10:00","slug":"militares-brasileiros-perdem-primeiras-batalhas-no-conflito-entre-eua-e-ira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2020\/01\/08\/militares-brasileiros-perdem-primeiras-batalhas-no-conflito-entre-eua-e-ira\/","title":{"rendered":"Militares brasileiros perdem primeiras batalhas no conflito entre EUA e Ir\u00e3"},"content":{"rendered":"<p><strong>Desde que se iniciou a escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Ir\u00e3, o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores tem liderado a formula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica brasileira em apoio ao governo de Donald Trump.<\/strong><\/p>\n<p>Contr\u00e1rios ao envolvimento brasileiro no epis\u00f3dio, os militares perderam for\u00e7a perante o presidente Jair Bolsonaro. A rela\u00e7\u00e3o entre Estados Unidos e o Ir\u00e3, que j\u00e1 n\u00e3o era boa, tornou-se cr\u00edtica no \u00faltimo dia 2 devido ao assassinato do general iraniano Qassim Suleimani por for\u00e7as militares norte-americanas durante um ataque ao aeroporto de Bagd\u00e1, no Iraque. Em casos internacionais como este, \u00e9 normal que o Itamaraty siga \u00e0 frente das negocia\u00e7\u00f5es \u2014 mesmo com o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Ernesto Ara\u00fajo, de recesso fora do pa\u00eds. No entanto, nos bastidores, os militares tentaram tomar a frente junto ao presidente para evitar manifesta\u00e7\u00f5es de apoio do Brasil a qualquer dos lados do conflito. N\u00e3o conseguiram.<\/p>\n<p><img class=\"alignright\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/ba\/2020\/01\/07\/o-presidente-jair-bolsonaro-participa-de-cerimonia-das-forcas-armadas-no-planalto-1578432975841_v2_450x600.jpg\" alt=\"Bolsonaro participa de cerim\u00f4nia das For\u00e7as Armadas no Planalto - Evaristp S\u00e1 - 9.dez.19\/AFP \" \/>Publicamente, o Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses que mais t\u00eam apoiado a a\u00e7\u00e3o de Trump. Quando indagado sobre poss\u00edveis exageros nas atitudes do mandat\u00e1rio dos EUA, Bolsonaro declarou que n\u00e3o tecer\u00e1 cr\u00edticas ao presidente norte-americano. No dia seguinte ao ataque, o Itamaraty soltou nota manifestando apoio expl\u00edcito aos Estados Unidos e deixando de lado uma neutralidade mais costumeira no hist\u00f3rico da diplomacia brasileira.<\/p>\n<p>Generais e t\u00e9cnicos da \u00e1rea econ\u00f4mica com acesso ao presidente chegaram a aconselh\u00e1-lo sobre os riscos geopol\u00edticos e de preju\u00edzo comercial com o alinhamento autom\u00e1tico. Mas nem por isso Bolsonaro voltou atr\u00e1s. Na segunda, autoridades iranianas convocaram a encarregada de neg\u00f3cios da Embaixada do Brasil no Ir\u00e3, Maria Cristina Lopes, a prestar esclarecimentos. Na linguagem diplom\u00e1tica, a atitude \u00e9 vista como uma repreens\u00e3o. Bolsonaro diminuiu a import\u00e2ncia do epis\u00f3dio. Disse ontem \u00e0 imprensa que a medida \u00e9 um &#8220;direito deles, como \u00e9 meu tamb\u00e9m&#8221; e que uma eventual a\u00e7\u00e3o rec\u00edproca ser\u00e1 discutida quando Ara\u00fajo retornar ao Brasil. O Itamaraty ainda instruiu oficialmente diplomatas brasileiros que n\u00e3o compare\u00e7am a cerim\u00f4nias em homenagem a Suleimani, segundo circular obtida pelo jornal Folha de S.Paulo. O ac\u00famulo desses fatos deixou os generais brasileiros apreensivos. Na semana passada, o UOL mostrou que os militares j\u00e1 estavam descontentes com um envolvimento maior do Brasil na briga. Para piorar, o governo havia aceitado sediar no Brasil um encontro entre aliados militares dos EUA para debater a situa\u00e7\u00e3o no Oriente M\u00e9dio e no Golfo. A realiza\u00e7\u00e3o da confer\u00eancia est\u00e1 prevista para daqui a quatro semanas, nos dias 5 e 6 de fevereiro, e dever\u00e1 servir como mais uma manifesta\u00e7\u00e3o de apoio a Trump.<\/p>\n<p><strong>Saliva para Trump, saliva para os militares<\/strong><\/p>\n<p>Nesta ter\u00e7a-feira, Bolsonaro resolveu acalmar a tropa, sem no entanto ceder. Pela primeira vez desde o aumento das tens\u00f5es, o presidente da Rep\u00fablica se reuniu com a alta c\u00fapula militar brasileira para diminuir o descontentamento dos generais. O encontro aconteceu em almo\u00e7o fechado no Minist\u00e9rio da Defesa com o ministro da pasta, general Fernando Azevedo e Silva, o ministro do GSI (Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional), general Augusto Heleno, e os comandantes das tr\u00eas For\u00e7as \u2014 Ex\u00e9rcito, Marinha e Aeron\u00e1utica. Bolsonaro n\u00e3o quis falar ap\u00f3s a reuni\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00e3o voltou atr\u00e1s nas declara\u00e7\u00f5es pr\u00f3-Trump. Quando questionado sobre o apoio aos Estados Unidos no caso de guerra e sobre o poderio das For\u00e7as Armadas brasileiras, o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, respondeu que n\u00e3o comentaria, &#8220;por enquanto&#8221;. Apesar dos acontecimentos recentes e do preterimento dos militares em suas decis\u00f5es, Bolsonaro sinalizou aos generais que n\u00e3o pretende colocar o Brasil em uma &#8220;aventura&#8221;, como ele mesmo disse. O presidente afirma que seu estoque de saliva \u00e9 do &#8220;tamanho de um reservat\u00f3rio de piscina&#8221;. Por enquanto, \u00e9 isso o que Bolsonaro est\u00e1 usando: saliva para todos os lados. Saliva para apoiar Trump e saliva como unguento das feridas deixadas nos militares brasileiros, abatidos na disputa com o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que se iniciou a escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Ir\u00e3, o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores tem liderado a formula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica brasileira em apoio ao governo de Donald Trump. 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