{"id":42956,"date":"2020-01-30T19:30:56","date_gmt":"2020-01-30T23:30:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=42956"},"modified":"2020-01-30T19:31:35","modified_gmt":"2020-01-30T23:31:35","slug":"sobrevivente-de-auschwitz-e-brasileiro-e-relata-sua-experiencia-no-campo-de-concentracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2020\/01\/30\/sobrevivente-de-auschwitz-e-brasileiro-e-relata-sua-experiencia-no-campo-de-concentracao\/","title":{"rendered":"Sobrevivente de Auschwitz \u00e9 brasileiro e relata sua experi\u00eancia no campo de concentra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 todo dia que coloco a\u00a0tefilin\u00a0em cima do n\u00famero de Auschwitz&#8221;, diz o rabino David Weitman logo depois da breve cerim\u00f4nia, em uma sinagoga na regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo, em 11 de novembro de 2019. &#8220;E \u00e9 a primeira vez que fa\u00e7o isso em algu\u00e9m dessa idade. \u00c9 muito emocionante. Os nazistas se foram, mas n\u00f3s estamos aqui.&#8221;<\/p>\n<p>O\u00a0tefilin\u00a0citado por Weitman s\u00e3o tiras de couro tradicionalmente colocadas no bra\u00e7o de meninos judeus que, ao completar 13 anos, realizam seu bar mitzvah, cerim\u00f4nia judaica que \u00e9 celebrada como um rito de passagem. Naquele dia, por\u00e9m, o bar mitzvah era para um senhor de 91 anos: Andor Stern, brasileiro de nascen\u00e7a que, aos 13 anos, estava escapando da persegui\u00e7\u00e3o na Hungria, terra natal de seus pais. Andor Stern acabaria capturado e viveria cerca de um ano no campo de concentra\u00e7\u00e3o em Auschwitz, na Pol\u00f4nia, o maior e mais cruel s\u00edmbolo do Holocausto. Os n\u00fameros que o identificavam no campo continuam tatuados em seu bra\u00e7o: 83892. Ele \u00e9 tido como o \u00fanico brasileiro nato a sobreviver a Auschwitz.<\/p>\n<p>O local, cuja liberta\u00e7\u00e3o ocorreu h\u00e1 75 anos, pelo Ex\u00e9rcito sovi\u00e9tico, em 27 de janeiro de 1945, \u00e9 considerado o epicentro do Holocausto: estima-se que 1,1 milh\u00e3o de pessoas, a maioria judeus, tenha morrido de fome, doen\u00e7as ou em c\u00e2maras de g\u00e1s no complexo de 40 campos de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz, que antes de ser ocupado pelos nazistas era um enorme quartel militar. Outras v\u00edtimas inclu\u00edam prisioneiros russos, poloneses, ciganos e gays.<\/p>\n<p>Stern sobreviveu n\u00e3o apenas para ser homenageado, em novembro, pelo Memorial da Imigra\u00e7\u00e3o e do Holocausto, com um bar mitzvah especial e tardio, mas tamb\u00e9m para reerguer sua vida no Brasil, criar uma fam\u00edlia com cinco filhos e muitos netos e bisnetos, perder tudo em uma das crises econ\u00f4micas brasileiras na era Collor e manter-se ativo profissionalmente at\u00e9 agora. E fazer tudo isso com grande apre\u00e7o pelos pequenos prazeres do cotidiano. Filho de imigrantes judeus, Stern nasceu no bairro do Bixiga, em S\u00e3o Paulo, em 17 de junho de 1928. Mas viveu desde cedo uma vida itinerante. Aos tr\u00eas anos, mudou-se com para a \u00cdndia, por conta de uma oferta de emprego ao pai, m\u00e9dico. Depois disso e Stern n\u00e3o sabe exatamente o porqu\u00ea, em vez de voltar ao Brasil, a fam\u00edlia decidiu passar um tempo na Europa, com parentes h\u00fangaros. Essa decis\u00e3o selou seu destino de uma forma dr\u00e1stica.<\/p>\n<p>Com a posterior ocupa\u00e7\u00e3o nazista da Hungria, sua fam\u00edlia toda (menos o pai, que se separara da m\u00e3e e fora embora do pa\u00eds em 1938) foi transportada a Auschwitz em um mesmo trem, em 1944. Foram separados na chegada ao campo de concentra\u00e7\u00e3o. &#8220;Da\u00ed come\u00e7ou o calv\u00e1rio deles: meus av\u00f3s, meus tios, minha tia gr\u00e1vida, foram levados direto para a c\u00e2mara de g\u00e1s&#8221;, conta Stern. Sua m\u00e3e, Julia, tampouco foi poupada. Uma das primeiras coisas que Stern escutou ao chegar foi &#8220;&#8216;Est\u00e1 vendo aquela fuma\u00e7a l\u00e1? Tua fam\u00edlia est\u00e1 saindo de l\u00e1, seus av\u00f3s, teus tios, tua m\u00e3e&#8217;. Minha fam\u00edlia estava saindo pela chamin\u00e9&#8221;, recorda. No final de abril de 1945, o campo foi libertado pelo Ex\u00e9rcito dos EUA. Em 1\u00ba de maio, depois de quase um ano e meio sob poder dos nazistas, Stern estava livre. De volta \u00e0 Hungria de seus parentes, Stern concluiu seus estudos e entrou em uma faculdade de engenharia, mas diz que come\u00e7ou a &#8220;sentir saudades do desconhecido&#8221;. Era hora de voltar para sua terra natal: o Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 todo dia que coloco a\u00a0tefilin\u00a0em cima do n\u00famero de Auschwitz&#8221;, diz o rabino David Weitman logo depois da breve cerim\u00f4nia, em uma sinagoga na regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo, em 11 de novembro de 2019. &#8220;E \u00e9 a primeira vez que fa\u00e7o isso em algu\u00e9m dessa idade. \u00c9 muito emocionante. 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