{"id":43492,"date":"2020-03-12T14:53:23","date_gmt":"2020-03-12T18:53:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=43492"},"modified":"2020-03-12T14:53:23","modified_gmt":"2020-03-12T18:53:23","slug":"aluna-de-escola-publica-brasileira-chegou-onde-nenhuma-outra-chegou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2020\/03\/12\/aluna-de-escola-publica-brasileira-chegou-onde-nenhuma-outra-chegou\/","title":{"rendered":"Aluna de escola p\u00fablica, brasileira chegou onde nenhuma outra chegou"},"content":{"rendered":"<p>Juliana Estradioto, 19, viajou de avi\u00e3o pela primeira vez em 2017, ela saiu de Os\u00f3rio, um pequeno munic\u00edpio de 45.000 habitantes no Rio Grande do Sul, para ir at\u00e9 S\u00e3o Paulo apresentar seu\u00a0projeto cient\u00edfico: um pl\u00e1stico biodegrad\u00e1vel feito a partir dos restos da fruta. De l\u00e1 para c\u00e1, Juliana desenvolveu outros projetos, ganhou pr\u00eamios, viajou para a Su\u00e9cia, onde participou da entrega do pr\u00eamio Nobel, patenteou outra descoberta e entrou na universidade e ganhou o direito a dar seu nome a um aster\u00f3ide, fruto de um pr\u00eamio internacional que recebeu por suas descobertas.<\/p>\n<p>Sua trajet\u00f3ria nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas s\u00e3o parte da resist\u00eancia formada por estudantes e pesquisadores, frente a uma s\u00e9rie de ataques \u00e0 ci\u00eancia e \u00e0 academia, al\u00e9m dos\u00a0cortes em s\u00e9rie dos \u00faltimos anos. \u201cEu tinha muita esperan\u00e7a de quando eu fosse para a universidade as coisas fossem melhorar, mas estamos vivendo uma globaliza\u00e7\u00e3o da falta de valoriza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia\u201d, diz. Ainda assim, ela se diz otimista. \u201cMeu maior sonho \u00e9 que todo\u00a0jovem brasileiro tenha oportunidade de fazer pesquisa\u00a0como eu tive. Espero, no futuro, fundar uma institui\u00e7\u00e3o s\u00f3 para mim.\u201d Por enquanto, ela se dedica, al\u00e9m dos estudos e descobertas, aos seus projetos pr\u00f3prios. O\u00a0Meninas Cientistas, uma rede dedicada a dar visibilidade para meninas que fazem pesquisa, \u00e9 um deles.<\/p>\n<p>Por isso, ela diz acreditar que se n\u00e3o fosse menina, tudo seria diferente. \u201cJ\u00e1 no fundamental eu gostava de matem\u00e1tica, mas sentia que faltava est\u00edmulo\u201d, conta. \u201cQuando entrei no ensino m\u00e9dio, eu podia me inscrever no curso de inform\u00e1tica ou administra\u00e7\u00e3o, mas escolhi administra\u00e7\u00e3o porque achava que\u00a0inform\u00e1tica n\u00e3o era para menina. Hoje vejo que teria sido muito \u00fatil estudar inform\u00e1tica&#8221;. Mas foi tamb\u00e9m na escola que ela conheceu a professora que a incentivou por todos os anos. &#8220;Na escola, me voluntariei num projeto de pesquisa ao perceber a quantidade de res\u00edduos que agricultores aqui do litoral geravam para produzir geleias de frutas e vender nas feiras\u201d. Foi ent\u00e3o que, da casca do maracuj\u00e1 que ia para o lixo, Juliana criou a resina biodegrad\u00e1vel que virou pr\u00eamio. \u201cMinha professora, a Fl\u00e1via Twardowski, sempre me incentivou. Al\u00e9m da minha m\u00e3e, que sempre me inspirou\u201d, conta. \u201cDevemos nos inspirar nas\u00a0mulheres\u00a0que est\u00e3o \u00e0 nossa volta, como amigas e professoras, n\u00e3o somente em nomes poderosos e conhecidos\u201d.<\/p>\n<p>Hoje, ela aguarda para saber qual \u00e9 o asteroide que enfim carregar\u00e1 seu nome, fruto de um pr\u00eamio para jovens cientistas em parceria com do prestigioso\u00a0MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts . \u201cEspero para saber onde ele est\u00e1 localizado\u201d, diz. \u201cMas eu j\u00e1 sei que ele n\u00e3o vai cair nos pr\u00f3ximos 100.000 anos, ent\u00e3o eu n\u00e3o vou ser a causa de nada\u201d, conta, rindo. Ap\u00f3s o desafio do maracuj\u00e1, foi gra\u00e7as a uma outra casca, desta vez a da macad\u00e2mia, que Juliana foi ainda mais longe: ganhou uma viagem \u00e0 Su\u00e9cia, onde participou, no ano passado, da entrega do\u00a0pr\u00eamio Nobel. Para chegar l\u00e1, ela uniu uma condi\u00e7\u00e3o pessoal, ser vegetariana, a uma demanda que partiu do Instituto Federal do Esp\u00edrito Santo: pensar em uma alternativa para o uso da casca da macad\u00e2mia, que normalmente vai para o lixo. O projeto foi patenteado no ano passado. De acordo com sua criadora, a membrana n\u00e3o ser\u00e1 usada somente para vestimentas, mas em outras \u00e1reas,\u00a0como na medicina, sendo parecida com a pele e veias artificiais. Al\u00e9m disso, a descoberta lhe rendeu a viagem internacional e uma campanha inusitada no ano passado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juliana Estradioto, 19, viajou de avi\u00e3o pela primeira vez em 2017, ela saiu de Os\u00f3rio, um pequeno munic\u00edpio de 45.000 habitantes no Rio Grande do Sul, para ir at\u00e9 S\u00e3o Paulo apresentar seu\u00a0projeto cient\u00edfico: um pl\u00e1stico biodegrad\u00e1vel feito a partir dos restos da fruta. 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