{"id":47818,"date":"2021-03-31T10:52:29","date_gmt":"2021-03-31T14:52:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=47818"},"modified":"2021-03-31T10:52:29","modified_gmt":"2021-03-31T14:52:29","slug":"eua-precisam-fazer-dever-de-casa-antes-de-cobrar-o-brasil-diz-secretario-do-itamaraty","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2021\/03\/31\/eua-precisam-fazer-dever-de-casa-antes-de-cobrar-o-brasil-diz-secretario-do-itamaraty\/","title":{"rendered":"&#8220;EUA precisam fazer dever de casa antes de cobrar o Brasil&#8221;, diz secret\u00e1rio do Itamaraty"},"content":{"rendered":"<p><strong>Diante das cobran\u00e7as do novo governo dos Estados Unidos por um maior comprometimento brasileiro com o fim do desmatamento, o Itamaraty alerta que os americanos tamb\u00e9m t\u00eam suas pr\u00f3prias metas e desafios a serem cumpridos quando o tema \u00e9 prote\u00e7\u00e3o ambiental. \u201cV\u00e1rios dos pa\u00edses que est\u00e3o fazendo cobran\u00e7as ao Brasil t\u00eam um enorme dever de casa a fazer em termos de redu\u00e7\u00e3o do consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis e emiss\u00f5es\u201d, diz o secret\u00e1rio de Negocia\u00e7\u00f5es Bilaterais e Regionais nas Am\u00e9ricas do Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Pedro Miguel da Costa e Silva.<\/strong><\/p>\n<p>Em entrevista a VEJA, o diplomata que \u00e9 um dos principais atores na rela\u00e7\u00e3o bilateral com Washington afirmou que as conversas travadas at\u00e9 o momento com os americanos foram muito construtivas e baseadas no di\u00e1logo. \u201cN\u00e3o se trata de amea\u00e7ar ou cobrar, mas sim de conversar\u201d, diz o embaixador. \u201cSobretudo porque o pr\u00f3prio [enviado especial dos EUA para mudan\u00e7as clim\u00e1ticas] John Kerry reconheceu que os americanos partem de um lugar que n\u00e3o \u00e9 dos mais confort\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>Para Costa e Silva, \u00e9 preciso que as responsabilidades pelo combate \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica sejam compartilhadas igualmente por todos. \u201cN\u00e3o basta cobrar do Brasil o fim do desmatamento ou das queimadas\u201d, diz. \u201cOs pr\u00f3prios americanos estavam fora do Acordo de Paris at\u00e9 o ano passado e t\u00eam muito dever de casa a fazer para poder adotar metas ambiciosas\u201d.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/GettyImages-1296391818.jpg\" alt=\"Refinaria de petr\u00f3leo em New Castle, EUA - 08\/01\/2021\" \/><\/p>\n<p>Nesta segunda-feira 29, Washington fez sua cobran\u00e7a p\u00fablica mais en\u00e9rgica por prote\u00e7\u00e3o ambiental no Brasil desde que o novo presidente Joe Biden assumiu o cargo em janeiro. Em conversa com jornalistas, um integrante do Departamento de Estado americano disse que a Casa Branca espera demonstra\u00e7\u00f5es fortes e r\u00e1pidas de que pode construir uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a com o governo de Jair Bolsonaro neste tema.<\/p>\n<p>Os americanos pedem a\u00e7\u00f5es concretas imediatas, com resultados palp\u00e1veis ainda neste ano. A longo prazo, o objetivo \u00e9 garantir que a administra\u00e7\u00e3o brasileira acabe totalmente com o desmatamento ilegal no pa\u00eds at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>\u201cEsperamos que os americanos n\u00e3o se esque\u00e7am da parte deles em termos de financiamento para ajudar que outros pa\u00edses como o Brasil cumpram com as suas metas\u201d, diz o diplomata brasileiro. \u201cBuscamos coopera\u00e7\u00e3o, colabora\u00e7\u00e3o e trabalho conjunto, n\u00e3o s\u00f3 cobran\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p>Em sua conversa com jornalistas, Washington confirmou que o Brasil poder\u00e1 ser recompensado financeiramente pelos avan\u00e7os conquistados. A ideia \u00e9 realizar os pagamentos a partir dos resultados, e n\u00e3o fazer investimentos adiantados.<\/p>\n<p>Dados de monitoramento por sat\u00e9lite divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que a taxa de desmatamento na Amaz\u00f4nia aumentou 34% em 2020, em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano anterior. Essa foi a segunda alta consecutiva nos primeiros dois anos de gest\u00e3o do presidente Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Design-sem-nome-48.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;w=650\" alt=\"Jair Bolsonaro e Joe Biden\" \/><\/p>\n<p>J\u00e1 os Estados Unidos s\u00e3o o segundo maior emissor de di\u00f3xido de carbono do mundo, atr\u00e1s apenas da China. Em 2017, o ex-presidente Donald Trumo retirou o pa\u00eds do Acordo de Paris para o clima. Por\u00e9m, em sua primeira medida ap\u00f3s assumir a Casa Branca, Biden reverteu a decis\u00e3o e se comprometerem com metas de zero emiss\u00e3o l\u00edquida (de carbono) em suas atividades at\u00e9 2050.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil tem uma matriz energ\u00e9tica limpa, uma cobertura em termos de floresta que nenhum outro pa\u00eds do mundo tem e uma s\u00e9rie de vantagens na \u00e1rea ambiental que precisam ser reconhecidas\u201d, afirma Pedro Miguel da Costa e Silva. \u201cEsperamos que os americanos tamb\u00e9m fa\u00e7am a parte deles\u201d.<\/p>\n<p><strong>Com\u00e9rcio e democracia<\/strong><\/p>\n<p>Desde que Biden chegou a Casa Branca, o Itamaraty j\u00e1 realizou encontros virtuais com representantes americanos. Nestas reuni\u00f5es foram discutidas, al\u00e9m das quest\u00f5es ambientais, temas como com\u00e9rcio, democracia e estabilidade na Am\u00e9rica do Sul e novos acordos de coopera\u00e7\u00e3o. A manuten\u00e7\u00e3o do apoio \u00e0 entrada do Brasil na OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico), efetivada pela primeira vez pelo governo Trump, foi um dos t\u00f3picos abordados, mas de forma apenas preliminar. \u201cEsperamos continuar contando com o apoio americano\u201d, afirma Pedro Miguel da Costa e Silva.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 come\u00e7amos a conversar tamb\u00e9m sobre a situa\u00e7\u00e3o na Venezuela e continuamos com um amplo espa\u00e7o para di\u00e1logo\u201d, diz. \u201cA vis\u00e3o de que temos que trabalhar para uma transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e elei\u00e7\u00f5es justas permanece a mesma\u201d. A rela\u00e7\u00e3o entre o Brasil e os Estados Unidos se tornou mais complexa desde que Biden assumiu o cargo. O governo de Bolsonaro mantinha uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com seu antecessor, Donald Trump, e chegou inclusive a apoiar as contesta\u00e7\u00f5es falsas do republicano sobre o resultado das elei\u00e7\u00f5es. O presidente brasileiro ainda \u00e9 considerado no exterior um l\u00edder sem compromisso com a prote\u00e7\u00e3o do ambiente, posi\u00e7\u00e3o que entra em conflito direto com as metas do governo Biden.<\/p>\n<p>Para o secret\u00e1rio de Negocia\u00e7\u00f5es Bilaterais e Regionais nas Am\u00e9ricas do Itamaraty, a mudan\u00e7a do comando em Washington n\u00e3o afetar\u00e1 em nada a continuidade das boas rela\u00e7\u00f5es, assim como a recente troca na chefia do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores brasileiro. \u201cA rela\u00e7\u00e3o \u00e9 entre os pa\u00edses, n\u00e3o entre os governos. As linhas de for\u00e7a e a continuidade das rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o dependem da mudan\u00e7a de governo\u201d, diz. O diplomata alerta, por\u00e9m, que \u00e9 preciso olhar para a rela\u00e7\u00e3o com realismo. A Am\u00e9rica Latina e o Caribe nunca foram a prioridade n\u00famero um dos Estados Unidos, e isso n\u00e3o mudar\u00e1 com a chegada de Biden. \u201cN\u00e3o podemos criar expectativas que n\u00e3o s\u00e3o razo\u00e1veis\u201d, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante das cobran\u00e7as do novo governo dos Estados Unidos por um maior comprometimento brasileiro com o fim do desmatamento, o Itamaraty alerta que os americanos tamb\u00e9m t\u00eam suas pr\u00f3prias metas e desafios a serem cumpridos quando o tema \u00e9 prote\u00e7\u00e3o ambiental. \u201cV\u00e1rios dos pa\u00edses que est\u00e3o fazendo cobran\u00e7as ao Brasil t\u00eam um enorme dever de casa a fazer em termos de redu\u00e7\u00e3o do consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis e emiss\u00f5es\u201d, diz o secret\u00e1rio de Negocia\u00e7\u00f5es Bilaterais e Regionais nas Am\u00e9ricas do Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Pedro Miguel da Costa e Silva. 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