{"id":49331,"date":"2021-08-23T09:59:51","date_gmt":"2021-08-23T13:59:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=49331"},"modified":"2021-08-23T09:59:51","modified_gmt":"2021-08-23T13:59:51","slug":"com-real-desvalorizado-remessas-de-brasileiros-no-exterior-batem-recorde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2021\/08\/23\/com-real-desvalorizado-remessas-de-brasileiros-no-exterior-batem-recorde\/","title":{"rendered":"Com real desvalorizado, remessas de brasileiros no exterior batem recorde"},"content":{"rendered":"<p><strong>Roberlei Cardoso, ap\u00f3s se aposentar como representante comercial em Cascavel (PR) em 2015, foi para Londres atuar no setor imobili\u00e1rio. Ele e sua mulher, Leila Previati, que trabalha em um restaurante na capital brit\u00e2nica, sempre consideraram a vida financeira bem-sucedida na terra da libra. Mas, recentemente, est\u00e3o se esfor\u00e7ando para economizar cada centavo \u2014 ou penny. O motivo? Enviar o m\u00e1ximo poss\u00edvel para investir no Brasil, aproveitando a for\u00e7a da libra em rela\u00e7\u00e3o ao real para pavimentar um retorno confort\u00e1vel ao pa\u00eds.<\/strong><\/p>\n<p>Assim como eles, outros expatriados est\u00e3o enviando mais recursos para o Brasil, para comprar im\u00f3veis e investir em neg\u00f3cios, ao ver o dinheiro que ganham l\u00e1 fora valer mais aqui com a forte e prolongada desvaloriza\u00e7\u00e3o do real. Segundo dados do Banco Central, as remessas do exterior bateram recorde no primeiro semestre deste ano, somando US$ 1,89 bilh\u00e3o, o equivalente a R$ 10,16 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 o maior valor da s\u00e9rie hist\u00f3rica do BC, iniciada em 2010, e uma alta de 24% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2020 e de 36,5% frente ao de 2019, quando nem se pensava em pandemia. \u2014 Quando a libra estava valendo R$ 5 entre 2018 e 2019, j\u00e1 era muito bom. Mas, quando come\u00e7ou a chegar a quase R$ 8, foi o momento de enviar tudo o que a gente tinha para o Brasil \u2014 diz Cardoso, de 58 anos, que tem comprado im\u00f3veis no Brasil com as vantagens de quem ganha em uma moeda que terminou a semana passada em R$ 7,33, tendo chegado a R$ 7,93 em mar\u00e7o. \u2014 A meta \u00e9, quando a gente voltar ao Brasil, ter um padr\u00e3o de vida um pouco melhor do que aqui. Comprar im\u00f3veis \u00e9 o caminho para ter uma sustenta\u00e7\u00e3o quando a velhice chegar.<\/p>\n<p><strong>Muito tempo de real fraco<\/strong><\/p>\n<p>Convertendo a cifra enviada pelos brasileiros l\u00e1 de fora na primeira metade do ano, o pouco mais de R$ 10 bilh\u00f5es equivale ao or\u00e7amento de tr\u00eas meses do Bolsa Fam\u00edlia e do aux\u00edlio emergencial, que ajudou a reduzir os impactos da pandemia na economia. Desde 2004 na Inglaterra, o advogado de imigra\u00e7\u00e3o Tiago Soares, do escrit\u00f3rio Ashton Ross Law, diz que as remessas de dinheiro para o Brasil costumam aumentar quando o real se desvaloriza, mas agora o movimento est\u00e1 mais intenso: \u2014 Ningu\u00e9m imaginava que o c\u00e2mbio fosse ficar t\u00e3o alto por tanto tempo. Os dados do BC apontaram recordes entre janeiro e junho no envio de recursos de tr\u00eas pa\u00edses que t\u00eam comunidades brasileiras numerosas: EUA (US$ 946 milh\u00f5es), Reino Unido (US$ 370,4 milh\u00f5es) e Canad\u00e1 (US$ 27,9 milh\u00f5es). De Portugal, outro destino popular entre brasileiros imigrantes, vieram US$ 101,3 milh\u00f5es, no sexto semestre consecutivo com remessas acima de US$ 100 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Para a professora da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF) Julia Braga, esse fen\u00f4meno se deve a v\u00e1rios fatores. O primeiro \u00e9 a crise econ\u00f4mica causada pela pandemia, que derrubou a renda de muitas fam\u00edlias no Brasil e estimulou imigrantes a enviarem mais dinheiro aos parentes. O segundo \u00e9 a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real, que gera oportunidades de investimento aqui para quem est\u00e1 l\u00e1 fora. Julia cita ainda a falta de perspectivas econ\u00f4micas no Brasil, que estimula mais gente a ir embora: \u2014 H\u00e1 esse volume de pessoas que sa\u00edram em busca de novas oportunidades que, quando conseguem renda, passam a enviar mais recursos para investir ou ajudar parentes no Brasil. Vejo a crise brasileira como um fator importante.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mercado imobili\u00e1rio, outros investimentos no Brasil atraem o dinheiro valorizado dos expatriados. L\u00facio Santana, que trabalha com financiamento imobili\u00e1rio em Deerfield Beach, na Fl\u00f3rida, conta que acaba de comprar 50% de uma escola em Campo Limpo Paulista (SP), de onde saiu h\u00e1 23 anos para viver nos EUA. Ele n\u00e3o tem planos de voltar a viver no Brasil, mas viu o fortalecimento do d\u00f3lar frente ao real como uma oportunidade de investir em um neg\u00f3cio de educa\u00e7\u00e3o na terra natal. A moeda americana voltou a subir e encerrou a semana passada em R$ 5,38. \u2014 N\u00e3o penso em voltar, mas sempre sonhei em ter um neg\u00f3cio no Brasil. Esse investimento pode fazer diferen\u00e7a na minha cidade \u2014 diz Santana.<\/p>\n<p><strong>Fica mais f\u00e1cil ajudar<\/strong><\/p>\n<p>O pedreiro S\u00edlvio Ramos de Melo, de 52 anos, tamb\u00e9m n\u00e3o pensa em voltar ao pa\u00eds desde que se estabeleceu em Cascais, em Portugal. Embora d\u00ea prioridade a seu p\u00e9 de meia para ter mais tranquilidade na nova vida na Europa, com o euro em torno de R$ 6,30 ele tem conseguido mandar dinheiro para conterr\u00e2neos em dificuldades no Brasil: \u2014 \u00c0s vezes um irm\u00e3o, um parente ou um amigo pede uma ajuda, pede R$ 1 mil. Antes, eu precisava de quase \u20ac 250 para passar. Hoje, mando \u20ac 150. \u00c9 um dia de trabalho meu aqui, que vale mais de uma semana para o pessoal que ficou no Brasil \u2014 diz Melo, natural de Teres\u00f3polis (RJ).<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Ribeiro, dono da Prima Transfer, em Londres, atende principalmente brasileiros que querem mandar dinheiro para a terra natal. Ele diz que a procura aumentou muito desde o ano passado para comprar im\u00f3veis e fazer outros investimentos no Brasil, n\u00e3o s\u00f3 por causa da vantagem cambial: \u2014 Uma vez que o pa\u00eds est\u00e1 em crise, as oportunidades de neg\u00f3cios aumentam. Adilson Goes, que trocou S\u00e3o Paulo por Boca Raton, no estado americano da Fl\u00f3rida, e atua na Fair USA, outra empresa de transfer\u00eancia de recursos, tamb\u00e9m conta ter visto brasileiros expatriados realizando sonhos com um empurr\u00e3ozinho do c\u00e2mbio: \u2014 Um brasileiro que veio aqui comparou o valor que ele tinha em d\u00f3lar e percebeu que poderia comprar uma fazenda no Brasil, seu sonho. Depois que o d\u00f3lar subiu mais, ele ainda mandou o dinheiro pra comprar as cabe\u00e7as de gado.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Linhares, advogado de imigra\u00e7\u00e3o na Fl\u00f3rida, corrobora: \u2014 O tipo de imigrante que est\u00e1 aqui para fazer o p\u00e9 de meia e voltar para o Brasil no futuro est\u00e1 aproveitando. O aumento das remessas gera oportunidades tamb\u00e9m no Brasil, onde est\u00e1 o lado que recebe o dinheiro. O banco Daycoval viu o uso do DayPay, um servi\u00e7o que facilita o envio de remessas internacionais, ultrapassar 50% dos seus neg\u00f3cios de c\u00e2mbio no varejo. Abriu novas lojas de recebimento de valores em S\u00e3o Paulo, Bras\u00edlia e Goi\u00e2nia e planeja chegar a outras cidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roberlei Cardoso, ap\u00f3s se aposentar como representante comercial em Cascavel (PR) em 2015, foi para Londres atuar no setor imobili\u00e1rio. Ele e sua mulher, Leila Previati, que trabalha em um restaurante na capital brit\u00e2nica, sempre consideraram a vida financeira bem-sucedida na terra da libra. Mas, recentemente, est\u00e3o se esfor\u00e7ando para economizar cada centavo \u2014 ou penny. O motivo? Enviar o m\u00e1ximo poss\u00edvel para investir no Brasil, aproveitando a for\u00e7a da libra em rela\u00e7\u00e3o ao real para pavimentar um retorno confort\u00e1vel ao pa\u00eds. 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