{"id":49662,"date":"2021-09-25T10:34:01","date_gmt":"2021-09-25T14:34:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=49662"},"modified":"2021-09-25T10:34:01","modified_gmt":"2021-09-25T14:34:01","slug":"debandada-de-brasileiros-ao-exterior-atinge-recorde-no-governo-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2021\/09\/25\/debandada-de-brasileiros-ao-exterior-atinge-recorde-no-governo-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Debandada de brasileiros ao exterior atinge recorde no governo Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<p><strong>Guerras e grandes desastres naturais est\u00e3o entre os principais geradores na hist\u00f3ria de grandes fluxos de imigra\u00e7\u00e3o. No caso do Brasil, que n\u00e3o enfrenta nenhuma dessas cat\u00e1strofes (felizmente), mas sofre no momento com duas crises agudas (sanit\u00e1ria e econ\u00f4mica), o ceticismo com rela\u00e7\u00e3o a um futuro melhor tem levado um n\u00famero recorde de pessoas a tentar a vida no exterior. A onda que vinha crescendo desde 2015 ganhou maior velocidade nos \u00faltimos dois anos, mesmo com fronteiras fechadas por um bom tempo durante a pandemia.<\/strong><\/p>\n<p>Segundo dados recentes do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, h\u00e1 4,2 milh\u00f5es de brasileiros vivendo longe do pa\u00eds, um aumento de quase 20% sobre o n\u00famero de 2018. Isso \u00e9 ainda mais impressionante quando se considera que o dado n\u00e3o computa com precis\u00e3o quem saiu daqui e se encontra em situa\u00e7\u00e3o ilegal l\u00e1 fora. Estimativas falam em at\u00e9 50% a mais de gente nessa condi\u00e7\u00e3o, o que elevaria para acima de 6 milh\u00f5es o volume da di\u00e1spora.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/ADRIANA-PIRES-ALTA-CANGURU-AUSTRALIA-093.jpg.jpg\" alt=\"NA TERRA DO CANGURU - Doutora em qu\u00edmica, a maranhense Adriana Pires Vieira foi contratada por uma universidade australiana para desenvolver pesquisas em energias renov\u00e1veis. \u201cEu senti um misto de alegria e tristeza porque o pa\u00eds que me formou n\u00e3o aproveitou o conhecimento que tenho a oferecer\u201d, afirma, ao se lembrar de quando recebeu o visto voltado a pessoas com conhecimentos excepcionais. -\" \/><\/p>\n<p>Al\u00e9m do patamar in\u00e9dito, o perfil dessa debandada tem caracter\u00edsticas novas, a come\u00e7ar pela mudan\u00e7a do perfil de parte consider\u00e1vel dos imigrantes. O desalento com o Brasil \u00e9 amplo, geral e irrestrito e o aeroporto tem sido a \u00fanica sa\u00edda para quem busca qualidade de vida e carreiras mais atraentes. O presidente Jair Bolsonaro, que nunca disfar\u00e7ou seu desapre\u00e7o pela produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, conseguiu a fa\u00e7anha de acentuar o perfil de quem vai embora para oferecer a pa\u00edses desenvolvidos a excel\u00eancia que faz falta aqui: \u00e9 cada vez maior o n\u00famero de fam\u00edlias com integrantes com ao menos um diploma de ensino superior indo embora, sem inten\u00e7\u00e3o alguma de voltar. Entre 2019 e 2020, o Brasil caiu da 63\u00aa para a septuag\u00e9sima posi\u00e7\u00e3o no quesito reten\u00e7\u00e3o de talentos em um ranking global de competitividade, elaborado pela institui\u00e7\u00e3o Insead. Uma verdadeira \u201cfuga de c\u00e9rebros\u201d. \u201c\u00c9 um problema de falta de perspectiva\u201d, afirma Vanessa Cepellos, professora de gest\u00e3o de pessoas da FGV. \u201cO sal\u00e1rio aqui acaba sendo mais baixo e o custo de vida, muito alto. A conta n\u00e3o fecha e os profissionais acabam buscando outras oportunidades.\u201d<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/EVERTON-DE-ALMEIDA-LUCAS-MONTEVIDEU-URUGUAI-ALTA.jpg.jpg?quality=70&amp;strip=info\" alt=\"FRONTEIRA SUL - O engenheiro ga\u00facho Everton de Almeida Lucas formou-se no Rio Grande do Sul, mas mudou-se para o Uruguai atra\u00eddo pela estabilidade econ\u00f4mica e qualidade de vida. L\u00e1, trabalha em uma companhia de energia e\u00f3lica, concluiu um mestrado e d\u00e1 aulas no ensino superior. \u201cAqui, o setor produtivo est\u00e1 mais pr\u00f3ximo das universidades e os programas de incentivo educacional n\u00e3o mudam conforme o governo\u201d, compara. -\" \/><\/p>\n<p>Al\u00e9m do aumento de quase 20% entre 2018 e 2020 no n\u00famero de brasileiros morando fora, os n\u00fameros estimados pelo Itamaraty revelam o surgimento de novos destinos de prefer\u00eancia. O aumento mais not\u00e1vel foi registrado na Irlanda, onde a comunidade brasileira mais que triplicou e, de uns anos para c\u00e1, tornou-se o lugar favorito de intercambistas atra\u00eddos por pre\u00e7os de cursos mais em conta do que no vizinho Reino Unido e por um visto que permite conciliar estudo e trabalho. Quem vai para o pa\u00eds tamb\u00e9m conta com oportunidades nas \u00e1reas de tecnologia, sa\u00fade ou finan\u00e7as. \u201cTenho um padr\u00e3o de vida aqui que n\u00e3o teria no Brasil\u201d, afirma o executivo de marketing digital Matheus Teodoro, de 29 anos, que mora desde 2019 em Dublin com a esposa, tamb\u00e9m brasileira. A hist\u00f3ria \u00e9 semelhante \u00e0 do consultor em seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o Deivid Luchi, 29, que chegou a prestar servi\u00e7os para grandes bancos no Brasil trabalhando em Porto Alegre, mas trocou o pa\u00eds pela Austr\u00e1lia em busca de melhores oportunidades e hoje procura profissionais daqui para compor a equipe que lidera em Melbourne. \u201cOs brasileiros s\u00e3o muito bem reconhecidos e valorizados internacionalmente\u201d, diz.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/MATHEUS-TEODORO-IRLANDA-DUBLIN-ALTA-1.jpg.jpg?quality=70&amp;strip=info\" alt=\"SONHO IRLAND\u00caS - O paulista Matheus Teodoro foi para Dublin fazer interc\u00e2mbio e, depois de dois anos trabalhando na \u00e1rea de tecnologia, conseguiu permiss\u00e3o do governo para se instalar permanentemente no pa\u00eds europeu. \u201cTenho um padr\u00e3o de vida que n\u00e3o teria no Brasil em um emprego equivalente. O dinheiro tem mais valor\u201d, conta ele, que ainda concilia as obriga\u00e7\u00f5es com passeios pelo continente. -\" \/><\/p>\n<p>A Austr\u00e1lia, ali\u00e1s, investe pesado para atrair estrangeiros qualificados. O setor educacional chega a superar o volume de receitas geradas pelo turismo no pa\u00eds \u2014 38,4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares no \u00faltimo ano. O pa\u00eds concorre com pot\u00eancias como o Canad\u00e1, que conta com mais de sessenta programas governamentais para atrair m\u00e3o de obra estrangeira. No caso australiano, uma das joias de sua pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o \u00e9 o programa de visto para talentos globais, criado em 2019 para atrair profissionais altamente qualificados em suas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o. Foi dessa forma que a qu\u00edmica Adriana Pires Vieira, natural de S\u00e3o Lu\u00eds, no Maranh\u00e3o, partiu para o outro lado do mundo. Ap\u00f3s o fim de seu contrato como pesquisadora na Universidade de S\u00e3o Paulo, em novembro de 2018, ela embarcou levando na bagagem um doutorado na Unicamp e um p\u00f3s-doutorado na USP. Hoje mora em Perth, na costa ocidental da Austr\u00e1lia, onde pesquisa energia renov\u00e1vel e vive com o namorado, tamb\u00e9m pesquisador na Universidade Curtin. \u201cO pa\u00eds que me formou n\u00e3o aproveitou o conhecimento que eu tinha a oferecer\u201d, lamenta Adriana.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/arte-migrac%CC%A7a%CC%83o-2-iphone.jpg?quality=70&amp;strip=info\" alt=\"Arte Migra\u00e7\u00e3o\" \/><\/p>\n<p>A queda nos investimentos em pesquisas tamb\u00e9m tem sido determinante para o \u00eaxodo. Uma nota t\u00e9cnica do Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas mostra que os gastos do governo Bolsonaro em ci\u00eancia e tecnologia somaram 17 bilh\u00f5es de reais em 2020, um n\u00edvel inferior ao observado em 2009 (19 bilh\u00f5es em valores reais). O desalento com a \u00e1rea de pesquisa tamb\u00e9m levou a advogada Thais Cossetti, 29, formada pela Universidade Federal de Ouro Preto a fazer o caminho inverso dos colonizadores portugueses. Desde 2019, ela fixou resid\u00eancia em Coimbra, que abriga uma das mais antigas universidades do mundo, onde foi aprovada para um programa de mestrado em sociologia, um doutorado em economia pol\u00edtica e conseguiu a licen\u00e7a para atuar como advogada em Portugal. Um drama familiar em particular (a morte da av\u00f3) chegou a faz\u00ea-\u00adla repensar a escolha no in\u00edcio deste ano, mas o tempo que passou aqui em uma visita para se despedir ajudou a sedimentar a decis\u00e3o de permanecer em Portugal. \u201cEu fui para ficar duas semanas, mas, com o fechamento dos aeroportos por causa da pandemia, acabei ficando quase tr\u00eas meses e vi os pre\u00e7os nos supermercados e a situa\u00e7\u00e3o de amigos com dificuldade para conseguir emprego\u201d, recorda. Al\u00e9m de n\u00e3o ter a barreira do idioma e oferecer processos seletivos em universidades que aceitam a nota do Enem, os portugueses est\u00e3o de olho nos profissionais de tecnologia: desde julho de 2019, a concess\u00e3o de vistos espec\u00edficos para brasileiros dessa \u00e1rea aumentou mais de 400%. Ainda na Europa, a Alemanha alterou sua legisla\u00e7\u00e3o para facilitar a entrada de imigrantes para preencher mais de 1 milh\u00e3o de vagas. Na It\u00e1lia, pequenos vilarejos aproveitam a difus\u00e3o do home office e tentam n\u00e3o sumir do mapa com subs\u00eddios para atrair moradores.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/thais-cossetti.jpeg?quality=70&amp;strip=info\" alt=\"Thais Cossetti em Portugal\" \/><\/p>\n<p>Com o clima t\u00e3o buc\u00f3lico quanto o interior da It\u00e1lia e IDH superior ao do Brasil, o Uruguai virou outro polo de atra\u00e7\u00e3o de brasileiros. No pa\u00eds que se notabilizou por levar adiante pautas progressistas como a legaliza\u00e7\u00e3o das drogas e do aborto, a popula\u00e7\u00e3o de brasileiros mais que dobrou nos \u00faltimos anos. Mas foi a economia mais est\u00e1vel e uma oportunidade de emprego melhor que levaram o engenheiro Everton de Almeida Lucas, 31, a instalar-se em Montevid\u00e9u, onde trabalha em uma empresa de energia e\u00f3lica e d\u00e1 aulas na Universidade Tecnol\u00f3gica do Uruguai (Utec). \u201cAqui os programas de incentivo educacional n\u00e3o mudam conforme o governo\u201d, diz.<\/p>\n<p>Mesmo com novos destinos, os Estados Unidos ainda s\u00e3o a refer\u00eancia quando se pensa em morar fora. O pa\u00eds abriga a maior comunidade brasileira no exterior, com 1,7 milh\u00e3o de pessoas atra\u00eddas por mais seguran\u00e7a, educa\u00e7\u00e3o superior de qualidade e sal\u00e1rios mais competitivos. Recentemente, o pa\u00eds reduziu de 1,8 milh\u00e3o para 900\u2009000 d\u00f3lares o piso para atrair investidores estrangeiros que queiram o green card, o famoso visto de perman\u00eancia. A atratividade do destino gerou um efeito colateral no vizinho M\u00e9xico. A popula\u00e7\u00e3o de brasileiros estimada l\u00e1 \u00e9 de 45\u2009000 pessoas \u2014 sendo apenas 15\u2009000 regulares. O pa\u00eds latino virou a principal rota terrestre para quem, por falta de informa\u00e7\u00e3o ou puro desespero, tenta chegar aos Estados Unidos \u00e0 margem dos rigorosos processos de imigra\u00e7\u00e3o americanos e com riscos \u00e0 pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p><strong>Li\u00e7\u00e3o com a trag\u00e9dia de Lenilda<\/strong><\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/LENILDA-DA-SILVA-IMIGRANTE-MORTE-2021-0023.jpeg.jpg?quality=70&amp;strip=info\" alt=\"MORTE NO DESERTO -\u2002Lenilda dos Santos: deixada para tr\u00e1s na travessia -\" \/><\/p>\n<p>A trag\u00e9dia mais recente foi a da t\u00e9cnica de enfermagem Lenilda dos Santos, 50, encontrada morta no deserto ap\u00f3s ser abandonada pelo grupo com quem tentou atravessar a fronteira. Calcula-se que um ter\u00e7o dos turistas que entram no pa\u00eds (cerca de 400\u2009000 em 2019, antes da pandemia) viaja com a inten\u00e7\u00e3o de se bandear para os Estados Unidos. \u201cAs migra\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas s\u00e3o as mais preocupantes porque as pessoas que saem do Brasil a qualquer custo acabam n\u00e3o tendo condi\u00e7\u00f5es de sobreviver nos pa\u00edses para onde v\u00e3o\u201d, diz Angela Tsatlogiannis, especialista em direito internacional. O roteiro dos coiotes, como s\u00e3o conhecidos os atravessadores, que chegam a cobrar 20\u2009000 d\u00f3lares no pacote de quem quer se aventurar em uma jornada com altas chances de fracasso, inclui entradas via Cidade do M\u00e9xico ou Canc\u00fan \u2014 aqui, o turismo \u00e9 apenas um \u00e1libi para quem quer vencer a primeira barreira dos agentes de fronteira. Muito embora a chegada do democrata Joe Biden tenha servido ao \u201cmarketing\u201d dessas quadrilhas para atrair v\u00edtimas ao esquema de imigra\u00e7\u00e3o ilegal, nada mudou na pr\u00e1tica: os Estados Unidos n\u00e3o s\u00f3 retomaram as deporta\u00e7\u00f5es em massa por via a\u00e9rea como a Suprema Corte determinou o restabelecimento da pol\u00edtica \u201cFique no M\u00e9xico\u201d, institu\u00edda por Donald Trump, em que os imigrantes s\u00e3o devolvidos ao pa\u00eds vizinho e precisam aguardar em territ\u00f3rio mexicano a improv\u00e1vel decis\u00e3o sobre um pedido de asilo.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/GettyImages-1232278036.jpg.jpg?quality=70&amp;strip=info\" alt=\"IMIGRA\u00c7\u00c3O ILEGAL -\u2002Muro na fronteira dos Estados Unidos: tentativa de conter a chegada de estrangeiros pelo M\u00e9xico -\" \/><\/p>\n<p>Pr\u00f3digo em crises econ\u00f4micas que d\u00e3o impulso \u00e0 busca de uma vida melhor l\u00e1 fora, n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que o Brasil vive um boom de imigra\u00e7\u00e3o. Nos anos 80, a d\u00e9cada perdida marcada pela hiperinfla\u00e7\u00e3o, intensificou-se a mudan\u00e7a de pessoas (boa parte ilegais) para os Estados Unidos. Foi nesse mesmo per\u00edodo que descendentes de japoneses fizeram o caminho inverso de seus antepassados e rumaram ao Jap\u00e3o, onde os dekass\u00e9guis, incentivados pelo governo, foram para suprir a necessidade de m\u00e3o de obra na ind\u00fastria do pa\u00eds e enviar dinheiro para os familiares que aqui ficavam. \u201cHoje, a inseguran\u00e7a pol\u00edtica juntamente com a crise econ\u00f4mica criam uma certeza de que o Brasil n\u00e3o d\u00e1 certo\u201d, afirma Sueli Siqueira, professora da Universidade Vale do Rio Doce, de Governador Valadares (MG), um dos polos exportadores de imigrantes aos Estados Unidos. A desesperan\u00e7a atinge hoje tanto os mais humildes quanto as pessoas com mais recursos e \u00e9 o motor que produz recordes de brasileiros vivendo mundo afora. \/\/ Fonte: Veja Online.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guerras e grandes desastres naturais est\u00e3o entre os principais geradores na hist\u00f3ria de grandes fluxos de imigra\u00e7\u00e3o. No caso do Brasil, que n\u00e3o enfrenta nenhuma dessas cat\u00e1strofes (felizmente), mas sofre no momento com duas crises agudas (sanit\u00e1ria e econ\u00f4mica), o ceticismo com rela\u00e7\u00e3o a um futuro melhor tem levado um n\u00famero recorde de pessoas a tentar a vida no exterior. A onda que vinha crescendo desde 2015 ganhou maior velocidade nos \u00faltimos dois anos, mesmo com fronteiras fechadas por um bom tempo durante a pandemia. 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