{"id":51775,"date":"2022-05-07T10:57:13","date_gmt":"2022-05-07T14:57:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=51775"},"modified":"2022-05-07T10:57:13","modified_gmt":"2022-05-07T14:57:13","slug":"em-portugal-imigrantes-brasileiros-relatam-xenofobia-e-racismo-crescentes-brasileiras-sao-todas-p","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2022\/05\/07\/em-portugal-imigrantes-brasileiros-relatam-xenofobia-e-racismo-crescentes-brasileiras-sao-todas-p\/","title":{"rendered":"Em Portugal, imigrantes brasileiros relatam xenofobia e racismo crescentes: &#8220;Brasileiras s\u00e3o todas p*&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><strong>&#8220;N\u00e3o \u00e9 problema meu se voc\u00ea n\u00e3o sabe falar portugu\u00eas&#8221;. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 \u00e1gua pot\u00e1vel no Brasil&#8221;. &#8220;Mulher brasileira vem para c\u00e1 para roubar o marido das portuguesas&#8221;. &#8220;Os moradores est\u00e3o se sentindo incomodados de ver uma pessoa assim como voc\u00ea, estranha, andando por aqui&#8221;. &#8220;Brasileiras s\u00e3o todas p*&#8221;. &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o entende nada. Voc\u00ea \u00e9 burra&#8221;. &#8220;Claro que n\u00e3o, brasileiro vir dar aula aqui?&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>As declara\u00e7\u00f5es acima foram compartilhadas com a BBC News Brasil por brasileiros que viveram ou ainda vivem em Portugal. Apesar de fazerem parte de uma nova gera\u00e7\u00e3o de imigrantes, mais qualificados e com maior poder aquisitivo, eles relatam epis\u00f3dios de xenofobia. E essa \u00e9 uma das raz\u00f5es pelas quais alguns dos que j\u00e1 deixaram o pa\u00eds dizem n\u00e3o querer mais voltar a viver l\u00e1.<\/p>\n<p>Segundo a Comiss\u00e3o para a Igualdade e contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial (CICDR), \u00f3rg\u00e3o ligado ao governo portugu\u00eas, den\u00fancias de casos de xenofobia contra brasileiros em Portugal aumentaram 433% desde 2017 \u2014 naquele ano, a comunidade imigrante do Brasil tinha voltado a crescer. Em 2020, foram 96 queixas nas quais a origem da discrimina\u00e7\u00e3o foi a nacionalidade brasileira. Em 2017, apenas 18. Entre os estrangeiros que vivem em Portugal, s\u00e3o os brasileiros que mais registram casos em que s\u00e3o v\u00edtimas de manifesta\u00e7\u00f5es de racismo e xenofobia.<\/p>\n<p><a id='25_E7f72QZ1_jAB3h4ol7g' class='gie-single' href='http:\/\/www.gettyimages.com\/detail\/599705349' target='_blank' style='color:#a7a7a7;text-decoration:none;font-weight:normal !important;border:none;display:inline-block;' rel=\"noopener noreferrer\">Embed from Getty Images<\/a><script>window.gie=window.gie||function(c){(gie.q=gie.q||[]).push(c)};gie(function(){gie.widgets.load({id:'25_E7f72QZ1_jAB3h4ol7g',sig:'DqPYPUGBvwTSMVLIjbPax90fuSK8JZ5rbIiQ4Zxsiwg=',w:'509px',h:'339px',items:'599705349',caption: true ,tld:'com',is360: false })});<\/script><script src='\/\/embed-cdn.gettyimages.com\/widgets.js' charset='utf-8' async><\/script><\/p>\n<p>&#8220;A express\u00e3o que mais se destaca enquanto fundamento na origem da discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 a nacionalidade brasileira&#8221;, diz a CICDR em relat\u00f3rio. Recentemente, Pedro Cosme da Costa Vieira, professor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, no norte de Portugal, foi demitido por coment\u00e1rios sexistas, racistas e xen\u00f3fobos, entre os quais, &#8220;as mulheres brasileiras s\u00e3o uma mercadoria&#8221;. Em fevereiro do ano passado, Vieira j\u00e1 havia sido suspenso por 90 dias depois de um grupo de 129 alunos ter denunciado crimes de ass\u00e9dio e discrimina\u00e7\u00e3o durante as aulas. E, em meio \u00e0 pandemia de covid-19, um perfil identificado como sendo de um grupo da Faculdade de Engenharia da mesma universidade publicou nas redes sociais frases xen\u00f3fobas e machistas contra brasileiros e brasileiras.<\/p>\n<p>Destino tradicional de imigra\u00e7\u00e3o brasileira, Portugal registrou nos \u00faltimos anos um aumento expressivo no fluxo migrat\u00f3rio vindo da antiga col\u00f4nia \u2014 dados oficiais mostram que a comunidade de brasileiros morando legalmente no pequeno pa\u00eds europeu subiu pelo quinto ano consecutivo e atingiu a marca recorde de 209.072 em 2021, um aumento de 13,6% em rela\u00e7\u00e3o a 2020. Os brasileiros permanecem, assim, na lideran\u00e7a isolada como a maior comunidade imigrante em Portugal, representando 29,2% de todos os estrangeiros em situa\u00e7\u00e3o regular no pa\u00eds, segundo o Servi\u00e7o de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), \u00f3rg\u00e3o do governo portugu\u00eas respons\u00e1vel pelo controle da imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas esse n\u00famero pode ser ainda maior, pois n\u00e3o inclui os brasileiros com dupla cidadania portuguesa ou de outro pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia e quem est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria irregular. O Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Brasil estima em 276.200 o n\u00famero de brasileiros vivendo em Portugal, mas associa\u00e7\u00f5es de apoio a imigrantes calculam que o contingente se aproxima de 400 mil. Alguns brasileiros citados nesta reportagem optaram por denunciar as agress\u00f5es que sofreram sob condi\u00e7\u00e3o de anonimato por temer repres\u00e1lias.<\/p>\n<p><a id='um3_nC6URV5jYjzYX24MTQ' class='gie-single' href='http:\/\/www.gettyimages.com\/detail\/1201314802' target='_blank' style='color:#a7a7a7;text-decoration:none;font-weight:normal !important;border:none;display:inline-block;' rel=\"noopener noreferrer\">Embed from Getty Images<\/a><script>window.gie=window.gie||function(c){(gie.q=gie.q||[]).push(c)};gie(function(){gie.widgets.load({id:'um3_nC6URV5jYjzYX24MTQ',sig:'U284CA4ZcKDMDDoPqOjxnojtbgU3bh8FHWjAm3KCXhg=',w:'509px',h:'339px',items:'1201314802',caption: true ,tld:'com',is360: false })});<\/script><script src='\/\/embed-cdn.gettyimages.com\/widgets.js' charset='utf-8' async><\/script><\/p>\n<p><strong>&#8216;Tocou minha vagina&#8217;<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Est\u00e1vamos juntos havia tr\u00eas meses. Quando me falou sobre um amigo que terminou o relacionamento com uma portuguesa por causa de uma brasileira, ele deu um leve tapa na minha vagina e disse que entendia o porqu\u00ea. Fiquei horrorizada&#8221;, diz \u00e0 BBC News Brasil Mariana Braz, que vive em Portugal desde que se mudou para o pa\u00eds para fazer mestrado. &#8220;As brasileiras s\u00e3o, de maneira geral, vistas de uma forma extremamente sexualizada, como objetos sexuais. A sociedade portuguesa ainda \u00e9 essencialmente machista e conservadora&#8221;, acrescenta. Epis\u00f3dios como o que sofreu a encorajaram a idealizar em 2020 o projeto social &#8216;Brasileiras n\u00e3o se calam&#8217;, de apoio a mulheres brasileiras imigrantes.<\/p>\n<p>&#8220;Para al\u00e9m de um canal onde mulheres brasileiras compartilham suas hist\u00f3rias, o projeto tamb\u00e9m oferece grupos de apoio emocional online gratuitos, e conta com uma rede de psic\u00f3logas e advogadas que prestam apoio psicol\u00f3gico e jur\u00eddico a custo social&#8221;, diz Braz. &#8220;Uma vez fui fazer um treinamento para trabalhar em uma empresa de energia e o supervisor (que era portugu\u00eas), dentro do elevador me disse assim: &#8216;o legal \u00e9 que n\u00e3o precisamos ir l\u00e1 para escravizar. Voc\u00eas que j\u00e1 v\u00eam por conta pr\u00f3pria para essa fun\u00e7\u00e3o'&#8221;: \u00e9 um dos v\u00e1rios relatos, a maior parte vinda de Portugal, da conta das &#8216;Brasileiras n\u00e3o se calam&#8217; no Instagram, que tem cerca de 50 mil seguidores.<\/p>\n<p><strong>&#8216;Brasileiras s\u00e3o todas p*&#8217;<\/strong><\/p>\n<p>Um relato semelhante aconteceu com a filha de Isabel, que ainda vive em Portugal. &#8220;Est\u00e1vamos todos sentados em uma mesa, a fam\u00edlia toda, eu, minha m\u00e3e, minhas duas filhas e o namorado de uma delas. Minha filha levantou-se para buscar uma cadeira e pediu gentilmente \u00e0 mesa ao lado, na qual havia duas senhoras sentadas. Uma delas nem esperou minha filha sair para dizer, sem mais nem menos, que as &#8216;brasileiras s\u00e3o todas p*'&#8221;, diz. Isabel voltou para o Brasil em setembro de 2020. Ela, que j\u00e1 tinha morado no Jap\u00e3o, viveu em Portugal por dois anos para fazer seu mestrado em uma prestigiada universidade no Porto, a segunda maior cidade do pa\u00eds. E conta ter ficado &#8220;chocada&#8221; com o preconceito no ambiente acad\u00eamico.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o esperava encontrar tanto preconceito no ambiente acad\u00eamico. Certa vez, um professor falou da bunda das brasileiras. Outra afirmou que n\u00e3o havia \u00e1gua pot\u00e1vel no Brasil&#8221;, diz. &#8220;J\u00e1 havia feito mestrado na Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) e me considero uma pessoa extremamente preparada profissionalmente. Comentei com uma professora que gostaria de me candidatar a uma vaga para lecionar na universidade. Ela riu da minha cara e disse: &#8216;Claro que n\u00e3o, brasileiro vir aqui dar aula?&#8217; &#8220;Em outra ocasi\u00e3o, estava falando com a minha orientadora. De repente, ela deu um soco na mesa e disse: &#8216;n\u00e3o entendo nada que falas'&#8221;.&#8221;Minha filha faz gradua\u00e7\u00e3o aqui em Portugal e algo semelhante acontece com ela. Os alunos portugueses n\u00e3o costumam se misturar com os brasileiros. Em um trabalho de grupo, ela ouvia de colegas portugueses: &#8216;N\u00e3o entendes nada. \u00c9s burra?&#8217;. &#8220;O que mais me chamou aten\u00e7\u00e3o em Portugal foi que o preconceito, diferentemente do Jap\u00e3o, \u00e9 descarado&#8221;.<\/p>\n<p><a id='7tas-Me6RhRTgl00aBEb2g' class='gie-single' href='http:\/\/www.gettyimages.com\/detail\/1256316318' target='_blank' style='color:#a7a7a7;text-decoration:none;font-weight:normal !important;border:none;display:inline-block;' rel=\"noopener noreferrer\">Embed from Getty Images<\/a><script>window.gie=window.gie||function(c){(gie.q=gie.q||[]).push(c)};gie(function(){gie.widgets.load({id:'7tas-Me6RhRTgl00aBEb2g',sig:'46CtSx7hjU0tvNWmCDMfNQzdWLbuUovpUjghMUWhe4M=',w:'514px',h:'335px',items:'1256316318',caption: true ,tld:'com',is360: false })});<\/script><script src='\/\/embed-cdn.gettyimages.com\/widgets.js' charset='utf-8' async><\/script><\/p>\n<p><strong>&#8216;Tive que falar em ingl\u00eas para ser bem tratado&#8217;<\/strong><\/p>\n<p>Pedro, que tamb\u00e9m fez mestrado em Portugal, compartilha a mesma frustra\u00e7\u00e3o sobre o ambiente acad\u00eamico. &#8220;Nosso curso era em ingl\u00eas e, devido a termos t\u00e9cnicos, quer\u00edamos fazer a prova em ingl\u00eas. Mas nos deram a prova em portugu\u00eas de Portugal e acabei indo mal. Quando fui reclamar, ouvi: &#8216;N\u00e3o \u00e9 problema meu se n\u00e3o sabes falar portugu\u00eas&#8217;.&#8221; Mas, para Pedro, o pior era a discrimina\u00e7\u00e3o vivida fora do ambiente universit\u00e1rio. Ele relata que fingia n\u00e3o ser brasileiro e, por vezes, falava em ingl\u00eas, a l\u00edngua materna de seu companheiro, para &#8220;ser bem tratado&#8221;. &#8220;Quando telefonava para fazer reservas em restaurantes e falava em portugu\u00eas, sempre ouvia que n\u00e3o havia mais mesas dispon\u00edveis. Pedia a meu companheiro para ligar de volta. E, surpreendentemente, ele conseguia fazer a reserva. O tratamento era completamente diferente. Passei, ent\u00e3o, a falar em ingl\u00eas em restaurantes para ser bem tratado&#8221;. Hoje vivendo em Londres, no Reino Unido, Pedro diz que gosta de Portugal, mas n\u00e3o pensa em voltar a morar no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>&#8216;Um estranho no bairro&#8217;<\/strong><\/p>\n<p>Formado em Hist\u00f3ria, Felipe foi professor em Bras\u00edlia antes de se mudar para Portugal para fazer mestrado. Por sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, ele diz sofrer preconceito &#8220;velado&#8221;. &#8220;Nunca me vi em uma situa\u00e7\u00e3o de preconceito &#8216;descarado&#8217;. Mas voc\u00ea sabe quando \u00e9 alvo de discrimina\u00e7\u00e3o, ainda que &#8216;sutil&#8217;, seja pela forma como algu\u00e9m te olha ou fala com voc\u00ea&#8221;. &#8220;Trabalho para uma empresa de engenharia aqui e meu trabalho consiste em sair a campo para fazer medi\u00e7\u00f5es. Uma vez, fui confrontado por um policial que me disse que &#8216;os moradores est\u00e3o se sentindo incomodados de ver uma pessoa assim como voc\u00ea, estranha, andando por aqui&#8217;. Mostrei a ele todos os meus documentos, inclusive minha carteira de identidade portuguesa. E ele me perguntou como eu havia conseguido obt\u00ea-la&#8221;. &#8220;O preconceito se alimenta da ignor\u00e2ncia das pessoas. Evidentemente, nem todos os portugueses s\u00e3o preconceituosos, mas dizer que n\u00e3o h\u00e1 preconceito contra brasileiros \u00e9 mentira&#8221;. Neste sentido, ele destaca o crescimento da extrema-direita em Portugal, ap\u00f3s o partido Chega, com seu discurso anti-imigra\u00e7\u00e3o, se tornar a terceira maior for\u00e7a do Congresso, em janeiro deste ano. Embora seu l\u00edder, Andr\u00e9 Ventura, n\u00e3o tenha os brasileiros como foco de suas controversas declara\u00e7\u00f5es contra imigrantes, e sim os chamados &#8216;ciganos&#8217;, o sucesso da sigla nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es legislativas &#8220;de certa forma d\u00e1 legitimidade \u00e0queles que querem propagar discursos de \u00f3dio, exatamente como aconteceu ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro&#8221;, diz o professor.<\/p>\n<p><a id='hLz6uLIJTB5msnzrnzGAGA' class='gie-single' href='http:\/\/www.gettyimages.com\/detail\/596286385' target='_blank' style='color:#a7a7a7;text-decoration:none;font-weight:normal !important;border:none;display:inline-block;' rel=\"noopener noreferrer\">Embed from Getty Images<\/a><script>window.gie=window.gie||function(c){(gie.q=gie.q||[]).push(c)};gie(function(){gie.widgets.load({id:'hLz6uLIJTB5msnzrnzGAGA',sig:'TV2pftffuratP0a-NRFSOsTZGiAjllu597108OsGT_4=',w:'509px',h:'339px',items:'596286385',caption: true ,tld:'com',is360: false })});<\/script><script src='\/\/embed-cdn.gettyimages.com\/widgets.js' charset='utf-8' async><\/script><\/p>\n<p><strong>&#8216;Sou vista como ativo&#8217;<\/strong><\/p>\n<p>Embora tenham sido alvo de discrimina\u00e7\u00e3o, os brasileiros ouvidos para esta reportagem ressalvam que gostam &#8220;de Portugal e dos portugueses&#8221;. &#8220;Gosto de viver aqui. Como em todo lugar, h\u00e1 pr\u00f3s e contras. Sinto que tenho mais qualidade de vida aqui do que no Brasil, mas n\u00e3o \u00e9 por isso que vou &#8216;passar pano&#8217; para o racismo e para a xenofobia. Queremos construir uma sociedade mais igualit\u00e1ria, e n\u00e3o ser\u00e1 escondendo problemas que vamos alcan\u00e7\u00e1-la. Temos que encar\u00e1-los de frente. E uma das formas \u00e9 denunciando o que acontece&#8221;, diz Braz, idealizadora do &#8216;Brasileiras n\u00e3o se calam&#8217;. Mas a carioca Natalia Arantes, que vive em Lisboa, a capital do pa\u00eds e, portanto, uma cidade mais cosmopolita, relata ter tido uma experi\u00eancia diferente. Ela diz j\u00e1 ter ouvido casos de discrimina\u00e7\u00e3o, mas ressalva que nunca passou por situa\u00e7\u00e3o semelhante. &#8220;Pelo contr\u00e1rio, sempre fui muito bem recebida aqui. Inclusive na minha empresa, sou vista como um &#8216;ativo&#8217;, pois entendo como lidar melhor com clientes brasileiros que buscam comprar im\u00f3veis aqui em Portugal&#8221;, diz ela, que \u00e9 corretora. Ela conta que nos \u00faltimos anos v\u00e1rios brasileiros compraram im\u00f3veis em Portugal em busca de uma melhor qualidade de vida para suas fam\u00edlias. Os juros baixos das hipotecas s\u00e3o um atrativo \u00e0 parte. &#8220;Muitos relatam querer uma vida mais segura aqui, longe dos problemas de viol\u00eancia urbana do Brasil. H\u00e1 tamb\u00e9m brasileiros que adquirem im\u00f3veis por investimento&#8221;, diz Arantes que mant\u00e9m uma p\u00e1gina no Instagram com dicas sobre como \u00e9 viver em Portugal com mais de 20 mil seguidores (@vivasuavidaemportugal). A reportagem da BBC News Brasil tentou ouvir o governo portugu\u00eas, mas at\u00e9 a conclus\u00e3o desta reportagem, n\u00e3o obteve resposta.<\/p>\n<p><strong>Como denunciar?<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a Comiss\u00e3o para a Igualdade e contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial (CICDR), &#8220;quaisquer queixas, que se enquadrem no objeto da Lei n.\u00ba 93\/2017 (legisla\u00e7\u00e3o nacional contra discrimina\u00e7\u00e3o racial), de 23 de agosto, podem ser apresentadas no formul\u00e1rio eletr\u00f4nico, presencialmente junto da pr\u00f3pria CICDR, do ACM, ou atrav\u00e9s de e-mail enviado para cicdr@acm.gov.pt ou por correio postal, endere\u00e7ado \u00e0 Presidente da Comiss\u00e3o para a Igualdade e Contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial, enviado para a Rua \u00c1lvaro Coutinho, 14, 1150-025 Lisboa, ou ainda presencialmente neste endere\u00e7o&#8221;. \/\/ BBC . Yahoo Not\u00edcias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 problema meu se voc\u00ea n\u00e3o sabe falar portugu\u00eas&#8221;. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 \u00e1gua pot\u00e1vel no Brasil&#8221;. &#8220;Mulher brasileira vem para c\u00e1 para roubar o marido das portuguesas&#8221;. &#8220;Os moradores est\u00e3o se sentindo incomodados de ver uma pessoa assim como voc\u00ea, estranha, andando por aqui&#8221;. &#8220;Brasileiras s\u00e3o todas p*&#8221;. &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o entende nada. Voc\u00ea \u00e9 burra&#8221;. &#8220;Claro que n\u00e3o, brasileiro vir dar aula aqui?&#8221; As declara\u00e7\u00f5es acima foram compartilhadas com a BBC News Brasil por brasileiros que viveram ou ainda vivem em Portugal. 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