{"id":52658,"date":"2022-08-18T09:25:36","date_gmt":"2022-08-18T13:25:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=52658"},"modified":"2022-08-18T09:25:36","modified_gmt":"2022-08-18T13:25:36","slug":"nova-zelandia-deporta-casal-brasileiro-acusado-de-ligacao-com-rede-de-prostituicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2022\/08\/18\/nova-zelandia-deporta-casal-brasileiro-acusado-de-ligacao-com-rede-de-prostituicao\/","title":{"rendered":"Nova Zel\u00e2ndia deporta casal brasileiro acusado de liga\u00e7\u00e3o com rede de prostitui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Um casal de imigrantes brasileiros na Nova Zel\u00e2ndia foi deportado depois de o servi\u00e7o de imigra\u00e7\u00e3o local apontar que marido e esposa estavam envolvidos com uma rede de prostitui\u00e7\u00e3o que levava mulheres ao pa\u00eds da Oceania para trabalhar na ind\u00fastria do sexo.<\/strong><\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o se desenrolou ao longo do ano passado at\u00e9 que, em maio, um tribunal decidiu que o casal e seus dois filhos -de dez meses e tr\u00eas anos- deveriam deixar o pa\u00eds. Eles receberam um visto de trabalho de tr\u00eas meses para que pudessem juntar recursos para o retorno. Homem e mulher, de 32 e 34 anos, respectivamente, nasceram em Salvador e est\u00e3o juntos desde 2012, segundo informa\u00e7\u00f5es da defesa do casal tornadas p\u00fablicas pela Justi\u00e7a neozelandesa. A mudan\u00e7a para o pa\u00eds, onde j\u00e1 possu\u00edam outros parentes, ocorreu em 2016.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/cdni.russiatoday.com\/files\/2018.04\/article\/5ae0a413dda4c8d75f8b45a3.jpg\" alt=\"New Zealand adds prostitution to list of employment skills for would-be  immigrants \u2014 RT World News\" \/><\/p>\n<p>O processo que desaguou na deporta\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio quando o marido, que trabalhava como gesseiro, solicitou a renova\u00e7\u00e3o do visto, em mar\u00e7o de 2021. Em cinco meses veio a negativa, apontando que ele n\u00e3o seria um candidato de \u201cboa-f\u00e9\u201d. Como argumento, o setor alegou que o homem prestava servi\u00e7os a brasileiras que desejavam se prostituir no pa\u00eds. O trabalho sexual na Nova Zel\u00e2ndia foi descriminalizado em 2003 para maiores de 18 anos \u2013o pa\u00eds, no entanto, impede que portadores de visto tempor\u00e1rio trabalhem no ramo, como forma de coibir o tr\u00e1fico sexual.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o teria acessado dados da conta banc\u00e1ria conjunta do casal e mensagens de WhatsApp que mostram dep\u00f3sitos de brasileiras com essa finalidade, ainda segundo o processo. A defesa negou o envolvimento do casal, argumentando que a mulher trabalhava com servi\u00e7os de administra\u00e7\u00e3o para as brasileiras, mas sem implica\u00e7\u00f5es com a rede de prostitui\u00e7\u00e3o. O tribunal de imigra\u00e7\u00f5es, no entanto, anunciou a deporta\u00e7\u00e3o em novembro passado. \u00c0 Folha o setor de imigra\u00e7\u00f5es neozeland\u00eas afirmou ter iniciado uma extensa investiga\u00e7\u00e3o em 2020 depois de uma brasileira revelar que estava trabalhando com prostitui\u00e7\u00e3o. Da\u00ed se descobriu a rede criada para que mulheres viajassem para o pa\u00eds. \u201cUma vez na Nova Zel\u00e2ndia, elas trabalhariam com um administrador an\u00f4nimo que indicaria onde trabalhar e quanto cobrar; ele receberia parte do lucro, que seria depositada em v\u00e1rias contas banc\u00e1rias.\u201d<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/www.postoast.com\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/2-13.jpg\" alt=\"15 Countries Where Prostitution Is Legal, And You Should Not Be Surprised\" \/><\/p>\n<p>A \u00faltima tentativa dos brasileiros foi apelar \u00e0 Justi\u00e7a argumentando que circunst\u00e2ncias de natureza humanit\u00e1ria pesavam a seu favor. Eles diziam que, por estarem havia tanto tempo na Nova Zel\u00e2ndia, n\u00e3o dispunham de redes de apoio ou trabalho no Brasil e que seus filhos, criados na cultura local, n\u00e3o teriam boas oportunidades. Em uma carta ao tribunal, eles afirmaram que se mudaram para a Nova Zel\u00e2ndia porque temiam criar os filhos no Brasil, \u201ccom alto \u00edndice de criminalidade e baixas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas\u201d. Os argumentos da defesa listaram ainda as altas cifras de estupro, os valores das escolas particulares e as defici\u00eancias na rede p\u00fablica de ensino. Diziam ainda que o sistema p\u00fablico de sa\u00fade \u201cn\u00e3o funciona bem\u201d: \u201cmilhares de pessoas morrem \u00e0 espera de serem tratadas\u201d.<\/p>\n<p>Em resposta, o tribunal disse reconhecer o n\u00edvel preocupante de criminalidade no Brasil e enumerou pesquisas que evidenciam, por exemplo, a gravidade da pandemia no pa\u00eds, mas concluiu que n\u00e3o encontrou evid\u00eancias reais de que o casal pudesse estar em risco em seu pa\u00eds de origem. O nome dos brasileiros n\u00e3o foi tornado p\u00fablico. Eles deixaram a nova Zel\u00e2ndia em 4 de agosto. A Folha tentou contato com a defesa deles, por email e nas redes sociais, mas n\u00e3o obteve resposta. O Itamaraty disse que, por meio da embaixada em Wellington, tem conhecimento do caso e segue \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para prestar assist\u00eancia \u2013mas salientou que a deporta\u00e7\u00e3o \u00e9 um ato soberano de cada na\u00e7\u00e3o. Ainda que tenha uma legisla\u00e7\u00e3o considerada avan\u00e7ada na \u00e1rea da prostitui\u00e7\u00e3o, a Nova Zel\u00e2ndia recebe cr\u00edticas de ONGs por proibir que migrantes tempor\u00e1rios tenham envolvimento com a ind\u00fastria do sexo. A medida, dizem, corrobora para a explora\u00e7\u00e3o de migrantes e, na contram\u00e3o dos motivos pelos quais foi criada, aumenta o risco de tr\u00e1fico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um casal de imigrantes brasileiros na Nova Zel\u00e2ndia foi deportado depois de o servi\u00e7o de imigra\u00e7\u00e3o local apontar que marido e esposa estavam envolvidos com uma rede de prostitui\u00e7\u00e3o que levava mulheres ao pa\u00eds da Oceania para trabalhar na ind\u00fastria do sexo. A investiga\u00e7\u00e3o se desenrolou ao longo do ano passado at\u00e9 que, em maio, um tribunal decidiu que o casal e seus dois filhos -de dez meses e tr\u00eas anos- deveriam deixar o pa\u00eds. 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