{"id":54727,"date":"2023-04-10T17:25:13","date_gmt":"2023-04-10T21:25:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=54727"},"modified":"2023-04-10T17:25:13","modified_gmt":"2023-04-10T21:25:13","slug":"imigracao-ilegal-de-menores-triplica-nos-eua-e-expoe-crescente-exploracao-do-trabalho-infanto-juvenil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2023\/04\/10\/imigracao-ilegal-de-menores-triplica-nos-eua-e-expoe-crescente-exploracao-do-trabalho-infanto-juvenil\/","title":{"rendered":"Imigra\u00e7\u00e3o ilegal de menores triplica nos EUA e exp\u00f5e crescente explora\u00e7\u00e3o do trabalho infanto-juvenil"},"content":{"rendered":"<p><strong>O n\u00famero de recorde de menores desacompanhados que emigram para os EUA, principalmente de pa\u00edses da Am\u00e9rica Central, e falhas na pol\u00edtica migrat\u00f3ria do governo de Joe Biden em tentar localizar parentes desses jovens em territ\u00f3rio americano contribuem para a explora\u00e7\u00e3o laboral de adolescentes em ind\u00fastrias de diversos Estados.<\/strong><\/p>\n<p>Em 2022, o n\u00famero de crian\u00e7as desacompanhadas apreendidas na fronteira dos EUA foi de 152.880, o triplo do registrado cinco anos antes: 50.036. Uma vez nos Estados Unidos, esses menores t\u00eam cada vez mais recorrido a trabalhos em f\u00e1bricas, muitas vezes submetidos a jornadas extenuantes.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/www.telesurtv.net\/__export\/1655124654462\/sites\/telesur\/img\/2022\/06\/13\/child.jfif\" \/><\/p>\n<p>&#8220;Por muito tempo, principalmente no governo de Donald Trump e no come\u00e7o do governo Biden, houve uma press\u00e3o forte contra o fato de as crian\u00e7as ficarem detidas por tanto tempo, 30 dias, 90 dias. Ent\u00e3o, o governo Biden tentou agilizar e soltar essas crian\u00e7as mais rapidamente. Mas deste modo h\u00e1 menos tempo para verificar para onde elas v\u00e3o&#8221;, explica Gabrielle Oliveira, professora em Harvard e pesquisadora de imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas acabam em fam\u00edlias que j\u00e1 vivem com muitas crian\u00e7as e pouco dinheiro e s\u00e3o induzidas a trabalhar para enviar a renda para suas fam\u00edlias. Professores contam que os alunos terminam as aulas e saem para trabalhar em turnos noturnos em f\u00e1bricas, por exemplo&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p><strong>LONGE DE CASA<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com as estat\u00edsticas, cerca de um ter\u00e7o das crian\u00e7as que chegam aos EUA desacompanhadas vai ao encontro de pais ou parentes. O restante acaba com tutores que, por vezes, nem conheciam. Em 2022, dos 152 mil menores que aguardavam detidos, 127.447 foram entregues a esses guardi\u00f5es legais.<\/p>\n<p>Em alguns casos, segundo estudos sobre imigra\u00e7\u00e3o infantil nos EUA, o tutor que recebe a crian\u00e7a quer que ela v\u00e1 para a escola e at\u00e9 tem condi\u00e7\u00e3o para sustent\u00e1-la, mas a crian\u00e7a, ainda assim, precisa trabalhar para enviar dinheiro \u00e0 fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8220;Entrevistei crian\u00e7as que chegaram com idades entre 11 e 17 anos e, 10 anos depois, continuam trabalhando sem documenta\u00e7\u00e3o. Algumas chegaram com 12, 13 anos e come\u00e7aram a trabalhar lavando lou\u00e7as em lanchonetes ou como empregadas dom\u00e9sticas&#8221;, diz Stephanie Canizales, autora do livro Sin Padres, Ni Papeles (Sem pais ou documentos, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p><strong>VIDA DURA<\/strong><\/p>\n<p>Canizales faz pesquisas com crian\u00e7as que entraram nos EUA entre 2012 e 2018 sem serem detectadas, ou seja, que n\u00e3o passaram pelo processo de deten\u00e7\u00e3o. Ela relatou hist\u00f3rias em seu livro como as de Diego, Lucinda e Glenda, tr\u00eas imigrantes de pa\u00edses como Guatemala, Honduras e El Salvador que chegaram desacompanhadas aos EUA, ainda adolescentes.<\/p>\n<p>Lucinda tinha 14 anos quando fez a travessia da Guatemala para os Estados Unidos. Ela foi a terceira de sua fam\u00edlia a migrar e acompanhou, \u00e0 dist\u00e2ncia, o pai adoecer sem poder fazer nada. Diego deixou Honduras com a mesma idade, ap\u00f3s ver os pais e av\u00f3s serem executados por gangues locais. Glenda vivia sendo maltratada pelos pais em El Salvador e, tamb\u00e9m com 14 anos, conseguiu deixar o pa\u00eds e cruzar as fronteiras at\u00e9 os EUA.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/www.newsnationnow.com\/wp-content\/uploads\/sites\/108\/2023\/03\/Child-Labor-e1677995160635.jpg?strip=1\" alt=\"Child Labor: Hundreds of American companies illegally employing kids in  dangerous conditions\" \/><\/p>\n<p>Diego, depois de chegar aos EUA, come\u00e7ou a trabalhar em uma oficina mec\u00e2nica. Depois conseguiu um emprego em um armaz\u00e9m. Lucinda chegou aos EUA e viu sua rela\u00e7\u00e3o familiar mudar. Os irm\u00e3os que j\u00e1 estavam por l\u00e1 se casaram e n\u00e3o tinham como ajud\u00e1-la.<\/p>\n<p>Glenda teve um destino diferente. &#8220;Ela chegou em Los Angeles, onde tinha um tio. Ele a aceitou, era um homem mais velho, casado com uma mulher que cuidou de Glenda. Quando conversamos, ela estava indo para o colegial e me disse: N\u00e3o tive pais que me amaram, n\u00e3o imaginei que algu\u00e9m fosse me ajudar. Pensei que cresceria desacompanhada, mas aqui estou.&#8221;<\/p>\n<p><strong>EXPLORA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Em fevereiro, o jornal The New York Times publicou reportagem mostrando a rotina de trabalho de crian\u00e7as migrantes nos EUA. Essa m\u00e3o de obra vem crescendo ao longo dos \u00faltimos 10 anos e disparou justamente a partir de 2021, apesar de n\u00e3o haver um monitoramento estat\u00edstico oficial de imigrantes menores trabalhando em empresas americanas. O jornal relatou casos em 20 Estados, com destaque para Fl\u00f3rida, Tennessee, Delaware, Mississippi, Carolina do Norte e Dakota do Sul.<\/p>\n<p>&#8220;Algumas empresas privadas americanas n\u00e3o se preocupam em realizar uma checagem e, neste momento, o mercado est\u00e1 aquecido por necessidade de preencher vagas de empregos por falta de m\u00e3o de obra. Isso n\u00e3o \u00e9 novo, mas deixa mais aparente a quest\u00e3o de as empresas aceitarem m\u00e3o de obra barata. E as pessoas chegam por meio de contato, primo ou amigo que trabalha no local&#8221;, explica Gabrielle.<\/p>\n<p><strong>SA\u00cdDAS<\/strong><\/p>\n<p>Especialistas que monitoram a exposi\u00e7\u00e3o de menores migrantes que cumprem jornadas extenuantes de trabalho nos EUA defendem um esfor\u00e7o conjunto de atores da sociedade civil, ONGs e ag\u00eancias do governo para amenizar o problema.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o adianta apenas dizer que as crian\u00e7as n\u00e3o podem trabalhar. Elas v\u00e3o passar a morar na rua, sendo despejadas, sem espa\u00e7o para viver, sem poder ir para a escola. \u00c9 uma d\u00e9cada de crescimento de crian\u00e7as migrantes que trabalham nos EUA&#8221;, afirma Gabrielle.<\/p>\n<p>Um ponto fundamental, segundo ela, \u00e9 o governo americano n\u00e3o perder o rastro de onde est\u00e3o essas crian\u00e7as e o contato com elas ap\u00f3s serem enviadas a tutores. &#8220;Mais de 80 mil crian\u00e7as repatriadas n\u00e3o t\u00eam mais contato com as ag\u00eancias do governo e a\u00ed n\u00e3o s\u00e3o monitoradas.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;As empresas tamb\u00e9m n\u00e3o checam quem s\u00e3o esses jovens que est\u00e3o trabalhando. O governo Biden reagiu pedindo que as ag\u00eancias oficiais tenham mais controle e acompanhamento sobre para onde essas crian\u00e7as ser\u00e3o levadas&#8221;, completou.<\/p>\n<p>Stephanie tem a mesma impress\u00e3o. &#8220;Se essas crian\u00e7as precisam trabalhar, ent\u00e3o \u00e9 urgente que tenhamos leis trabalhistas melhores e um contexto mais humano&#8221; disse a autora. &#8220;N\u00e3o reconhecemos o papel dos EUA no contexto que as levou a deixarem seus pa\u00edses de origem.&#8221;<\/p>\n<p>\/\/ <em>As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal O Estado de S. Paulo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de recorde de menores desacompanhados que emigram para os EUA, principalmente de pa\u00edses da Am\u00e9rica Central, e falhas na pol\u00edtica migrat\u00f3ria do governo de Joe Biden em tentar localizar parentes desses jovens em territ\u00f3rio americano contribuem para a explora\u00e7\u00e3o laboral de adolescentes em ind\u00fastrias de diversos Estados. Em 2022, o n\u00famero de crian\u00e7as desacompanhadas apreendidas na fronteira dos EUA foi de 152.880, o triplo do registrado cinco anos antes: 50.036. 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