{"id":56218,"date":"2023-11-11T12:20:34","date_gmt":"2023-11-11T16:20:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=56218"},"modified":"2023-11-11T12:20:34","modified_gmt":"2023-11-11T16:20:34","slug":"odio-aos-brasileiros-movimentos-xenofobicos-anti-imigracao-ganham-forca-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2023\/11\/11\/odio-aos-brasileiros-movimentos-xenofobicos-anti-imigracao-ganham-forca-em-portugal\/","title":{"rendered":"\u00d3dio aos brasileiros? Movimentos xenof\u00f3bicos anti-imigra\u00e7\u00e3o ganham for\u00e7a em Portugal"},"content":{"rendered":"<p><strong>A investigadora Tha\u00eds Fran\u00e7a alertou este s\u00e1bado que os movimentos anti-imigrantes existem em Portugal e est\u00e3o cada vez mais organizados, aproximando-se dos cong\u00e9neres europeus, embora sem um impacto social equivalente.<\/strong><\/p>\n<p>Nos grupos anti-imigrantes &#8220;h\u00e1 uma organiza\u00e7\u00e3o muito maior, muito mais forte, h\u00e1 muitos mais grupos aparecendo e cada vez mais organizados, com agendas mais claras, ocupando cada vez mais espa\u00e7o, n\u00e3o s\u00f3 de movimentos sociais, mas tamb\u00e9m dentro da pol\u00edtica partid\u00e1ria&#8221;, avisou a investigadora do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do ISCTE.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/amensagem.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Thais-Franca-4-scaled.jpg\" width=\"2560\" height=\"1706\" \/><\/p>\n<p>Financiado pela EEA Grants Portugal, o estudo de Tha\u00eds Fran\u00e7a incluiu 20 entrevistas a ativistas portugueses que se apresentam como anti-imigrantes e as conclus\u00f5es apontam que a agenda \u00e9 semelhante a outros pa\u00edses europeus. &#8220;Esses movimentos anti-imigra\u00e7\u00e3o existem em Portugal, mas n\u00e3o t\u00eam tanta visibilidade quanto t\u00eam noutros contextos&#8221;, pelo que h\u00e1 uma tend\u00eancia para se dizer que o problema n\u00e3o existe em Portugal, o que &#8220;\u00e9 mentira&#8221;, explicou. Segundo a investigadora &#8220;come\u00e7am a aparecer algumas manifesta\u00e7\u00f5es de discursos de \u00f3dio, principalmente online, casos que se veem na rua, de manifesta\u00e7\u00e3o contra migrantes&#8221;, exemplificou.<\/p>\n<p>Reconhecendo que \u00e9 &#8220;tudo muito pontual&#8221;, a investigadora diz que o seu estudo mostra que essas movimenta\u00e7\u00f5es existem &#8220;de uma forma mais submersa e est\u00e3o a organizar-se&#8221;. At\u00e9 porque, salientou, h\u00e1 um crescimento em Portugal do &#8220;espa\u00e7o para essas reivindica\u00e7\u00f5es anti-imigra\u00e7\u00e3o acontecerem, apesar de, at\u00e9 hoje, Portugal ter tido uma pol\u00edtica muito aberta em rela\u00e7\u00e3o aos imigrantes&#8221;. O afluxo de estrangeiros ao pa\u00eds acentua a expectativa desses grupos de uma maior visibilidade, j\u00e1 que dantes, com a imigra\u00e7\u00e3o tradicional dos pa\u00edses lus\u00f3fonos, contribu\u00eda para que o &#8220;chamado choque cultural fosse muito menos intenso do que se poderia ter visto noutros pa\u00edses&#8221;.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/i.imgur.com\/rMcBdGi.jpg\" \/><\/p>\n<p>A investigadora, de origem brasileira, foi confrontada com isso nas suas entrevistas. &#8220;[Os ativistas anti-imigra\u00e7\u00e3o] diziam que o meu caso \u00e9 um caso de exce\u00e7\u00e3o, porque estou integrada na sociedade portuguesa porque estou a trabalhar e a contribuir&#8221;, numa esp\u00e9cie de &#8220;discurso da boa selvagem&#8221; em rela\u00e7\u00e3o ao outro. Esses grupos defendem um &#8220;controlo maior da entrada&#8221; de migrantes e criticam as pol\u00edticas de &#8220;diversidade cultural nas escolas&#8221;, explicou a investigadora. Trata-se de organiza\u00e7\u00f5es que &#8220;advogam que Portugal precisa mudar as pol\u00edticas, que s\u00e3o muito abertas para os migrantes, comparada com os outros pa\u00edses europeus&#8221;, com &#8220;agendas de reivindica\u00e7\u00e3o&#8221; muito semelhantes a outros grupos de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Em causa est\u00e1 o &#8220;risco de haver uma perda da identidade portuguesa, \u00e0 medida que mais imigrantes v\u00eam e \u00e0 medida que Portugal come\u00e7a a adotar outros costumes culturais que n\u00e3o seriam os tradicionais&#8221;, explicou Tha\u00eds Fran\u00e7a. As conclus\u00f5es do projeto, que integra estudos semelhantes realizados na Noruega, It\u00e1lia, Alemanha, Fran\u00e7a e \u00c1ustria, ser\u00e3o apresentadas no dia 29 de novembro. Apesar de o discurso anti-imigrantes estar latente na sociedade, Tha\u00eds Fran\u00e7a n\u00e3o acredita que as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es de mar\u00e7o deem eco ao tema. &#8220;O tema da anti-imigra\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente na agenda do Chega&#8221; e &#8220;tenta entrar noutros partidos&#8221;, mas a atual crise pol\u00edtica &#8220;acontece dentro de um contexto de corrup\u00e7\u00e3o&#8221; e ser\u00e1 esse o tema principal da campanha, vaticinou. &#8220;Se tivesse sido uma sa\u00edda normal do Governo, eu acreditaria que essa quest\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o apareceria com mais for\u00e7a na agenda, porque ela est\u00e1 presente na agenda dos partidos pol\u00edticos tamb\u00e9m&#8221;, mas &#8220;hoje n\u00e3o me parece&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/wR7o2XW.jpg\" width=\"900\" height=\"508\" \/><\/p>\n<p><strong>Casos contra brasileiros t\u00eam aumentado<\/strong><\/p>\n<p>A investigadora Tha\u00eds Fran\u00e7a considera que o aumento dos casos de xenofobia contra brasileiros mostra a maior visibilidade do tema junto de v\u00e1rios setores da sociedade portuguesa. Comentando o recente caso de um v\u00eddeo difundido online em que uma mulher portuguesa no aeroporto de Lisboa diz a uma brasileira &#8220;v\u00e1 para a sua terra, est\u00e3o a invadir Portugal&#8221;, entre outras declara\u00e7\u00f5es xen\u00f3fobas, Tha\u00eds Fran\u00e7a salientou que o tema est\u00e1 a crescer tamb\u00e9m pela visibilidade dada pelos protagonistas, embora admita que o n\u00famero de casos tem aumentado. A situa\u00e7\u00e3o gerou pol\u00e9mica no Brasil, com o ministro da Justi\u00e7a, Fl\u00e1vio Dino, a referir-se ao caso: &#8220;Bom, se for isso, n\u00f3s temos direito de reciprocidade, n\u00e3o \u00e9? Porque em 1500 eles invadiram o Brasil. E concordo, at\u00e9, que eles repatriem todos os imigrantes que l\u00e1 est\u00e3o, devolvendo junto o ouro de Ouro Preto, e a\u00ed fica tudo certo, a gente fica quite&#8221;.<\/p>\n<p>Para a investigadora brasileira do ISCTE, este tipo de incidentes &#8220;tem crescido cada vez mais&#8221;, mas isso n\u00e3o representa uma mudan\u00e7a estrutural, porque as &#8220;mobiliza\u00e7\u00f5es anti-imigra\u00e7\u00e3o n\u00e3o se igualam necessariamente a epis\u00f3dios isolados&#8221;. &#8220;Quando estamos a falar de mobiliza\u00e7\u00e3o, estamos a falar de grupos que se organizam, que organizam uma pauta&#8221; (agenda pol\u00edtica) e &#8220;muitas vezes o que n\u00f3s vemos s\u00e3o casos isolados, como esse&#8221;, porque &#8220;n\u00e3o est\u00e3o inseridos dentro de um grupo organizado&#8221;, salientou, negando que haja um sentimento xen\u00f3fobo generalizado em Portugal contra os brasileiros. &#8220;Eu n\u00e3o acho que ele \u00e9 representativo da experi\u00eancia de todos os brasileiros em Portugal, mas isso tem crescido bastante, cada vez mais n\u00f3s escutamos os casos de discrimina\u00e7\u00e3o, de racismo e de xenofobia&#8221;, acrescentou. Contudo, estes casos tamb\u00e9m t\u00eam aumentado porque, &#8220;hoje em dia, tem-se uma perspetiva muito maior do que \u00e9 a xenofobia do que \u00e9 racismo&#8221; e h\u00e1 &#8220;muitos mais canais para discutir essas quest\u00f5es, que antes tinham menos visibilidade&#8221;. A investigadora lamenta que Portugal n\u00e3o discuta abertamente o racismo e a xenofobia.<\/p>\n<p>&#8220;Portugal tem o m\u00e9rito de que as pol\u00edticas portuguesas s\u00e3o muito boas em mat\u00e9ria de integra\u00e7\u00e3o dos imigrantes e em mat\u00e9ria de concess\u00e3o da nacionalidade&#8221;, mas essas leis &#8220;n\u00e3o conseguem ter o impacto que era esperado&#8221; porque &#8220;ainda h\u00e1 a nega\u00e7\u00e3o de que [o racismo ou a xenofobia] \u00e9 um problema em Portugal&#8221;. &#8220;\u00c9 como se a constru\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas n\u00e3o viesse como resposta a um problema&#8221;, mas de um discurso de que &#8220;&#8216;somos muito avan\u00e7ados em mat\u00e9ria de imigra\u00e7\u00e3o e queremos ser um pa\u00eds aberto \u00e0 universidade cultural'&#8221;, exemplificou. &#8220;O pr\u00f3prio racismo \u00e9 um problema em Portugal e a xenofobia tem crescido&#8221;, como mostra o aumento da &#8220;discrimina\u00e7\u00e3o contra imigrantes&#8221;, avisou.<\/p>\n<p>\/\/ Fonte: Di\u00e1rio de Not\u00edcias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A investigadora Tha\u00eds Fran\u00e7a alertou este s\u00e1bado que os movimentos anti-imigrantes existem em Portugal e est\u00e3o cada vez mais organizados, aproximando-se dos cong\u00e9neres europeus, embora sem um impacto social equivalente. Nos grupos anti-imigrantes &#8220;h\u00e1 uma organiza\u00e7\u00e3o muito maior, muito mais forte, h\u00e1 muitos mais grupos aparecendo e cada vez mais organizados, com agendas mais claras, ocupando cada vez mais espa\u00e7o, n\u00e3o s\u00f3 de movimentos sociais, mas tamb\u00e9m dentro da pol\u00edtica partid\u00e1ria&#8221;, avisou a investigadora do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia do ISCTE. 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