{"id":56328,"date":"2023-11-26T09:34:29","date_gmt":"2023-11-26T13:34:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=56328"},"modified":"2023-11-26T09:34:29","modified_gmt":"2023-11-26T13:34:29","slug":"imigrantes-trocam-sonho-de-viver-nos-eua-por-vida-no-mexico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2023\/11\/26\/imigrantes-trocam-sonho-de-viver-nos-eua-por-vida-no-mexico\/","title":{"rendered":"Imigrantes trocam sonho de viver nos EUA por vida no M\u00e9xico"},"content":{"rendered":"<p><strong>Durante um turno de f\u00e1brica na cidade Saltillo, no norte do M\u00e9xico, o refugiado hondurenho Walter Banegas, 28, molda uma pe\u00e7a de metal para um poste de rua. Ele diz ter fugido para os Estados Unidos, ainda quando adolescente, para escapar do tr\u00e1fico de Honduras, mas foi deportado em 2014. Em 2020 voltou a entrar no pa\u00eds norte-americano em busca de asilo, mas foi deportado novamente.<\/strong><\/p>\n<p>Em 2021, Banegas conseguiu fugir mais uma vez das amea\u00e7as do tr\u00e1fico, mas n\u00e3o mirou os Estados Unidos, e sim, o M\u00e9xico. Ele recebeu status de refugiado em janeiro e, com a ajuda de um programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas, foi realocado para Saltillo, onde conseguiu um emprego em uma ind\u00fastria que tem sede no estado americano de Michigan.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2023\/10\/04\/1696463671651dfb3780c85_1696463671_3x2_md.jpg\" alt=\"Migrantes trocam sonho de viver nos EUA por vida no M\u00e9xico - 26\/11\/2023 -  Mundo - Folha\" \/><\/p>\n<p>H\u00e1 muito tempo conhecido como um pa\u00eds de emigra\u00e7\u00e3o e tr\u00e2nsito, o M\u00e9xico nos \u00faltimos cinco anos se tornou um destino para um n\u00famero pequeno, mas crescente, de refugiados, atra\u00eddos por um sistema de asilo menos restritivo do que nos EUA, bem como por maiores oportunidades profissionais devido \u00e0 escassez de m\u00e3o de obra no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Banegas diz receber cerca de US$ 800 por m\u00eas \u2014menos do que ganharia nos EUA, mas o suficiente para enviar pelo menos US$ 50 por m\u00eas para sua fam\u00edlia. Ele afirma se dar bem com seus colegas mexicanos e se orgulha que seu filho de seis meses, David, seja um cidad\u00e3o mexicano.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2023\/10\/04\/1696463674651dfb3a6129e_1696463674_3x2_md.jpg\" alt=\"Migrantes trocam sonho de viver nos EUA por vida no M\u00e9xico - 26\/11\/2023 -  Mundo - Folha\" \/><\/p>\n<p>&#8220;Me sinto em paz aqui&#8221;, diz. &#8220;N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ir para os Estados Unidos. Voc\u00ea tamb\u00e9m pode progredir aqui, no M\u00e9xico.&#8221;<\/p>\n<p>H\u00e1 uma d\u00e9cada, algumas centenas de pessoas recebiam asilo no M\u00e9xico anualmente. Em 2021, o n\u00famero subiu para 27 mil, de acordo com a ag\u00eancia de refugiados mexicana. Este ano, o pa\u00eds est\u00e1 no caminho para aprovar, pelo menos 20 mil casos de asilo, com chegadas vindas de Honduras, Haiti, Venezuela, El Salvador e Cuba.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2023\/09\/27\/16958557656514b495c7163_1695855765_3x2_md.jpg\" alt=\"Migrantes trocam sonho de viver nos EUA por vida no M\u00e9xico - 26\/11\/2023 -  Mundo - Folha\" \/><\/p>\n<p>Chefe da ag\u00eancia mexicana de refugiados das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ACNUR), Giovanni Lepri, diz que o M\u00e9xico est\u00e1 se tornando uma &#8220;op\u00e7\u00e3o muito s\u00f3lida&#8221; para migrantes, em parte devido \u00e0s suas altas necessidades de m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p>O M\u00e9xico tem mais de um milh\u00e3o de vagas de emprego em todo o pa\u00eds, de acordo com um estudo divulgado em julho pela associa\u00e7\u00e3o empresarial Coparmex, e os empregadores nos setores de turismo, agricultura, transporte e manufatura muitas vezes t\u00eam dificuldade em encontrar trabalhadores.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2023\/09\/27\/16958557386514b47ab1080_1695855738_3x2_md.jpg\" alt=\"Migrantes trocam sonho de viver nos EUA por vida no M\u00e9xico - 26\/11\/2023 -  Mundo - Folha\" \/><\/p>\n<p>Segundo a pesquisa com mais de 2.500 empresas, 85% dos empregadores do setor de manufatura relatam mais problemas do que qualquer outro setor para encontrar m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p>O crescimento esperado em nearshoring \u2014pr\u00e1tica de proximidade geogr\u00e1fica para rela\u00e7\u00f5es comerciais \u2014 \u00e0 medida que as empresas se mudam para o M\u00e9xico para ficarem pr\u00f3ximas de clientes dos EUA, pode aprofundar essa escassez de m\u00e3o de obra, de acordo com a associa\u00e7\u00e3o mexicana de manufatura Index.<\/p>\n<p>Autoridades mexicanas, dos EUA e da ONU pediram coopera\u00e7\u00e3o regional para ajudar os migrantes a se estabelecerem em lugares como M\u00e9xico, Costa Rica e Col\u00f4mbia, com o objetivo de reduzir a migra\u00e7\u00e3o ilegal para o territ\u00f3rio norte-americano.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2023\/10\/04\/1696463691651dfb4ba9801_1696463691_3x2_md.jpg\" alt=\"Migrantes trocam sonho de viver nos EUA por vida no M\u00e9xico - 26\/11\/2023 -  Mundo - Folha\" \/><\/p>\n<p>O diretor de migra\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do M\u00e9xico, Arturo Rocha, diz que o governo est\u00e1 focado em expandir programas de visto de trabalho para conectar empregadores a migrantes em busca de emprego, especialmente &#8220;para aproveitar a nearshoring&#8221;.<\/p>\n<p>O M\u00e9xico est\u00e1 trabalhando com o governo da Guatemala para trazer at\u00e9 20 mil trabalhadores, anualmente, para o pa\u00eds, com o objetivo de ampliar o programa eventualmente para Honduras e El Salvador.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Medina Mora, chefe da Coparmex, elogiou o programa da ONU que ajudou Banegas e instou o governo mexicano a expandir os programas de visto de trabalho para que mais migrantes possam ser conectados a empregadores. &#8220;Isso ajudaria, especialmente, diante dessa realidade de vagas de emprego que n\u00e3o conseguimos preencher&#8221;, diz Medina Mora.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2023\/10\/04\/1696463683651dfb4342703_1696463683_3x2_md.jpg\" alt=\"Migrantes trocam sonho de viver nos EUA por vida no M\u00e9xico - 26\/11\/2023 -  Mundo - Folha\" \/><\/p>\n<p>O programa da ONU ajuda os refugiados a se realocarem do sul do M\u00e9xico, onde a maioria completa seu processo de asilo, para cidades no centro e norte, fornecendo subs\u00eddios em dinheiro e assist\u00eancia com coloca\u00e7\u00e3o no emprego e acesso a creches, escolas e cuidados de sa\u00fade. Em 2022, cerca de 5.500 refugiados conseguiram um emprego e, at\u00e9 o momento deste ano, aproximadamente 3.000.<\/p>\n<p>Quando Fernando Hernandez, 24, fugiu de Honduras para o sul do M\u00e9xico no ano passado com sua parceira e filha pequena, seu plano era atravessar o pa\u00eds o mais r\u00e1pido poss\u00edvel para chegar aos EUA .<\/p>\n<p>Ent\u00e3o ele viu postagens em redes sociais de crian\u00e7as se afogando no rio na fronteira dos EUA e imaginou a filha de dois anos, Kaitlyn, sendo arrastada. Ele lembrou ainda de sua m\u00e3e, que imigrou em 2017, vivendo em um parque de trailers no Texas e gastando a maior parte de seu sal\u00e1rio com aluguel.<\/p>\n<p>Hernandez decidiu buscar asilo no M\u00e9xico. Depois que foi aprovado em fevereiro, a ONU ajudou a fam\u00edlia a se mudar para a cidade industrial do norte de Monterrey e Hernandez come\u00e7ou a trabalhar em uma loja de conveni\u00eancia. Rapidamente, Hernandez aprendeu que havia vagas de emprego em todos os lugares. Ele mudou para uma f\u00e1brica e depois se tornou cozinheiro em um restaurante P.F. Chang&#8217;s, ganhando cerca de US$ 225 por semana. &#8220;Aqui temos tudo: uma casa, comida e fam\u00edlia&#8221;, diz. &#8220;N\u00e3o poderia pedir mais.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante um turno de f\u00e1brica na cidade Saltillo, no norte do M\u00e9xico, o refugiado hondurenho Walter Banegas, 28, molda uma pe\u00e7a de metal para um poste de rua. Ele diz ter fugido para os Estados Unidos, ainda quando adolescente, para escapar do tr\u00e1fico de Honduras, mas foi deportado em 2014. Em 2020 voltou a entrar no pa\u00eds norte-americano em busca de asilo, mas foi deportado novamente. Em 2021, Banegas conseguiu fugir mais uma vez das amea\u00e7as do tr\u00e1fico, mas n\u00e3o mirou os Estados Unidos, e sim, o M\u00e9xico. 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