{"id":56693,"date":"2024-01-11T12:33:11","date_gmt":"2024-01-11T16:33:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=56693"},"modified":"2024-01-11T12:33:11","modified_gmt":"2024-01-11T16:33:11","slug":"desvendando-os-segredos-da-comunicacao-nao-violenta-uma-conversa-construtiva-com-alessandro-lima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2024\/01\/11\/desvendando-os-segredos-da-comunicacao-nao-violenta-uma-conversa-construtiva-com-alessandro-lima\/","title":{"rendered":"Desvendando os Segredos da Comunica\u00e7\u00e3o N\u00e3o Violenta: Uma Conversa Construtiva com Alessandro Lima"},"content":{"rendered":"<p><strong>Explore os fundamentos da Comunica\u00e7\u00e3o N\u00e3o Violenta em uma entrevista exclusiva com Alessandro Lima. Descubra os insights transformadores por tr\u00e1s dessa metodologia \u00fanica, enquanto Alessandro compartilha sua experi\u00eancia e oferece ferramentas pr\u00e1ticas para uma comunica\u00e7\u00e3o mais emp\u00e1tica.<\/strong><\/p>\n<p>Prepare-se para uma jornada inspiradora em dire\u00e7\u00e3o a relacionamentos mais significativos e compreens\u00e3o genu\u00edna. N\u00e3o perca essa oportunidade de aprimorar suas habilidades de comunica\u00e7\u00e3o e criar conex\u00f5es mais aut\u00eanticas.<\/p>\n<p><strong>VEREADORA CHRIS STUART:<\/strong><\/p>\n<p>Chegou a hora de receber os nossos convidados de hoje. Pessoal, Alessandro ministra palestras e oficinas, workshops sobre a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta. \u00d4, Alessandro, a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta \u00e9 uma metodologia?<\/p>\n<p><strong>ALESSANDRO LIMA:<\/strong><\/p>\n<p>Isso, Cris, \u00e9 uma metodologia ligada a um processo. Antes de come\u00e7ar a te falar, s\u00f3 quero agradecer pela oportunidade, a voc\u00ea, ao seu p\u00fablico, \u00e0 tua equipe de apoio, por essa oportunidade de falar sobre esse assunto, que entendo ser importante para todos que te acompanham e acompanham o programa.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, sim, \u00e9 uma metodologia criada por um psic\u00f3logo americano chamado Marshall Rosenberg. Ele desenvolveu essa metodologia inspirado no movimento de n\u00e3o viol\u00eancia criado por Gandhi. Criou o m\u00e9todo para que possamos nos comunicar, desenvolvendo a empatia. Existem quatro passos, por isso \u00e9 uma metodologia. Por que digo que \u00e9 um processo, n\u00e3o s\u00f3 uma metodologia? N\u00e3o \u00e9 uma t\u00e9cnica em que sigo os quatro passos e est\u00e1 tudo ok. \u00c9 algo que vou desenvolvendo para ganhar empatia e fazer uma comunica\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima, mais acolhedora. Por isso, digo que \u00e9 uma metodologia ligada a um processo.<\/p>\n<p>Esses quatro passos, quais s\u00e3o? O primeiro \u00e9 observar o fato da forma como ele \u00e9, sem julgar. Digo sempre assim: quando penso em observar o fato sem julgar, lembro-me de um curso em que a palestrante falou: &#8220;Peixes nadam, e humanos julgam.&#8221; Como vamos conseguir observar um fato sem julgar? Claro que o julgamento faz parte do nosso processo, at\u00e9 para tomar decis\u00f5es, sim. Mas, no caso da comunica\u00e7\u00e3o, se quero me aproximar de voc\u00ea, vou olhar o fato exatamente como est\u00e1 acontecendo, sem buscar colocar valor de certo, errado, bom ou ruim.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, observar sem julgar, buscar isentar-se desse julgamento. Em seguida, o segundo passo \u00e9 identificar o que sinto diante daquele fato, o terceiro \u00e9 o que necessito relacionado a esse sentimento. O \u00faltimo passo \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de um pedido. Resumidamente, esse \u00e9 o processo, e \u00e9 esse o m\u00e9todo ligado \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta.<\/p>\n<p><strong>VEREADORA CHRIS STUART:<\/strong><\/p>\n<p>Deixa-me s\u00f3 ver se entendi. Normalmente, falo muito sobre se colocar no lugar do outro, sobre a tal da empatia, que \u00e9 uma palavra muito bonita, mas colocar em pr\u00e1tica \u00e9 um pouquinho mais complicado. A comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta tem alguma coisa a ver com isso de a gente se colocar no lugar do outro?<\/p>\n<p><strong>ALESSANDRO LIMA:<\/strong><\/p>\n<p>Sim, a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta nos d\u00e1 recursos para desenvolver empatia. \u00c9 interessante porque algumas pessoas j\u00e1 nascem com esse dom, ou melhor, n\u00e3o diria dom, essa habilidade de ser emp\u00e1tico \u00e9 natural, faz parte da pessoa. Mas tem um outro psic\u00f3logo, inclusive professor de Marshall Rosenberg, chamado Carl Rogers, que desenvolveu e escreveu um livro dizendo que a empatia \u00e9 algo que posso desenvolver, \u00e9 uma habilidade que posso aprender e praticar. Ent\u00e3o, o que Marshall fez, com base nesse estudo de Carl Rogers, foi esquematizar um processo que permite, por isso \u00e9 um processo, desenvolver a empatia.<\/p>\n<p>Quando pensamos em empatia, muita gente confunde empatia com simpatia. Recentemente, publiquei nas minhas redes sociais um v\u00eddeo do embaixador sul-coreano que esteve no Brasil cantando a m\u00fasica do Ra\u00e7a Negra. J\u00e1 viu esse v\u00eddeo? \u00c9 muito interessante porque ele est\u00e1 cantando a m\u00fasica em portugu\u00eas, com toda aquela ginga brasileira. Eu perguntei nas redes se o embaixador est\u00e1 sendo simp\u00e1tico ou emp\u00e1tico. Na minha percep\u00e7\u00e3o, ele est\u00e1 sendo os dois. Por qu\u00ea? Porque, quando olhamos para ele, nos sentimos alegres, damos risada; ele desperta em n\u00f3s um sentimento, ou seja, a simpatia. E por que ele est\u00e1 sendo emp\u00e1tico? Porque o cargo de embaixador requer um protocolo, e ele foge desse protocolo. Mais do que fugir desse protocolo, ele age como se fosse um brasileiro, compreendendo o jeito de ser do brasileiro.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando falas em se colocar no lugar do outro, o que esse embaixador fez foi vir para o Brasil e se colocar como se fosse brasileiro. Ele foi emp\u00e1tico. \u00c9 isso que vejo como diferen\u00e7a entre simpatia e empatia.<\/p>\n<p><strong>VEREADORA CHRIS STUART:<\/strong><\/p>\n<p>T\u00e1, e para me colocar no lugar do outro, acho que primeiro tenho que olhar para mim, \u00e9 isso?<\/p>\n<p><strong>ALESSANDRO LIMA:<\/strong><\/p>\n<p>Sim, primeiro ponto \u00e9 esse. Por isso, no processo da comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta, eu preciso identificar em mim quais s\u00e3o os sentimentos que est\u00e3o surgindo e a qual necessidade, porque sempre um sentimento est\u00e1 ligado a alguma necessidade, sabe, Chris.<\/p>\n<p>Muitas vezes, estou \u00e9 sentindo tristeza, e na verdade, o que \u00e9 essa tristeza talvez seja minha vontade de divers\u00e3o, de lazer. Muitas vezes, estou sentindo raiva, e essa raiva pode ser algo que gravei na minha mem\u00f3ria da minha inf\u00e2ncia, e uma situa\u00e7\u00e3o me causa raiva. Talvez a minha necessidade seja de paz. Ent\u00e3o, sempre um sentimento est\u00e1 associado a uma necessidade. De fato, para que eu possa ser emp\u00e1tico, tenho que olhar para mim e conhecer quais s\u00e3o os meus sentimentos.<\/p>\n<p>Quando comecei a estudar, descobri que era analfabeto nesse assunto. Tinha dificuldade de identificar meus sentimentos. \u00c9 interessante porque, na maioria das vezes, a gente fala assim: ou a gente est\u00e1 triste ou a gente est\u00e1 alegre, n\u00e9? Mas existem in\u00fameros sentimentos, e a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta e aprender o processo me ajudou a olhar para mim, saber de fato quando estou com raiva, triste, feliz. Ent\u00e3o, d\u00e1 para a gente ir identificando.<\/p>\n<p>E a partir dessa identifica\u00e7\u00e3o, a gente come\u00e7a a entender tamb\u00e9m como o outro est\u00e1. Se tem uma coisa que nos conecta enquanto seres humanos s\u00e3o sentimentos. A Chris sabe o que \u00e9 tristeza, independente do que causa tristeza nela, e o Alessandro sabe o que \u00e9 tristeza, independente do que causa tristeza em mim. Ent\u00e3o, quando lhe vejo triste, posso n\u00e3o saber o que motivou essa tristeza, mas sei o que \u00e9 tristeza porque j\u00e1 senti isso; nos conecta. Por isso, a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta nos ajuda quando identifico o sentimento a me conectar genuinamente com a outra pessoa, quando eu vou nesse passo de identificar meus sentimentos e identificar os sentimentos do outro.<\/p>\n<p><strong>VEREADORA CHRIS STUART:<\/strong><\/p>\n<p>Mas isso \u00e9 uma coisa dif\u00edcil, n\u00e9, sempre.<\/p>\n<p><strong>ALESSANDRO LIMA:<\/strong><\/p>\n<p>Ent\u00e3o, Chris, \u00e9 muito bom voc\u00ea me perguntar isso, porque eu diria que \u00e9 um processo simples quando a gente fala sobre esses passos; \u00e9 um processo simples no sentido de se colocar em pr\u00e1tica. No entanto, estar dispon\u00edvel a execut\u00e1-lo, e a\u00ed vou te dar outro exemplo. Quando voc\u00ea fala que \u00e9 dif\u00edcil, \u00e9 que eu n\u00e3o entendo nada de cavalos, mas sei que est\u00e3o utilizando uma forma de domar que utiliza o princ\u00edpio da comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta, chama doma racional.<\/p>\n<p>Antigamente, como se domavam cavalos? Eram submetidos a uma forma intensa de castigos f\u00edsicos para que se reprimissem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quele comportamento selvagem e fossem se amansando. Hoje, o domador se aproxima do cavalo, trazendo confian\u00e7a. No primeiro momento, o animal se afasta, e o domador vai ganhando a confian\u00e7a, se aproximando, gerando sentimento com o animal, e o animal \u00e9 domado.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, se paro para pensar que um animal irracional como um cavalo consegue desenvolver esse processo de conex\u00e3o com o humano atrav\u00e9s da comunica\u00e7\u00e3o, como seria dif\u00edcil para gente, que tem racioc\u00ednio, n\u00e9, Chris?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, assim, entendo que a dificuldade est\u00e1 muitas vezes nos meus bloqueios de identificar meus sentimentos.<\/p>\n<p><strong>VEREADORA CHRIS STUART:<\/strong><\/p>\n<p>Mas \u00e9 que \u00e0s vezes assim, \u00f3, Alessandro, \u00e9, eu falo muito nisso de a gente aprender a se colocar no lugar do outro, mas \u00e0s vezes o meu sentimento, a minha tristeza, n\u00e3o necessariamente \u00e9 a tua, n\u00e9? Ent\u00e3o, assim, de repente, \u00e9, tem coisas que podem me deixar triste e n\u00e3o te deixar, ou vice versa.<\/p>\n<p><strong>ALESSANDRO LIMA:<\/strong><\/p>\n<p>OK.<\/p>\n<p><strong>VEREADORA CHRIS STUART:<\/strong><\/p>\n<p>Ent\u00e3o, assim, para eu conseguir me colocar no teu lugar, eu tenho que entender primeiro a tua tristeza, e muitas vezes, muita gente diz: &#8220;Ah, meu Deus, n\u00e9, isso \u00e9 besteira, t\u00e1 triste por isso.&#8221; Mas assim, eu tenho que respeitar tamb\u00e9m, n\u00e9? Eu acho que vai al\u00e9m at\u00e9 do entendimento, vai para o respeito. A gente tem que respeitar a individualidade do outro, n\u00e9? N\u00e3o necessariamente tu precisas pensar igual a mim, sentir igual a mim, e a gente tem que respeitar essa individualidade.<\/p>\n<p><strong>ALESSANDRO LIMA:<\/strong><\/p>\n<p>Faz muito sentido o que voc\u00ea est\u00e1 dizendo, e de fato, quando eu paro pra observar o que voc\u00ea est\u00e1 colocando sobre essa vis\u00e3o, eu entendo que \u00e9 uma vis\u00e3o comum de que a empatia \u00e9 eu me colocar no lugar do outro. E dentro desse aspecto que voc\u00ea est\u00e1 me trazendo, realmente \u00e9 muito dif\u00edcil, porque a Chris tem um hist\u00f3rico de vida, ela teve um pai, uma m\u00e3e e uma fam\u00edlia que fez com que ela chegasse hoje no que ela \u00e9, e o Alessandro tamb\u00e9m. E nossa, por exemplo, EU sou nordestino, nasci em Salvador. Ent\u00e3o, culturalmente, j\u00e1 \u00e9 diferente, al\u00e9m de todo meu contexto familiar. Ent\u00e3o, de fato, para voc\u00ea, por exemplo, conseguir se colocar no meu lugar, \u00e9 algo realmente dif\u00edcil.<\/p>\n<p>E a\u00ed, nesse sentido, existe uma dificuldade. Eu particularmente percebo a empatia como algo um pouco al\u00e9m desse pensamento de me colocar no lugar do outro. Eu penso que a empatia \u00e9 quando eu consigo identificar o que o outro est\u00e1 sentindo, independente de eu me colocar no lugar dele, n\u00e9, que \u00e9 aquilo que eu te falei. Como eu n\u00e3o sei o hist\u00f3rico, e ainda tem mais, mesmo que eu queira me colocar no seu lugar, mesmo que eu compreenda seu hist\u00f3rico como voc\u00ea acabou de dizer, pode ser que eu n\u00e3o consiga ter, em rela\u00e7\u00e3o aos impulsos que voc\u00ea teve, o mesmo comportamento.<\/p>\n<p>No entanto, eu sei que olhando pra voc\u00ea e sabendo que \u00e9 tristeza, eu posso identificar tristeza. Ent\u00e3o, eu penso que a empatia ela tem esse ponto a mais de que eu possa identificar o que o outro est\u00e1 sentindo. E de fato, para que eu consiga fazer isso, existem alguns valores que eu preciso praticar, e um deles \u00e9 o que voc\u00ea acabou de dizer: eu preciso, de fato, respeitar o outro como ele \u00e9. Eu preciso buscar compreender, e \u00e9 interessante esse ponto da compreens\u00e3o, porque eu posso compreender o que voc\u00ea me diz, sem concordar.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o preciso concordar contigo para compreender o que voc\u00ea disse. E a\u00ed eu uso sempre a vis\u00e3o da pol\u00edtica que t\u00e1 acontecendo hoje em nosso pa\u00eds, n\u00e3o s\u00f3 aqui na cidade de Itaja\u00ed, mas no pa\u00eds e no mundo, n\u00e9, no mundo todo. \u00c9 uma certa dificuldade das pessoas de conseguirem dialogar sobre pol\u00edtica, terem vis\u00f5es distintas e divergentes, e desenvolver o respeito e a compreens\u00e3o. Eu n\u00e3o preciso concordar com tudo que voc\u00ea pensa politicamente, mas eu posso respeitar, e eu posso compreender. E a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta vai me dando ferramentas para que eu exercite isso, e \u00e9 um exerc\u00edcio que preciso praticar constantemente.<\/p>\n<p><strong>VEREADORA CHRIS STUART:<\/strong><\/p>\n<p>Essa coisa de que pol\u00edtica, religi\u00e3o e futebol a gente n\u00e3o discute, porque a gente tem que aprender a respeitar o outro, n\u00e9? Se eu sou Flamengo e tu \u00e9 Vasco, beleza, foi uma op\u00e7\u00e3o tua. Eu tenho que respeitar, eu posso querer que tu fosse Flamengo tamb\u00e9m, mas eu tenho que respeitar que essa foi a tua op\u00e7\u00e3o, \u00e9 isso que tu gostas e pronto. Mas parece que as pessoas t\u00eam uma certa dificuldade, n\u00e9? Parece que as pessoas querem que assim, tem que pensar igual a mim, tem que gostar das mesmas coisas que eu, n\u00e9? Parece que o &#8220;eu&#8221; fala muito mais forte, n\u00e9?<\/p>\n<p><strong>ALESSANDRO LIMA:<\/strong><\/p>\n<p>Esse ponto que voc\u00ea fala, que voc\u00ea comenta, que d\u00e1 impress\u00e3o, \u00e9 aquilo que eu estava falando h\u00e1 pouco sobre o julgamento, n\u00e9? &#8220;peixes nadam; o ser humano julga&#8221;. \u00c9 o nosso contexto, e aqui n\u00e3o vai uma cr\u00edtica \u00e0 nossa educa\u00e7\u00e3o. Eu tenho cinquenta e dois anos; a minha gera\u00e7\u00e3o foi educada assim, e a gera\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 minha foi educada assim. Quando a gente para pensar nessa forma de educar, de que \u00e9 eu preciso enxergar algo como certo e errado, pode nos levar a esse lugar de que, quando eu converso com algu\u00e9m, o que eu quero \u00e9 dizer que voc\u00ea est\u00e1 errado e n\u00e3o ouvir o que voc\u00ea tem para me dizer. O que eu quero \u00e9 te convencer de que a minha opini\u00e3o \u00e9 certa e n\u00e3o simplesmente observar o que voc\u00ea t\u00e1 me dizendo. E se eu n\u00e3o concordar, eu, pelo menos, respeitar o que voc\u00ea t\u00e1 me dizendo. Ent\u00e3o, eu acredito que faz parte de uma estrutura que n\u00f3s viemos praticando, e mais uma vez digo: existiu espa\u00e7o pra isso, e que hoje n\u00f3s precisamos, de alguma forma, mudar.<\/p>\n<p>E \u00e9 interessante, porque hoje eu vejo que a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta, por exemplo, nas escolas, e n\u00e3o s\u00f3 para a comunica\u00e7\u00e3o do professor com os alunos, mas para a comunica\u00e7\u00e3o do professor com dirigente escolar e entre os professores. \u00c9 o que eu digo de humanizar a escola, \u00e9 algo essencial. Se o grupo acad\u00eamico, seja na escola ou na universidade, descobre esse recurso da comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta, eu acredito que a\u00ed automaticamente, daqui a algumas gera\u00e7\u00f5es, as outras profiss\u00f5es todas estejam num outro patamar nesse sentido de respeito. Porque se eu pratico a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta, por exemplo, dentro de uma escola, eu estou educando todo aquele n\u00facleo escolar para que, daqui para frente, a gente possa respeitar o outro e compreender.<\/p>\n<p><strong>VEREADORA CHRIS STUART:<\/strong><\/p>\n<p>O ideal, na verdade, seria, n\u00e9, \u00e9 come\u00e7ar em casa.<\/p>\n<p><strong>ALESSANDRO LIMA:<\/strong><\/p>\n<p>Uhum.<\/p>\n<p><strong>VEREADORA CHRIS STUART:<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9, mas como hoje as crian\u00e7as passam mais tempo \u00e9 na escola do que em casa com os pais, \u00e9, eu acho que isso \u00e9 importante, sabia, \u00e9 passar isso porque hoje a gente fala tanto ah, viol\u00eancia contra mulher, n\u00e9, a quest\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o racial, a quest\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m da homossexualidade. Ent\u00e3o, assim, \u00e9 e a gente fala isso, mas deveria ter uma forma de trabalhar, n\u00e9, essa comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta pra que isso tudo n\u00e3o acontecesse mais, n\u00e9, pra que a gente n\u00e3o ouvisse mais falar que o amiguinho tratou o outro mal por causa da cor da pele ou por causa da sexualidade dele, n\u00e9, ou n\u00e3o ouvisse mais os absurdos que a gente ouve a\u00ed de viol\u00eancia contra a mulher, que as pessoas realmente tivessem empatia, que as pessoas realmente soubessem respeitar o outro, n\u00e9?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, \u00e9 o correto seria que tudo isso, n\u00e9, que tu estavas me passando hoje fosse uma mat\u00e9ria, na verdade uma disciplina escolar, n\u00e9, porque eu isso \u00e9 um trabalho, n\u00e9, Alessandro? Assim, n\u00e3o se resolve do dia pra noite, n\u00e3o consegue mudar uma mentalidade, uma cultura do dia pra noite, \u00e9 uma coisa que leva um certo tempo. Ent\u00e3o, assim, seria muito bom se a gente conseguisse incluir isso nas escolas e fosse feito esse trabalho com as crian\u00e7as, n\u00e9, pra que no futuro, quem sabe, a gente n\u00e3o ou\u00e7a mais falar as coisas que a gente ouve hoje, n\u00e9, e me diz uma coisa, \u00e9 isso \u00e9 de fato \u00e9 a base da comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta, n\u00e9, e faz parte das oficinas de workshops?<\/p>\n<p><strong>ALESSANDRO LIMA:<\/strong><\/p>\n<p>Sim, na tua fala, voc\u00ea abriu a\u00ed um espa\u00e7o at\u00e9 para um gancho que EU gostaria de fazer. Quando voc\u00ea disse que tudo isso ideal era que surgisse em casa, n\u00e9, que as pessoas em casa tivessem essa vis\u00e3o, eu entendo que sim, que de fato \u00e9 em casa. E por isso as oficinas, elas est\u00e3o abertas ao p\u00fablico em geral. E quando eu cito a escola, eu entendo que \u00e9 um ambiente onde a gente pode mudar um contexto de gera\u00e7\u00f5es, se isso for praticado na escola.<\/p>\n<p>Eu vi um estudo, se eu n\u00e3o me engano, ontem, uma entrevista com crian\u00e7as, perguntando sobre apar\u00eancia, crian\u00e7as pequenininhas. A pergunta que era feita era: &#8220;O que voc\u00ea gostaria de mudar no seu corpo?&#8221; E nenhuma delas sabia responder ao certo. Uma que diz assim: &#8220;Ah, eu quero ter, eu gostaria de ser, ter um rabo de sereia.&#8221; A outra dizia assim: &#8220;Ah, n\u00e3o sei, meu corpo t\u00e1 \u00f3timo.&#8221; E assim, crian\u00e7as de todas as etnias, de todas as formas, gordinhas, magrinhas. Ent\u00e3o assim, a crian\u00e7a em si, ela n\u00e3o nasce com essa vis\u00e3o de julgamento que muitos adultos foram inseridos, porque a sociedade insere a crian\u00e7a nesse contexto. Ent\u00e3o, esse \u00e9 o gancho.<\/p>\n<p>E a\u00ed, voltando para as oficinas, o que ofere\u00e7o aqui estamos com dois caminhos, Chris, uma oficina de imers\u00e3o CNV, onde a partir do momento que eu conheci a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta, eu fui testando algumas ferramentas. Na verdade, eu tive acesso atrav\u00e9s de um trabalho volunt\u00e1rio e eu fui adaptando isso, criando uma metodologia. E eu costumo dizer o seguinte: se eu quero falar ingl\u00eas fluentemente, o que eu preciso fazer? Praticar, praticar, praticar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, essa metodologia ela tem como base esse princ\u00edpio, e a oficina ela traz uma imers\u00e3o para que a pessoa conhe\u00e7a as ferramentas de pr\u00e1tica e possa, a partir dessa vis\u00e3o pr\u00e1tica, desenvolver o que eu chamo de flu\u00eancia na comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta e consequentemente a empatia desenvolvendo rela\u00e7\u00f5es mais emp\u00e1ticas. Essa \u00e9 a ideia da oficina, \u00e9 uma imers\u00e3o que acontece em um dia de encontro. E al\u00e9m disso, em breve, lan\u00e7arei uma mentoria que vai ser aberta ao p\u00fablico em geral, com o mesmo foco. Sendo que na mentoria as possibilidades de pr\u00e1tica ser\u00e3o maiores com um acompanhamento. Eu estou pensando se v\u00e3o ser seis meses ou um ano, onde n\u00f3s vamos criar um ambiente o mais favor\u00e1vel poss\u00edvel, porque tem esse detalhe, para podermos praticar a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta.<\/p>\n<p>Eu vou te dizer que eu tenho um bloqueio pra falar ingl\u00eas. Mas por que tenho esse bloqueio? Porque eu me julgo. Porque tenho facilidade de falar portugu\u00eas, ent\u00e3o quando falo ingl\u00eas, fico me julgando, dizendo: &#8220;Estou falando um bocado de coisa errada.&#8221; E a\u00ed, para falar ingl\u00eas bem, eu consigo, por exemplo, com a minha filha em casa, porque eu me sinto num ambiente seguro, porque sei que ela n\u00e3o vai me julgar, que \u00e9 a minha filha. E a\u00ed, a mesma coisa \u00e9 comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta. Qual a ideia da imers\u00e3o e qual a ideia da mentoria? A gente criar um ambiente que seja favor\u00e1vel, onde as pessoas que est\u00e3o naquele ambiente v\u00e3o estar genuinamente dispostas a trabalhar. Um ambiente onde todos possam praticar comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta, para a partir dali aquele grupo conseguir fazer isso fora nas suas vidas.<\/p>\n<p><strong>VEREADORA CHRIS STUART:<\/strong><\/p>\n<p>Quando ser\u00e3o oferecidas a oficina e a mentoria?<\/p>\n<p><strong>ALESSANDRO LIMA:<\/strong><\/p>\n<p>Vai ser em fevereiro. Ent\u00e3o, a imers\u00e3o ser\u00e1 no dia 17 de fevereiro das 9:00 \u00e0s 12:00 e das 14:00 \u00e0s 18:00 em um encontro virtual. E no final de fevereiro ou in\u00edcio de mar\u00e7o lan\u00e7aremos a mentoria.<\/p>\n<p><strong>VEREADORA CHRIS STUART:<\/strong><\/p>\n<p>Ent\u00e3o ser\u00e1 tudo oferecido de forma on line na internet?<\/p>\n<p><strong>ALESSANDRO LIMA:<\/strong><\/p>\n<p>Isso.<\/p>\n<p><strong>ALESSANDRO LIMA:<\/strong><\/p>\n<p>A imers\u00e3o vai ser dia dezessete de fevereiro, \u00e9 um s\u00e1bado. As inscri\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o abertas, as pessoas que estiverem interessadas podem entrar no meu site, <a href=\"http:\/\/conversahumanizada.com\/\">conversahumanizada.com<\/a>. L\u00e1 as pessoas encontram minha apresenta\u00e7\u00e3o, e conte\u00fado esclarecendo sobre o m\u00e9todo e um espa\u00e7o para realizar a inscri\u00e7\u00e3o para a imers\u00e3o. E a\u00ed, em seguida, vamos abrir a mentoria. A mentoria vai ser um passo seguinte. Eu acredito que as pessoas que venham para imers\u00e3o possam ter interesse na mentoria, que a\u00ed vai ser um acompanhamento mais pr\u00f3ximo e constante com essas pessoas para treinarmos a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta e criamos essa flu\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>VEREADORA CHRIS STUART:<\/strong><\/p>\n<p>Alessandro, queria te agradecer, n\u00e9, toda a orienta\u00e7\u00e3o. Eu realmente entendo que tanto a imers\u00e3o quanto a mentoria, \u00e9 muito importante. Na verdade, isso deveria ir al\u00e9m, n\u00e9? A gente falou aqui que praticar, praticar, praticar faz com que a gente aprenda, n\u00e9? Isso em qualquer \u00e1rea. Quando a gente vai, por exemplo, tirar a carteira de motorista, e n\u00e3o \u00e9 diferente, n\u00e9? O que o Alessandro colocou hoje aqui \u00e9 que quando a gente come\u00e7a a praticar o respeito, a empatia, \u00e9 quando a gente come\u00e7a a olhar pro outro e entender, n\u00e9, o momento do outro, saber respeitar o momento do outro. E isso seria muito legal se a gente pudesse levar para as escolas, n\u00e9?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quem sabe, n\u00e9, o executivo n\u00e3o leve essa ideia para trabalhar nas escolas, que fosse uma disciplina ou de repente alguma coisa que pudesse ser trabalhado uma vez por semana, n\u00e9? Acho que o Alessandro pode dizer isso melhor do que eu, para gente poder ter adultos, n\u00e9, \u00e9&#8230; Eu n\u00e3o sei se a palavra seria \u201cmelhores\u201d, mas talvez pessoas mais conscientes, que a gente n\u00e3o tenha esse clima de \u00f3dio todo que estamos vivendo e que a gente n\u00e3o ou\u00e7a mais, toda essa quest\u00e3o de viol\u00eancia contra mulher. \u00c9 o que a gente espera do futuro, pelo menos \u00e9 o que eu espero para os meus filhos e netos.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o, se a gente pudesse ter, mais Alessandro para poder fazer esse trabalho, seria maravilhoso. J\u00e1 que a gente te tem, n\u00e9, quem sabe a gente n\u00e3o aproveita um pouquinho da sabedoria do Alessandro para as nossas crian\u00e7as? Eu queria te agradecer, obrigada Alessandro, obrigada mesmo pelo teu trabalho, por tudo que tu tens feito. Eu sei que tu foste tamb\u00e9m volunt\u00e1rio no CVV, gente, o Alessandro foi volunt\u00e1rio no CVV, e assim, \u00f3, \u00e9 algu\u00e9m que sabe o que \u00e9 se doar pro outro, que sabe o que \u00e9 ouvir, tirar um tempo pra ouvir o outro, n\u00e9? Ent\u00e3o, \u00e9 uma pessoa especial, uma pessoa diferenciada. Eu queria muito te agradecer de cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>ALESSANDRO LIMA:<\/strong><\/p>\n<p>Eu te agrade\u00e7o demais a oportunidade. Eu acredito que \u00e9 um processo, no sentido de que eu primeiro preciso ter vontade, segundo eu preciso dar o primeiro passo, e terceiro eu preciso praticar para poder desenvolver. Ent\u00e3o assim, a gratid\u00e3o \u00e9 rec\u00edproca, da oportunidade que voc\u00ea t\u00e1 me dando, do respeito que voc\u00ea tem pelo meu trabalho, da compreens\u00e3o que voc\u00ea disponibiliza para mim, e \u00e9 rec\u00edproco tamb\u00e9m de mim pra voc\u00ea. Gratid\u00e3o a voc\u00ea e a toda sua equipe pela oportunidade, e eu espero que as pessoas que sintam alguma conex\u00e3o com que a gente acabou de conversar se deem essa oportunidade. Eu penso que \u00e9 um presente para o ano que est\u00e1 iniciando, voc\u00ea entrar em uma imers\u00e3o como essa. Ent\u00e3o assim, eu entendo que se voc\u00ea der essa oportunidade para voc\u00ea mesmo, dois mil e vinte e quatro vai ser um ano diferente.<\/p>\n<p><strong>VEREADORA CHRIS STUART:<\/strong><\/p>\n<p>Se Deus quiser.<\/p>\n<p>Saiba mais em ==&gt;&gt; <a href=\"https:\/\/www.conversahumanizada.com\/\">https:\/\/ HYPERLINK &#8220;https:\/\/www.conversahumanizada.com\/&#8221;www. HYPERLINK &#8220;https:\/\/www.conversahumanizada.com\/&#8221;conversahumanizada.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Explore os fundamentos da Comunica\u00e7\u00e3o N\u00e3o Violenta em uma entrevista exclusiva com Alessandro Lima. Descubra os insights transformadores por tr\u00e1s dessa metodologia \u00fanica, enquanto Alessandro compartilha sua experi\u00eancia e oferece ferramentas pr\u00e1ticas para uma comunica\u00e7\u00e3o mais emp\u00e1tica. Prepare-se para uma jornada inspiradora em dire\u00e7\u00e3o a relacionamentos mais significativos e compreens\u00e3o genu\u00edna. N\u00e3o perca essa oportunidade de aprimorar suas habilidades de comunica\u00e7\u00e3o e criar conex\u00f5es mais aut\u00eanticas. VEREADORA CHRIS STUART: Chegou a hora de receber os nossos convidados de hoje. Pessoal, Alessandro ministra palestras e oficinas, workshops sobre a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta. \u00d4, Alessandro, a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta \u00e9 uma metodologia? 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