{"id":57698,"date":"2024-05-13T11:52:15","date_gmt":"2024-05-13T15:52:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=57698"},"modified":"2024-05-13T11:52:15","modified_gmt":"2024-05-13T15:52:15","slug":"turistas-brasileiros-investem-nos-eua-para-driblar-iof","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2024\/05\/13\/turistas-brasileiros-investem-nos-eua-para-driblar-iof\/","title":{"rendered":"Turistas brasileiros investem nos EUA para driblar IOF"},"content":{"rendered":"<p><strong>Com o d\u00f3lar acima dos R$ 5 e IOF (imposto sobre opera\u00e7\u00f5es financeiras) de 4,38% nas compras com o cart\u00e3o de cr\u00e9dito no exterior, turistas brasileiros passaram a investir nos Estados Unidos para baratear os gastos l\u00e1 fora. Al\u00e9m das transfer\u00eancias para as contas investimento usarem a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar comercial, que \u00e9 mais barata que o turismo, o IOF sobre essas remessas \u00e9 bem menor: de 0,38%.<\/strong><\/p>\n<p>Segundo dados do Banco Central, o volume de investimento de brasileiros no exterior saltou quase 30 vezes nos \u00faltimos 20 anos. Em 2003, esse fluxo era de apenas R$ 1,6 bilh\u00e3o. Em 2023, somou R$ 46 bilh\u00f5es. Em termos l\u00edquidos, as transa\u00e7\u00f5es sa\u00edram de um saldo negativo de US$ 179 milh\u00f5es para US$ 4,5 bilh\u00f5es positivos, no mesmo intervalo.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/media.gettyimages.com\/id\/1465645217\/pt\/foto\/female-traveler-in-the-us.jpg?s=1024x1024&amp;w=gi&amp;k=20&amp;c=vmPf9togp0RbkIY-FbYIcT6ecYSAr-LtbZ14NgHUcWU=\" alt=\"Viajante do sexo feminino nos EUA\" \/><\/p>\n<p>&#8220;A vantagem da cust\u00f3dia do exterior \u00e9 estar atrelado \u00e0 moeda forte, com jurisdi\u00e7\u00e3o internacional e leis diferentes, protegendo o patrim\u00f4nio em pa\u00eds de primeira linha, podendo utilizar esse investimento para bancar as compras em viagem&#8221;, diz Alexandre Brito, s\u00f3cio e gestor da Finacap Investimentos.<\/p>\n<p>De acordo com especialistas, a abertura deste mercado para al\u00e9m dos super-ricos possibilitou essa expans\u00e3o. Hoje, muitos bancos e diversas fintechs oferecem contas transacionais (equivalente \u00e0s contas correntes) e de investimento no exterior.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/media.gettyimages.com\/id\/685041011\/pt\/foto\/usa-new-york-city-smiling-young-woman-on-times-square-at-night-looking-up.jpg?s=1024x1024&amp;w=gi&amp;k=20&amp;c=aX3DLKjTpKEfFlq15o2Hy4mu2vpPz_ezhjVEjHm13Jo=\" alt=\"USA, New York City, smiling young woman on Times Square at night looking up\" \/><\/p>\n<p>Segundo Glauber Mota, CEO da Revolut, a fintech brit\u00e2nica de conta global em breve tamb\u00e9m deve entrar nesse segmento, atendendo \u00e0 demanda dos seus clientes. &#8220;O mais pedido \u00e9 a remunera\u00e7\u00e3o do dinheiro em conta, para que o d\u00f3lar ou o euro comprado n\u00e3o fique parado, e sim rendendo&#8221;, diz. Por ora, a Revolut oferta apenas criptomoedas.<\/p>\n<p>No entanto, para aproveitar o IOF mais barato sem que a transa\u00e7\u00e3o configure evas\u00e3o fiscal, \u00e9 necess\u00e1rio que o valor transferido fique investido por certo tempo. Segundo o C6 Bank, que tamb\u00e9m oferta ambas as contas em d\u00f3lar, as transa\u00e7\u00f5es entre a conta investimento e a conta transacional s\u00e3o monitoradas para evitar que o contribuinte recolha impostos de forma indevida. &#8220;Dependendo do volume e da frequ\u00eancia, o banco bloqueia a conta&#8221;, diz Igor Rongel, diretor de investimentos do C6 Bank, que oferece seis opera\u00e7\u00f5es de renda vari\u00e1vel gratuitas por m\u00eas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de um IOF menor, outra vantagem para os brasileiros investirem nos EUA \u00e9 o alto patamar dos juros americanos. Atualmente eles est\u00e3o entre 5,25% a 5,50% ao ano, o maior n\u00edvel desde 2001. A dica de especialistas \u00e9 que, ao planejar uma viagem para o exterior, fa\u00e7a compras esparsadas de d\u00f3lares, deixando-os investidos, de modo a constituir um menor pre\u00e7o m\u00e9dio at\u00e9 a data da viagem, sem perder dinheiro para a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para isso, por\u00e9m, h\u00e1 o custo do spread cambial (taxa que as institui\u00e7\u00f5es cobram ao trocar reais por d\u00f3lares), al\u00e9m da taxa de corretagem, que variam de acordo com a corretora e at\u00e9 de acordo com a faixa de cliente.<\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, o spread cambial gira em torno de 1% a 3%. J\u00e1 a corretagem varia mais, indo de US$ 0,25 a US$ 7,50 por ordem. Por\u00e9m, h\u00e1 muitas institui\u00e7\u00f5es que passaram a oferecer taxa zero.<\/p>\n<p>Uma delas \u00e9 a Nomad, que d\u00e1 acesso a contas transacional e de investimento nos EUA, sendo poss\u00edvel comprar ativos americanos como a\u00e7\u00f5es, ETFs (fundos de \u00edndice) e REITs (fundos imobili\u00e1rios americanos). Apesar de n\u00e3o cobrar corretagem, a fintech cobra uma taxa operacional de at\u00e9 2% por opera\u00e7\u00e3o e uma taxa fixa de US$ 10 quando o dinheiro \u00e9 enviado de volta para o Brasil.<\/p>\n<p>Atualmente, a institui\u00e7\u00e3o tem 1,5 milh\u00f5es de correntistas, com R$ 2,5 bilh\u00f5es em ativos sob cust\u00f3dia.<\/p>\n<p>&#8220;A maioria tem um comportamento mais conservador e tem na carteira ETFs de renda fixa e t\u00edtulos do tesouro americano de curto prazo, pelo baixo risco e juros altos&#8221;, afirma Caio Fasanella, diretor de investimentos da Nomad.<\/p>\n<p>O Banco Inter tamb\u00e9m oferece taxa de corretagem zero. O custo fica por conta do spread cambial, que varia de 0,99% a 1,5%, de acordo com a segmenta\u00e7\u00e3o do cliente. Quanto mais se investe, menor o custo. O IOF cobrado neste caso, por\u00e9m, \u00e9 o referente \u00e0 contas transacionais, de 1,1%.<\/p>\n<p>Segundo dados de maio, mais de 3 milh\u00f5es de clientes do banco j\u00e1 usam a conta global, somando US$ 123 milh\u00f5es em dep\u00f3sitos e US$ 336 milh\u00f5es em investimentos.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel fazer a transfer\u00eancia dos investimentos nos EUA entre de um banco para outro, mas h\u00e1 um custo de, em m\u00e9dia, US$ 75. Para atrair grandes clientes, a Nomad oferece um reembolso parcial ou total desta taxa a quem transferir mais de US$ 10 mil para a fintech.<\/p>\n<p>A Avenue, corretora nos EUA feita por e para brasileiros, oferece tr\u00eas corretagens gr\u00e1tis por m\u00eas. Ultrapassada a cota, s\u00e3o cobrados US$ 2,50 a US$ 7,50 por ordem. J\u00e1 o spread cambial varia de 1,4% a 2%, de acordo com o valor investido.<\/p>\n<p>Segundo a Avenue, as a\u00e7\u00f5es mais buscadas por brasileiros s\u00e3o pap\u00e9is que tamb\u00e9m est\u00e3o dispon\u00edveis no Brasil via BDRs (recibos de a\u00e7\u00f5es negociadas no exterior), como Apple, Coca-Cola, Realty Income, Disney e Amazon.<\/p>\n<p>Os grandes bancos tamb\u00e9m se movimentam para ofertar produtos semelhantes. O Ita\u00fa comprou uma participa\u00e7\u00e3o na Avenue e o Bradesco lan\u00e7ou o Bradesco Invest US, por enquanto apenas com carteiras compostas por ETFs, de acordo com o perfil de investidor.<\/p>\n<p>&#8220;A ideia \u00e9 trazer o cliente que vai gastar, que vai viajar&#8221;, diz Henrique Lima, diretor do Bradesco Bank, bra\u00e7o do banco em Miami.<\/p>\n<p>O Santander estreou sua conta global transacional ao fim de 2023 e, em mar\u00e7o, o Banco do Brasil reduziu o IOF cobrado no cart\u00e3o de cr\u00e9dito dos clientes alta renda para 1,1% \u2014a diferen\u00e7a para os 4,38% cobrados pela Receita Federal ser\u00e1 arcada pelo banco. Na mesma dire\u00e7\u00e3o, o Porto Bank zerou o IOF do seu cart\u00e3o de cr\u00e9dito (que ser\u00e1 reembolsado via cashback na fatura) e o Nubank se uniu \u00e0 Wise para ofertar uma conta global transacional aos seus clientes alta renda<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o d\u00f3lar acima dos R$ 5 e IOF (imposto sobre opera\u00e7\u00f5es financeiras) de 4,38% nas compras com o cart\u00e3o de cr\u00e9dito no exterior, turistas brasileiros passaram a investir nos Estados Unidos para baratear os gastos l\u00e1 fora. Al\u00e9m das transfer\u00eancias para as contas investimento usarem a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar comercial, que \u00e9 mais barata que o turismo, o IOF sobre essas remessas \u00e9 bem menor: de 0,38%. Segundo dados do Banco Central, o volume de investimento de brasileiros no exterior saltou quase 30 vezes nos \u00faltimos 20 anos. Em 2003, esse fluxo era de apenas R$ 1,6 bilh\u00e3o. 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