{"id":57735,"date":"2024-05-15T13:14:55","date_gmt":"2024-05-15T17:14:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=57735"},"modified":"2024-05-15T13:14:55","modified_gmt":"2024-05-15T17:14:55","slug":"fake-news-prejudicam-tomada-de-decisao-por-afetados-em-catastrofe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2024\/05\/15\/fake-news-prejudicam-tomada-de-decisao-por-afetados-em-catastrofe\/","title":{"rendered":"Fake news prejudicam tomada de decis\u00e3o por afetados em cat\u00e1strofe"},"content":{"rendered":"<p><strong>As redes sociais t\u00eam sido usadas como um instrumento de dissemina\u00e7\u00e3o de\u00a0fake news\u00a0(not\u00edcias falsas) diversas sobre a trag\u00e9dia provocada pelas chuvas no Rio Grande do Sul. Desde teorias da conspira\u00e7\u00e3o sobre o motivo do desastre, at\u00e9 boatos estapaf\u00fardios, de cunho fundamentalista religioso, relacionando a apresenta\u00e7\u00e3o de uma cantora pop internacional no Rio de Janeiro \u00e0 perda de vidas nas enchentes de v\u00e1rias cidades ga\u00fachas.<\/strong><\/p>\n<p>Mas alguns dos principais alvos da campanha de desinforma\u00e7\u00e3o promovida nas redes sociais s\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. S\u00e3o not\u00edcias falsas que, desde os primeiros momentos da trag\u00e9dia, buscam desacreditar governos e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>S\u00e3o\u00a0fake news\u00a0sobre caminh\u00f5es sendo impedidos de entrar no estado com donativos \u00e0s v\u00edtimas, sobre a demora do governo federal em agir no RS e sobre alguns empres\u00e1rios estarem atuando mais que governos em prol dos ga\u00fachos.<\/p>\n<p>A pesquisadora da Universidade Federal Fluminense (UFF) Thaiane Moreira de Oliveira \u00e9 parte de um grupo de pesquisadores dos Institutos Nacionais de Ci\u00eancia e Tecnologia (INCT) que acompanha a divulga\u00e7\u00e3o de mensagens sobre o desastre clim\u00e1tico do Rio Grande do Sul nas redes sociais.<\/p>\n<p>O levantamento ainda n\u00e3o foi conclu\u00eddo, mas j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel perceber um padr\u00e3o nas\u00a0fake news\u00a0sobre a trag\u00e9dia. \u201c[Nesta trag\u00e9dia] a desinforma\u00e7\u00e3o diz respeito sobretudo a discuss\u00f5es pol\u00edticas, acusa\u00e7\u00f5es contra o governo federal, contra o governo estadual. Principalmente, e a\u00ed eu acho que \u00e9 um ponto extremamente preocupante, a quest\u00e3o da contesta\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia e da atua\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es. A gente tem visto o quanto as institui\u00e7\u00f5es, que t\u00eam sido muito atuantes, est\u00e3o sendo descredibilizadas nesse processo\u201d, afirma Thaiane.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, as redes sociais permitiram que qualquer pessoa se tornasse uma \u201cautoridade\u201d em qualquer assunto e opini\u00f5es baseadas apenas no achismo passassem a ser valorizadas pelo p\u00fablico.<\/p>\n<p>\u201cAntes das redes sociais, a gente tinha alguns atores que eram legitimados para apresentar uma informa\u00e7\u00e3o que fosse considerada de credibilidade. Eram jornalistas, comunicadores p\u00fablicos, divulgadores cient\u00edficos, agentes p\u00fablicos. Com as m\u00eddias sociais e a reconfigura\u00e7\u00e3o da forma como nos comunicamos, hoje em dia, emitir uma opini\u00e3o \u00e9 motivo de autoridade. Qualquer um que tenha uma certa visibilidade nas redes sociais ganha uma certa autoridade, emitindo sua opini\u00e3o apenas baseado nas suas experi\u00eancias pessoais e no achismo\u201d, destaca a pesquisadora.<\/p>\n<p>Com a credibilidade das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas sendo questionadas por not\u00edcias falsas, as pessoas afetadas pelo desastre ficam sem refer\u00eancia para tomar decis\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cSe a gente v\u00ea um conjunto de desconfian\u00e7as nas institui\u00e7\u00f5es e uma popula\u00e7\u00e3o amedrontada, sem saber em quem confiar e acionar, isso \u00e9 um problema muito grave para nossa sociedade. A gente sabe que quando uma um cidad\u00e3o est\u00e1 assustado, ele pode tomar algumas decis\u00f5es que n\u00e3o sejam necessariamente racionais\u201d, explica Thaiane.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 apenas um risco para a democracia, segundo a pesquisadora, mas tamb\u00e9m para a pr\u00f3pria seguran\u00e7a e sa\u00fade das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um conjunto de influenciadores digitais indicando tratamentos m\u00e9dicos, quimioter\u00e1picos por exemplo, para poder se prevenir de doen\u00e7as como leptospirose, ent\u00e3o \u00e9 um risco para a sa\u00fade p\u00fablica. E a gente est\u00e1 num momento em que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito vulner\u00e1vel\u201d, afirmou a pesquisadora. (ABr)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As redes sociais t\u00eam sido usadas como um instrumento de dissemina\u00e7\u00e3o de\u00a0fake news\u00a0(not\u00edcias falsas) diversas sobre a trag\u00e9dia provocada pelas chuvas no Rio Grande do Sul. 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