{"id":59102,"date":"2024-11-02T09:45:53","date_gmt":"2024-11-02T13:45:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=59102"},"modified":"2024-11-02T09:45:53","modified_gmt":"2024-11-02T13:45:53","slug":"vitima-de-trafico-humano-e-trabalho-escravo-brasileiro-e-obrigado-a-aplicar-golpes-financeiros-em-mianmar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2024\/11\/02\/vitima-de-trafico-humano-e-trabalho-escravo-brasileiro-e-obrigado-a-aplicar-golpes-financeiros-em-mianmar\/","title":{"rendered":"V\u00edtima de tr\u00e1fico humano e trabalho escravo, brasileiro \u00e9 obrigado a aplicar golpes financeiros em Mianmar"},"content":{"rendered":"<p><strong>O brasileiro Luckas Viana dos Santos est\u00e1 sendo mantido escravo em uma f\u00e1brica de golpes virtuais na fronteira de Mianmar com a Tail\u00e2ndia, na \u00c1sia. A ONU estima que centenas de milhares de pessoas sejam mantidas em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o ap\u00f3s terem sido traficadas na regi\u00e3o da\u00a0Tail\u00e2ndia, Mianmar e Camboja. O trabalho consiste em aplicar golpes virtuais internacionalmente em escala massiva, sob a mira de homens armados.<\/strong><\/p>\n<p>O pesadelo do brasileiro que caiu no esquema come\u00e7ou no in\u00edcio de outubro, que buscava um novo trabalho na \u00c1sia ap\u00f3s ter sido demitido da \u00e1rea de atendimento ao cliente em plataformas de apostas nas Filipinas.<\/p>\n<p>Ele postou que procurava emprego em um grupo no Telegram focado em vagas de trabalho na regi\u00e3o. Logo conseguiu duas entrevistas. Em uma delas, para uma vaga em atendimento ao cliente em aplicativos de relacionamento, recebeu uma proposta que considerou interessante: sal\u00e1rio de US$ 1,5 mil, al\u00e9m de moradia no local para um contrato de seis meses.<\/p>\n<p>A empresa tinha sede em Mae Sot, uma cidade no oeste da Tail\u00e2ndia que faz fronteira com Mianmar. Ficou acertado que um representante da empresa o buscaria em Bangkok para uma viagem de seis horas.<\/p>\n<p>Durante a viagem ele percebeu que algo estava errado. E avisou pelo Telegram a um amigo que vive na \u00c1sia e tamb\u00e9m trabalha com plataformas online. \u201cNo meio do nada, entramos numa selva, pegamos um barco e tenho que esperar mais um carro\u201d, disse Santos em mensagens.<\/p>\n<p>\u201cParece tr\u00e1fico\u201d, acrescentou, com uma risada. \u00c0quela altura, ele j\u00e1 havia trocado de carro tr\u00eas vezes e compartilhado sua localiza\u00e7\u00e3o com o amigo por temer pela sua seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>O amigo, de nome Caio, contou que recebeu mais algumas mensagens de Santos em que ele dizia j\u00e1 estar em Mianmar ap\u00f3s ter visto que as placas na estrada estavam em birman\u00eas, a l\u00edngua oficial do pa\u00eds. A mensagem seguinte dizia apenas uma frase: \u201cchama a pol\u00edcia\u201d.<\/p>\n<p>Santos voltou a se comunicar 30 minutos depois. Disse que estava tentando resolver a situa\u00e7\u00e3o, mas que havia muitas pessoas armadas. Pediu ao amigo para que ele n\u00e3o chamasse a pol\u00edcia porque podiam mat\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, Caio recebe mensagens espor\u00e1dicas do amigo, sempre de n\u00fameros novos de Telegram e com pedidos para que ele n\u00e3o responda. A \u00faltima localiza\u00e7\u00e3o que Santos compartilhou mostrou que ele estava em Kyaukhat, uma cidade em Mianmar na fronteira com a Tail\u00e2ndia.<\/p>\n<p>As f\u00e1bricas de golpes s\u00e3o operadas por grupos de crime organizado transnacionais. Na pr\u00e1tica, funciona assim: pela internet, pessoas s\u00e3o ludibriadas a acreditar que est\u00e3o sendo contratadas para trabalhos leg\u00edtimos e, ent\u00e3o, acabam traficadas para estes complexos, onde s\u00e3o mantidas sob abusos e condi\u00e7\u00f5es desumanas.<\/p>\n<p>Nas raras mensagens que tem conseguido enviar ao amigo, Santos tem falado sobre as condi\u00e7\u00f5es do complexo onde est\u00e1. Disse que o dia de trabalho dura 16 horas, das 17h30 at\u00e9 as 8h da manh\u00e3 seguinte. H\u00e1 tr\u00eas pausas para comer. Ele n\u00e3o pode tomar banho todos os dias.<\/p>\n<p>Santos contou que s\u00f3 \u00e9 pago caso consiga aplicar o golpe com sucesso. Para cada pessoa que fizer uma transfer\u00eancia, recebe US$ 100. Mas para cada cliente perdido, s\u00e3o descontados US$ 100. A situa\u00e7\u00e3o configura servid\u00e3o por d\u00edvida, em que pessoas s\u00e3o obrigadas a trabalhar para pagar uma d\u00edvida que lhes foi imposta.\u00a0 Santos disse ao amigo que acredita ser o \u00fanico brasileiro no local. Relatou, ainda, que h\u00e1 muitos filipinos, paquistaneses, cidad\u00e3os do Sri Lanka e de Bangladesh e et\u00edopes \u2013 que s\u00e3o submetidos a condi\u00e7\u00f5es ainda mais degradantes que ele.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O brasileiro Luckas Viana dos Santos est\u00e1 sendo mantido escravo em uma f\u00e1brica de golpes virtuais na fronteira de Mianmar com a Tail\u00e2ndia, na \u00c1sia. A ONU estima que centenas de milhares de pessoas sejam mantidas em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o ap\u00f3s terem sido traficadas na regi\u00e3o da\u00a0Tail\u00e2ndia, Mianmar e Camboja. O trabalho consiste em aplicar golpes virtuais internacionalmente em escala massiva, sob a mira de homens armados. 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