{"id":59966,"date":"2025-02-23T09:43:01","date_gmt":"2025-02-23T13:43:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=59966"},"modified":"2025-02-23T09:43:01","modified_gmt":"2025-02-23T13:43:01","slug":"familia-do-para-so-ficou-5-dias-nos-eua-e-descobriu-deportacao-ao-ser-colocada-em-aviao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2025\/02\/23\/familia-do-para-so-ficou-5-dias-nos-eua-e-descobriu-deportacao-ao-ser-colocada-em-aviao\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia do Par\u00e1 s\u00f3 ficou 5 dias nos EUA e descobriu deporta\u00e7\u00e3o ao ser colocada em avi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Uma fam\u00edlia do interior do Par\u00e1, que desembarcou na manh\u00e3 desta sexta-feira, 21, em Fortaleza, descobriu que estava sendo deportada de volta para o Brasil apenas quando entrou na aeronave. Eles estavam no terceiro voo de brasileiros repatriados dos Estados Unidos este ano, que chegou na capital cearense no final da manh\u00e3.<\/strong><\/p>\n<p>Caroline Bezerra Oliveira, 28 anos, o marido Jos\u00e9 Ricardo, 23, e a filha de 1 ano e sete meses do casal demoraram quase dois meses para conseguir chegar aos Estados Unidos, saindo de Rondon do Par\u00e1, distante 523 km da capital Bel\u00e9m. Ela conta que a travessia para os EUA se deu por um &#8220;coiote&#8221;, pessoas que por dinheiro ajudam migrantes a tentarem entrar nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s tanto tempo para conseguir chegar ao desejado destino, a fam\u00edlia n\u00e3o passou mais do que cinco dias por l\u00e1. Capturados pela imigra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o passaram por entrevistas ou nada do tipo, segundo Caroline. &#8220;A gente simplesmente caiu na imigra\u00e7\u00e3o, a\u00ed as agentes, duas mulheres, nos acompanharam at\u00e9 o aeroporto, informaram que estavam s\u00f3 acompanhando a gente por seguran\u00e7a, n\u00e3o informaram a realidade para a gente&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Ela conta que foram colocados em um voo do Texas para Alexandria, no estado da Louisiana, mas n\u00e3o foram informados para qual o destino estavam sendo levados ou mesmo a finalidade do deslocamento. &#8220;Quando a gente chegou em Alexandria foi onde a gente encontrou com um avi\u00e3o de deporte&#8221;, conta ela, explicando que sa\u00edram do carro da imigra\u00e7\u00e3o j\u00e1 direto para o avi\u00e3o. Caroline explica ainda que todos os brasileiros s\u00f3 tiveram as algemas retiradas quando a aeronave pousou em Fortaleza.<\/p>\n<p><strong>O sonho de melhorar de vida<\/strong><\/p>\n<p>Caroline conta que, no Brasil, trabalhava de gar\u00e7onete, enquanto o marido era barman. O plano era trabalhar na Fl\u00f3rida, juntar algum dinheiro e investir no Brasil. &#8220;A gente ia retornar para o Brasil. A gente s\u00f3 queria trabalhar, a gente n\u00e3o queria nada de ningu\u00e9m, a gente ia trabalhar honestamente, entendeu?&#8221;, afirma, dizendo que n\u00e3o tinham prefer\u00eancia de emprego. &#8220;Qualquer trabalho, sendo honesto, a gente ia trabalhar e investir no Brasil, ia retornar&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p><strong>A travessia<\/strong><\/p>\n<p>A gar\u00e7onete afirma que a fam\u00edlia passou por El Salvador e M\u00e9xico durante a travessia a caminho dos Estados Unidos. No trajeto, conta que p\u00f4de aproveitar as belezas dos alguns locais. &#8220;Foi uma caminhada boa, a gente tirou proveito de algumas cidades Conhecemos, usufru\u00edmos de sabores, cores, pessoas. \u00c9 uma paisagem maravilhosa, n\u00e9? Coisa diferente, que no Brasil n\u00e3o tem. Ent\u00e3o a gente n\u00e3o se arrepende&#8221;, afirma. A mulher, no entanto, admite que n\u00e3o se aventuraria dessa forma novamente. &#8220;N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, ainda mais para gente que est\u00e1 indo com crian\u00e7a, assim, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. \u00c9 uma experi\u00eancia para a vida toda da gente. S\u00f3 que, se a gente tiver uma oportunidade novamente, a gente n\u00e3o vai. \u00c9 um risco muito grande, \u00e9 muito sofrido, pra gente que est\u00e1 entrando ilegal \u00e9 muito sofrido&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p><strong>Sentimento d\u00fabio<\/strong><\/p>\n<p>Para Caroline, ser deportada \u00e9 viver um choque de realidade. &#8220;\u00c9 uma tristeza muito grande, porque \u00e9 um investimento muito alto que a gente faz para estar l\u00e1 dentro. Mas, ao mesmo tempo, \u00e9 uma felicidade muito grande de voltar ao Brasil, matar saudade que a gente sente, entendeu? Poder desfrutar das comidas boas, que os Estados Unidos n\u00e3o tem comida boa, gente, n\u00e3o se iludam&#8221;, explica. Ela conta que, j\u00e1 no voo a caminho do Brasil, ap\u00f3s todos entenderem que estavam rodeados de brasileiros, o clima foi cordial e animado entre os passageiros. &#8220;Quando o voo decolou, todos come\u00e7aram a gritar: &#8216;Eba, Brasil, brasileiro&#8217;. Sabe como \u00e9 que \u00e9 brasileiro, n\u00e9? E \u00e9 isso, s\u00f3 felicidade agora, chegar em casa, matar saudade e agradecer a Deus pela experi\u00eancia, por n\u00f3s voltarmos com vida, sem machucado, sem viol\u00eancia, sem problema nenhum. Voltar para casa e recome\u00e7ar do zero&#8221;, explica.<\/p>\n<p><strong>Volta para casa<\/strong><\/p>\n<p>A gar\u00e7onete conta ainda que a fam\u00edlia tentou voo para o Par\u00e1, mas os pre\u00e7os est\u00e3o muito altos. Ela explica que h\u00e1 no grupo outros paraenses, que est\u00e3o combinando de seguirem juntos, via terrestre. &#8220;A gente vai embarcar junto com a galera a\u00ed mesmo, um pov\u00e3o, vamos dentro do \u00f4nibus. O importante \u00e9 chegar em casa, comer aquele cuscuz com ovo, queijo, tomar um caf\u00e9 e descansar&#8221;, contou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma fam\u00edlia do interior do Par\u00e1, que desembarcou na manh\u00e3 desta sexta-feira, 21, em Fortaleza, descobriu que estava sendo deportada de volta para o Brasil apenas quando entrou na aeronave. Eles estavam no terceiro voo de brasileiros repatriados dos Estados Unidos este ano, que chegou na capital cearense no final da manh\u00e3. Caroline Bezerra Oliveira, 28 anos, o marido Jos\u00e9 Ricardo, 23, e a filha de 1 ano e sete meses do casal demoraram quase dois meses para conseguir chegar aos Estados Unidos, saindo de Rondon do Par\u00e1, distante 523 km da capital Bel\u00e9m. 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