{"id":60220,"date":"2025-03-31T12:28:41","date_gmt":"2025-03-31T16:28:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=60220"},"modified":"2025-03-31T12:28:41","modified_gmt":"2025-03-31T16:28:41","slug":"brasileiros-em-centro-de-detencao-nos-eua-relatam-condicoes-desumanas-e-violacoes-de-direitos-nos-tratam-como-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2025\/03\/31\/brasileiros-em-centro-de-detencao-nos-eua-relatam-condicoes-desumanas-e-violacoes-de-direitos-nos-tratam-como-animais\/","title":{"rendered":"Brasileiros em centro de deten\u00e7\u00e3o nos EUA relatam condi\u00e7\u00f5es desumanas e viola\u00e7\u00f5es de direitos: \u201cNos tratam como animais\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>Brasileiros detidos no Centro de Processamento de Pine Prairie, na Louisiana (EUA), enfrentam condi\u00e7\u00f5es degradantes, incluindo fome, falta de atendimento m\u00e9dico e humilha\u00e7\u00f5es constantes. Relatos obtidos pela reportagem revelam um cen\u00e1rio de abandono e viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos em um local que abriga imigrantes aguardando deporta\u00e7\u00e3o \u2013 nenhum deles condenado por crimes.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Eles nos tratam aqui como animais. Est\u00e1 muito dif\u00edcil. Eu choro todos os dias e s\u00f3 quero a minha liberdade&#8221;, desabafou um dos brasileiros presos no local. Outro detido afirmou que passa at\u00e9 20 horas sem comer, j\u00e1 que as refei\u00e7\u00f5es s\u00e3o escassas e ele tem restri\u00e7\u00f5es aos \u00fanicos alimentos oferecidos entre um intervalo e outro: p\u00e3o e leite.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/horadopovo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Prisao-reproducao-youtube.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>Fome, doen\u00e7as e celas imundas<\/strong><\/p>\n<p>Os depoimentos s\u00e3o un\u00e2nimes em descrever a precariedade do centro. Um dos brasileiros relatou que, desde sua chegada, sofre com infec\u00e7\u00f5es na garganta, febre e dores de cabe\u00e7a, agravadas pela umidade e falta de ventila\u00e7\u00e3o nas celas. &#8220;Ningu\u00e9m consegue se curar aqui. O ambiente \u00e9 cheio de bact\u00e9rias&#8221;, disse.<\/p>\n<p>A comida, segundo relatos, \u00e9 de m\u00e1 qualidade e insuficiente. &#8220;Comia quem tinha coragem&#8221;, afirmou um ex-detento, que perdeu 7 kg em duas semanas. A \u00e1gua tamb\u00e9m \u00e9 racionada: os presos precisam guardar parte da garrafinha para momentos de sede extrema. Em alguns casos, a solidariedade entre os detentos foi a \u00fanica salva\u00e7\u00e3o \u2013 um brasileiro conseguiu \u00e1gua e comida \u00e0s escondidas com a ajuda de outro preso.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias s\u00e3o outro problema. &#8220;A cela estava imunda, e n\u00f3s mesmos limpamos tudo. Tinha poeira e cheiro de mofo. Ficamos seis dias sem ver a luz do dia&#8221;, contou um dos homens.<\/p>\n<p><strong>Isolamento e den\u00fancias de abusos<\/strong><\/p>\n<p>Familiares dos detidos confirmam a dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o. &#8220;Ele me diz que \u00e9 humilhante estar l\u00e1&#8221;, relatou um parente, que s\u00f3 consegue falar com o brasileiro preso esporadicamente.<\/p>\n<p>A ONG Robert F. Kennedy Human Rights (RFK) j\u00e1 denunciou o centro por violar direitos humanos. Sarah Decker, advogada da organiza\u00e7\u00e3o, destacou que os imigrantes est\u00e3o l\u00e1 apenas para garantir sua presen\u00e7a em tribunal, mas as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o &#8220;punitivas e piores do que em pris\u00f5es&#8221;. &#8220;As pessoas s\u00e3o horrivelmente abusadas neste local e em outros da Louisiana&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Pr\u00e1ticas brutais durante deporta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m das condi\u00e7\u00f5es nos centros de deten\u00e7\u00e3o, o governo dos EUA tem sido criticado por algemar bra\u00e7os e pernas de deportados durante voos. Brasileiros expulsos no primeiro voo de deporta\u00e7\u00f5es do governo Trump relataram ter ficado acorrentados em assentos, em um avi\u00e3o com ar-condicionado quebrado \u2013 s\u00f3 foram liberados quando a Pol\u00edcia Federal do Brasil interveio. Atualmente, tr\u00eas brasileiros permanecem em Pine Prairie, que abriga cerca de 1.100 homens. Enquanto aguardam deporta\u00e7\u00e3o, enfrentam um sistema descrito como desumano, onde a dignidade parece ser a primeira coisa deixada para tr\u00e1s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasileiros detidos no Centro de Processamento de Pine Prairie, na Louisiana (EUA), enfrentam condi\u00e7\u00f5es degradantes, incluindo fome, falta de atendimento m\u00e9dico e humilha\u00e7\u00f5es constantes. Relatos obtidos pela reportagem revelam um cen\u00e1rio de abandono e viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos em um local que abriga imigrantes aguardando deporta\u00e7\u00e3o \u2013 nenhum deles condenado por crimes. &#8220;Eles nos tratam aqui como animais. Est\u00e1 muito dif\u00edcil. Eu choro todos os dias e s\u00f3 quero a minha liberdade&#8221;, desabafou um dos brasileiros presos no local. 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