{"id":61047,"date":"2025-07-28T18:15:09","date_gmt":"2025-07-28T22:15:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=61047"},"modified":"2025-07-28T18:15:09","modified_gmt":"2025-07-28T22:15:09","slug":"escritor-latino-americano-publica-livro-sobre-comunidade-queer-no-ironbound","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2025\/07\/28\/escritor-latino-americano-publica-livro-sobre-comunidade-queer-no-ironbound\/","title":{"rendered":"Escritor Latino Americano publica livro sobre comunidade queer no Ironbound"},"content":{"rendered":"<p><em>Vozes LGBTQ+ Brasileiras em Queer Newark:<\/em><br \/>\n<em>Com For\u00e7a, Criatividade e Potencial para Liderar<\/em><br \/>\n<em>Escrito por: Yamil Avivi, Traduzido por Manoel Jose da Costa Filho<\/em><\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, pode parecer improv\u00e1vel encontrar pessoas LGBTQ+ em uma igreja. No entanto, foi exatamente isso que aconteceu comigo em 2006, quando comecei a frequentar o bairro do Ironbound, em Newark. Conectei-me \u00e0 igreja luterana St. Stephan\u2019s Grace Community, localizada na esquina da Ferry Street com a Wilson Avenue. Sou um latino gay de Elizabeth e Hillside, filho de imigrantes colombianos de primeira gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o tempo, passei a integrar o culto em portugu\u00eas da igreja, frequentado por brasileiros LGBTQ+ de diferentes idades. Falar portugu\u00eas ajudou a criar la\u00e7os de confian\u00e7a, mas o que realmente fortaleceu essas conex\u00f5es foram as viv\u00eancias compartilhadas como latinos queer imigrantes, enfrentando quest\u00f5es de identidade, trabalho e espiritualidade.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/i.imgur.com\/gsvRwIb.jpeg\" \/><\/p>\n<p>O Ironbound tornou-se mais do que um local para saborear um X Tudo ou tomar um caf\u00e9 com salgadinhos. Tornou-se um espa\u00e7o de reconhecimento \u2014 surpreendentemente, um espa\u00e7o queer. Ao longo dos anos, o bairro deixou de ser discretamente gay para se tornar um ambiente onde a presen\u00e7a LGBTQ+ \u00e9 vis\u00edvel, orgulhosa e ineg\u00e1vel, tanto nas ruas quanto nos estabelecimentos locais. Anos depois, tive a oportunidade de documentar essa transforma\u00e7\u00e3o em meus escritos.<\/p>\n<p>Muitas das pessoas brasileiras LGBTQ+ que conheci haviam acabado de chegar a Newark. Mesmo rec\u00e9m-chegados, n\u00e3o hesitaram em trabalhar duro. Meus amigos atuam nas \u00e1reas de constru\u00e7\u00e3o civil, limpeza, restaurantes, bares, padarias, sal\u00f5es de beleza e no setor noturno \u2014 como DJs, performers, anfitri\u00f5es e promotores de eventos. Apesar das jornadas intensas, s\u00e3o trabalhadores confi\u00e1veis, eficientes e dedicados. Mesmo ap\u00f3s uma noite de festa, karaok\u00ea ou dan\u00e7a no Ironbound ou em Nova York, est\u00e3o prontos para trabalhar. S\u00e3o parte essencial da economia de servi\u00e7os e do empreendedorismo imigrante que sustenta o Ironbound.<\/p>\n<p>Em 2024, o professor Whit Strub, da Rutgers University, publicou Queer Newark: Stories of Resistance, Love, and Community pela Rutgers University Press. A obra representa o primeiro estudo hist\u00f3rico abrangente sobre a viv\u00eancia queer em Newark, incluindo perspectivas de pessoas brancas, negras e latinas, ao longo de diversas gera\u00e7\u00f5es. O livro inclui meu cap\u00edtulo, intitulado \u201cTemos Muitas Coisas Pra Fazer\u201d: Identidades de Mercado e Constru\u00e7\u00e3o de Comunidade Queer no Ironbound Brasileiro e na Grande Newark.<\/p>\n<p>Nesse cap\u00edtulo, argumento que os imigrantes brasileiros queer s\u00e3o fundamentais para a vitalidade econ\u00f4mica e social do Ironbound. S\u00e3o mais do que trabalhadores ou empreendedores \u2014 s\u00e3o agentes culturais, conectores sociais e guardi\u00f5es do conhecimento comunit\u00e1rio. No entanto, essa presen\u00e7a ainda n\u00e3o se traduziu em organiza\u00e7\u00e3o coletiva, milit\u00e2ncia pol\u00edtica ou lideran\u00e7a estruturada.<\/p>\n<p>Os entrevistados expressaram o desejo de ver lideran\u00e7as queer brasileiras emergirem, especialmente para enfrentar quest\u00f5es como sa\u00fade p\u00fablica (HIV, DSTs, acesso ao PrEP), cultura, envelhecimento, imigra\u00e7\u00e3o, racismo ambiental, direitos trabalhistas e educa\u00e7\u00e3o LGBTQ+\/transg\u00eanera. Muitos acreditam que organizar-se seria uma \u00f3tima ideia \u2014 e conhecem pessoas capazes de liderar \u2014 mas mencionam o cansa\u00e7o, a inseguran\u00e7a econ\u00f4mica e o medo como obst\u00e1culos.<\/p>\n<p>\u00c0 comunidade LGBTQ+ brasileira de Newark: Voc\u00eas n\u00e3o s\u00e3o apenas trabalhadores ou donos de neg\u00f3cios. S\u00e3o pessoas com direitos, sonhos e necessidades sociais, pol\u00edticas e emocionais. A for\u00e7a, energia e criatividade de voc\u00eas tamb\u00e9m devem ser usadas para construir uma comunidade unida, solid\u00e1ria e ativa. Precisamos das suas vozes, das suas hist\u00f3rias e da sua lideran\u00e7a \u2014 n\u00e3o apenas em encontros privados, mas tamb\u00e9m em espa\u00e7os p\u00fablicos, decis\u00f5es pol\u00edticas e articula\u00e7\u00f5es locais.<\/p>\n<p>Convidamos voc\u00ea a participar da Queer Ironbound Task Force, um coletivo de base comprometido com a visibilidade, a solidariedade e a justi\u00e7a para pessoas queer no Ironbound e em toda Newark. Se tiver interesse em se tornar membro \u2014 ou at\u00e9 futuro(a) l\u00edder da comunidade \u2014 envie um e-mail para milavi@umich.edu. Juntos, podemos construir um futuro mais justo e vibrante, onde todas as vidas LGBTQ+ sejam reconhecidas e celebradas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vozes LGBTQ+ Brasileiras em Queer Newark: Com For\u00e7a, Criatividade e Potencial para Liderar Escrito por: Yamil Avivi, Traduzido por Manoel Jose da Costa Filho \u00c0 primeira vista, pode parecer improv\u00e1vel encontrar pessoas LGBTQ+ em uma igreja. No entanto, foi exatamente isso que aconteceu comigo em 2006, quando comecei a frequentar o bairro do Ironbound, em Newark. Conectei-me \u00e0 igreja luterana St. Stephan\u2019s Grace Community, localizada na esquina da Ferry Street com a Wilson Avenue. Sou um latino gay de Elizabeth e Hillside, filho de imigrantes colombianos de primeira gera\u00e7\u00e3o. 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