{"id":61109,"date":"2025-08-06T17:13:53","date_gmt":"2025-08-06T21:13:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=61109"},"modified":"2025-08-06T17:13:53","modified_gmt":"2025-08-06T21:13:53","slug":"governos-dos-eua-e-de-ruanda-fecham-acordo-para-envio-de-deportados-de-outras-nacionalidades-incluindo-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2025\/08\/06\/governos-dos-eua-e-de-ruanda-fecham-acordo-para-envio-de-deportados-de-outras-nacionalidades-incluindo-brasileiros\/","title":{"rendered":"Governos dos EUA e de Ruanda fecham acordo para envio de deportados de outras nacionalidades, incluindo brasileiros"},"content":{"rendered":"<p><strong>O governo de Ruanda anunciou nesta ter\u00e7a-feira um acordo com a administra\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos para receber at\u00e9 250 migrantes deportados do territ\u00f3rio americano, mesmo que eles n\u00e3o sejam cidad\u00e3os do pa\u00eds africano. A medida coloca Ruanda como o terceiro pa\u00eds do continente africano a firmar um entendimento desse tipo com a Casa Branca desde o retorno de Donald Trump \u00e0 presid\u00eancia, em janeiro deste ano.<\/strong><\/p>\n<p>O acordo, ainda sem detalhes p\u00fablicos sobre cronograma, crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o ou contrapartidas financeiras, foi confirmado pela porta-voz do governo ruand\u00eas, Yolande Makolo, que destacou o hist\u00f3rico nacional de acolhimento como justificativa moral.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full\" src=\"https:\/\/img.freepik.com\/vetores-premium\/mapa-de-ruanda-na-africa-icones-mostrando-bandeiras-e-localizacao-de-ruanda_404487-563.jpg\" width=\"626\" height=\"425\" \/><\/p>\n<p>\u201cQuase todas as fam\u00edlias ruandesas t\u00eam mem\u00f3rias de deslocamento. Nossos valores sociais s\u00e3o baseados na reintegra\u00e7\u00e3o e na reabilita\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Makolo, acrescentando que os migrantes receber\u00e3o forma\u00e7\u00e3o profissional, assist\u00eancia m\u00e9dica e apoio habitacional.<\/p>\n<p>Segundo apurado pelo Brazilian Press, o entendimento permite que Ruanda tenha poder de veto sobre cada caso proposto pelos EUA, garantindo ao pa\u00eds africano controle sobre quem ser\u00e1 aceito. No entanto, as nacionalidades dos migrantes, bem como eventuais compensa\u00e7\u00f5es financeiras ou assist\u00eancia t\u00e9cnica dos EUA, permanecem em sigilo. Imigrantes ilegais brasileiros estariam inclu\u00eddos na fila de deporta\u00e7\u00e3o para Ruanda.<\/p>\n<p>O an\u00fancio surge logo ap\u00f3s a Suprema Corte dos Estados Unidos autorizar, em junho, a deporta\u00e7\u00e3o de imigrantes para na\u00e7\u00f5es terceiras \u2014 mesmo sem garantias de seguran\u00e7a ou prote\u00e7\u00e3o aos direitos humanos. A decis\u00e3o derrubou restri\u00e7\u00f5es que impediam o envio de pessoas a pa\u00edses com hist\u00f3rico de persegui\u00e7\u00e3o ou instabilidade, abrindo caminho para acordos como o firmado com Ruanda.<\/p>\n<p>A Casa Branca tem intensificado negocia\u00e7\u00f5es com 58 pa\u00edses ao redor do mundo para estabelecer parcerias migrat\u00f3rias. Sud\u00e3o do Sul e Esswatini j\u00e1 receberam grupos de deportados nos \u00faltimos meses, muitos deles origin\u00e1rios de na\u00e7\u00f5es que se recusaram a aceit\u00e1-los de volta. Em julho, cinco migrantes de pa\u00edses asi\u00e1ticos e caribenhos foram enviados a Esswatini, enquanto o Sud\u00e3o do Sul recebeu oito pessoas, apenas uma delas nacional do pr\u00f3prio pa\u00eds.<\/p>\n<p>A diplomacia da deporta\u00e7\u00e3o, como tem sido chamada internamente pela equipe de Trump, faz parte de uma campanha que o presidente classifica como a \u201cmaior opera\u00e7\u00e3o de expuls\u00e3o da hist\u00f3ria americana\u201d. Em janeiro, Trump assinou uma ordem executiva determinando que o Departamento de Estado e o Departamento de Seguran\u00e7a Interna buscassem acordos internacionais para contornar o impasse com pa\u00edses que se recusam a repatriar seus cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Apesar do an\u00fancio, um porta-voz do Departamento de Estado americano evitou confirmar oficialmente o pacto com Ruanda, limitando-se a dizer que os EUA \u201ccolaboram com Ruanda em uma s\u00e9rie de prioridades comuns\u201d, entre elas a aplica\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas migrat\u00f3rias \u201cessenciais \u00e0 seguran\u00e7a nacional\u201d.<\/p>\n<p>O movimento, no entanto, tem gerado forte controv\u00e9rsia. Organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos denunciam que pa\u00edses africanos estariam sendo pressionados a aceitar acordos sob amea\u00e7a de retalia\u00e7\u00f5es, como restri\u00e7\u00f5es a vistos para seus cidad\u00e3os. Nig\u00e9ria e \u00c1frica do Sul, entre outros, j\u00e1 teriam sido alvo de conversas diplom\u00e1ticas com esse teor, segundo fontes ouvidas pela imprensa internacional.<\/p>\n<p>Ruanda, com cerca de 13 milh\u00f5es de habitantes, j\u00e1 tem experi\u00eancia em programas de reassentamento. Entre 2019 e 2025, acolheu cerca de 3 mil requerentes de asilo evacuados da L\u00edbia em parceria com a Acnur. Em 2022, assinou um acordo semelhante com o Reino Unido, que previa o recebimento de milhares de solicitantes de ref\u00fagio brit\u00e2nicos. O projeto, no entanto, foi barrado por decis\u00f5es judiciais e oficialmente abandonado ap\u00f3s a posse de Keir Starmer como primeiro-ministro. Ruanda manteve os mais de US$ 300 milh\u00f5es pagos adiantadamente pelo Reino Unido.<\/p>\n<p>O pa\u00eds, governado h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas pelo presidente Paul Kagam\u00e9 \u2014 reeleito em 2024 com 99,18% dos votos, segundo dados oficiais \u2014 enfrenta cr\u00edticas internacionais por suprimir a oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e por seu envolvimento no conflito na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Para ativistas, aceitar migrantes sob press\u00e3o externa pode agravar sua imagem j\u00e1 contestada no cen\u00e1rio global.<\/p>\n<p>Enquanto isso, os n\u00fameros nos EUA seguem crescendo. Dados da AFP mostram que, em junho, mais de 60 mil imigrantes foram detidos em centros de deten\u00e7\u00e3o como etapa pr\u00e9via \u00e0 deporta\u00e7\u00e3o \u2014 71% sem antecedentes criminais. Casos como o dos 252 homens enviados a El Salvador em mar\u00e7o, muitos deles posteriormente transferidos \u00e0 Venezuela, revelam as condi\u00e7\u00f5es extremas enfrentadas por deportados, com relatos de tortura, superlota\u00e7\u00e3o e tratamento desumano.<\/p>\n<p>Com o novo acordo, Ruanda entra em um terreno ainda mais complexo: o de ser um \u201cpa\u00eds terceiro seguro\u201d em uma pol\u00edtica migrat\u00f3ria cada vez mais impulsionada por decis\u00f5es judiciais controversas e press\u00e3o geopol\u00edtica. Enquanto Washington celebra avan\u00e7os, cr\u00edticos alertam que o custo humano pode estar sendo ignorado em nome da ordem pol\u00edtica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo de Ruanda anunciou nesta ter\u00e7a-feira um acordo com a administra\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos para receber at\u00e9 250 migrantes deportados do territ\u00f3rio americano, mesmo que eles n\u00e3o sejam cidad\u00e3os do pa\u00eds africano. 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