{"id":61905,"date":"2025-12-17T13:21:21","date_gmt":"2025-12-17T17:21:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=61905"},"modified":"2025-12-17T13:21:21","modified_gmt":"2025-12-17T17:21:21","slug":"crise-de-moradia-em-portugal-empurra-brasileiros-para-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2025\/12\/17\/crise-de-moradia-em-portugal-empurra-brasileiros-para-rua\/","title":{"rendered":"Crise de moradia em Portugal empurra brasileiros para rua"},"content":{"rendered":"<p><strong>A partir de 2017, quando relat\u00f3rios de institui\u00e7\u00f5es portuguesas apontavam cerca de 4 mil pessoas sem teto em todo o pa\u00eds, a crise de moradia em Portugal deixou de ser um alerta abstrato para se tornar um cen\u00e1rio vis\u00edvel nas ruas de Lisboa. Em 2021, o n\u00famero de moradores em situa\u00e7\u00e3o de rua j\u00e1 se aproximava de 11 mil, com cerca de 10% formados por estrangeiros, muitos deles brasileiros em Portugal que chegaram em busca de estabilidade e hoje disputam marmitas em filas noturnas.<\/strong><\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es de ajuda humanit\u00e1ria percorrem pra\u00e7as e cal\u00e7adas distribuindo refei\u00e7\u00f5es quentes para moradores em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n<p>A equipe da Noor F\u00e1tima, formada por volunt\u00e1rios que recolhem doa\u00e7\u00f5es e preparam marmitas, encontra um p\u00fablico cada vez mais numeroso. As bandejas s\u00e3o disputadas e, na fila, o portugu\u00eas se mistura ao sotaque brasileiro.<\/p>\n<p>Muitos brasileiros em Portugal aceitam a ajuda, mas recusam entrevistas e exposi\u00e7\u00e3o em v\u00eddeo, com medo da rea\u00e7\u00e3o de familiares no Brasil e de empregadores.<\/p>\n<p>\u00c9 cada vez mais comum ouvir relatos de pessoas com trabalho formal ou informal, mas sem condi\u00e7\u00f5es de pagar um quarto, empurradas para a rua ou para barracas improvisadas.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rios casos, o roteiro se repete: promessa de emprego, meses de subempregos no setor de limpeza, constru\u00e7\u00e3o ou servi\u00e7os, somados ao custo alto de transporte e alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando o aluguel em Lisboa passa a consumir quase tudo o que entra na conta, qualquer atraso em pagamento ou perda de jornada vira gatilho para despejo e para a entrada na estat\u00edstica de moradores em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n<p>Especialistas ouvidos em relat\u00f3rios p\u00fablicos atribu\u00edram o agravamento da crise de moradia em Portugal a tr\u00eas fatores principais: aumento do investimento estrangeiro em im\u00f3veis residenciais, boom do turismo a partir de 2015 e escassez de constru\u00e7\u00e3o de novas habita\u00e7\u00f5es a pre\u00e7os acess\u00edveis.<\/p>\n<p>O resultado direto \u00e9 um mercado que remunera melhor o aluguel de curto prazo para turistas do que contratos longos para fam\u00edlias de baixa renda, pressionando moradores em situa\u00e7\u00e3o de rua e empurrando trabalhadores de baixa qualifica\u00e7\u00e3o para periferias distantes ou para solu\u00e7\u00f5es improvisadas.<\/p>\n<p>O impacto da crise de moradia em Portugal tamb\u00e9m \u00e9 vis\u00edvel nas estat\u00edsticas do programa de retorno volunt\u00e1rio, financiado em parte pelo governo portugu\u00eas e voltado a imigrantes que n\u00e3o conseguem mais se sustentar no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O mecanismo oferece apoio log\u00edstico e financeiro m\u00ednimo para que estrangeiros retornem ao pa\u00eds de origem, independentemente do status migrat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o programa de retorno volunt\u00e1rio virou a \u00faltima porta de sa\u00edda para fam\u00edlias que se veem espremidas entre contratos caros e a perspectiva concreta de se tornarem moradores em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n<p>Em Carcavelos, uma das \u00e1reas mais valorizadas da Grande Lisboa, um acampamento cresceu em meio \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o da chamada Quinta dos Ingleses.<\/p>\n<p>Ali, barracas se organizam como se fossem quitinetes, com divis\u00f5es que lembram quarto, sala, cozinha e banheiro.<\/p>\n<p>O terreno arborizado, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 apenas um ponto alternativo de moradia: concentra outras barracas ocupadas por brasileiros em Portugal em situa\u00e7\u00e3o semelhante, que trabalham em faxinas, servi\u00e7os gerais ou constru\u00e7\u00e3o civil durante o dia e voltam \u00e0 noite para um cen\u00e1rio que mistura improviso, vulnerabilidade e tentativa de recome\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A partir de 2017, quando relat\u00f3rios de institui\u00e7\u00f5es portuguesas apontavam cerca de 4 mil pessoas sem teto em todo o pa\u00eds, a crise de moradia em Portugal deixou de ser um alerta abstrato para se tornar um cen\u00e1rio vis\u00edvel nas ruas de Lisboa. 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