{"id":7922,"date":"2014-07-10T10:54:58","date_gmt":"2014-07-10T14:54:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=7922"},"modified":"2014-07-10T13:07:13","modified_gmt":"2014-07-10T17:07:13","slug":"combatendo-a-circuncisao-feminina-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2014\/07\/10\/combatendo-a-circuncisao-feminina-nos-eua\/","title":{"rendered":"Combatendo a circuncis\u00e3o feminina nos EUA"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-7923\" src=\"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/circuncisao-feminina.jpg\" alt=\"circuncisao feminina\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/circuncisao-feminina.jpg 500w, https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/circuncisao-feminina-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p>Em meados do ano passado, uma adolescente nascida nos Estados Unidos de origem somali fugiu da casa dos pais num sub\u00farbio dessa cidade depois que descobriu que uma futura viagem de f\u00e9rias na Som\u00e1lia incluiria um rito sagrado de passagem: o corte de sua genit\u00e1lia. Na Guin\u00e9, uma nova-iorquina fugiu para a embaixada norte-americana depois que uma tia lhe contou que a viagem em fam\u00edlia incluiria a mutila\u00e7\u00e3o genital. E em Seattle, pelo menos um m\u00e9dico disse que os pais haviam enviado garotas \u00e0 Som\u00e1lia para passar pelo processo.<!--more--><\/p>\n<p>Pais imigrantes de na\u00e7\u00f5es africanas e de outras regi\u00f5es enviam h\u00e1 muito tempo as filhas para passar as f\u00e9rias de ver\u00e3o na casa de parentes, uma viagem cuja inten\u00e7\u00e3o \u00e9 ajud\u00e1-las a se conectar com suas fam\u00edlias e tradi\u00e7\u00f5es. Durante as estadias, algumas s\u00e3o levadas \u00e0s pressas a quartos ou ao mato e s\u00e3o sujeitadas ao corte genital na cren\u00e7a de que isso ir\u00e1 impedir a promiscuidade, prepar\u00e1-las para o casamento ou alinh\u00e1-las aos ideais de sua cultura.<\/p>\n<p>Conhecida entre os que se op\u00f5em \u00e0 pr\u00e1tica como &#8216;f\u00e9rias do corte&#8217;, o ato existe em enclaves de imigrantes espalhados pelo mundo h\u00e1 d\u00e9cadas. Uma lei federal proibiu a mutila\u00e7\u00e3o genital nos Estados Unidos a partir de 1996 e, no ano passado, tornou-se ilegal transportar garotas com esse prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, h\u00e1 quem se preocupe que tal processo possa estar aumentando. O n\u00famero de imigrantes africanos nos EUA mais do que quadruplicou nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas chegando a quase 1,7 milh\u00e3o, segundo dados do Census Bureau, equivalente norte-americano ao IBGE. O n\u00famero crescente chamou nova aten\u00e7\u00e3o para o assunto, e deu origem a uma pequena rede de apoio \u2013 por meio de um aplicativo de garotas e mulheres que foram v\u00edtimas do corte ou que acreditam que ser\u00e3o.<\/p>\n<p>Aproximadamente 228 mil mulheres e garotas nos Estados Unidos correm risco ou j\u00e1 foram mutiladas, segundo uma an\u00e1lise com dados do censo de meninas com 14 anos.<\/p>\n<p>No centro dessa nova rede se encontra Jaha Dukureh, 24 anos, imigrante de G\u00e2mbia que foi mutilada quando crian\u00e7a no pa\u00eds de origem e aos 15 anos em Nova York. Ex-funcion\u00e1ria do Wells Fargo e m\u00e3e de tr\u00eas filhos, ela mora em Atlanta. Em fevereiro, assinou uma peti\u00e7\u00e3o online pedindo que o presidente Barack Obama realizasse um estudo sobre o tema. Ela agora lida com centenas de mensagens via SMS, telefonemas e em redes sociais por semana de imigrantes que querem conversar sobre a mutila\u00e7\u00e3o, mas nunca tiveram a chance.<\/p>\n<p>Com diploma universit\u00e1rio, ao contr\u00e1rio de muitas das amigas imigrantes, Dukureh troca facilmente entre os pap\u00e9is que adotou nos \u00faltimos meses: assistente social, educadora de sa\u00fade, estrategista pol\u00edtica, coordenadora de m\u00eddia. As perguntas que ela recebe s\u00e3o \u00edntimas e universais. &#8216;Meninas que foram mutiladas ligam perguntando se poder\u00e3o fazer sexo e se vai doer&#8217;.<\/p>\n<p>&#8216;Ningu\u00e9m est\u00e1 falando nisso nos EUA. Ningu\u00e9m sabe. Quando digo o que estamos tentando fazer, as pessoas ficam chocadas&#8217;. Os deputados federais Joseph Crowley, de Nova York, e Sheila Jackson Lee, do Texas, ambos democratas, tamb\u00e9m falaram sobre a quest\u00e3o. Em junho, entregaram uma carta ao Congresso e a v\u00e1rias ag\u00eancias federais, solicitando um plano nacional para estudar e cuidar do problema da mutila\u00e7\u00e3o de meninas norte-americanas.<\/p>\n<p>Eles sugerem copiar as iniciativas brit\u00e2nicas, que estabeleceram uma linha telef\u00f4nica de ajuda para v\u00edtimas em potencial, criaram encartes nos passaportes explicando a lei relativa \u00e0 mutila\u00e7\u00e3o feminina e fizeram avisos repetidos a funcion\u00e1rios de escolas sobre os perigos da pr\u00e1tica. Em maio, v\u00e1rias ag\u00eancias brit\u00e2nicas de manuten\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica realizaram uma opera\u00e7\u00e3o com dura\u00e7\u00e3o de uma semana no Aeroporto de Heathrow visando pegar fam\u00edlias enviando garotas para serem mutiladas no exterior.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o da extirpa\u00e7\u00e3o da genit\u00e1lia feminina \u00e9 quase inexistente em muitas culturas africanas e do Oriente M\u00e9dia, mas \u00e9 muito arraigada em outras, ocorrendo principalmente em 29 pa\u00edses, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Os \u00edndices mais elevados s\u00e3o na Som\u00e1lia (98 por cento das mulheres s\u00e3o mutiladas), Guin\u00e9 (96 por cento), Djibuti (93 por cento), Eritreia (89 por cento) e Mali (89 por cento).<\/p>\n<p>A mutila\u00e7\u00e3o ocorre de muitas formas. \u00c0s vezes, um membro da comunidade corta apenas uma por\u00e7\u00e3o do clit\u00f3ris. Na maioria dos casos, o clit\u00f3ris pode ser removido, os l\u00e1bios s\u00e3o extirpados e unidos, criando-se um selo, com um pequeno buraco para a urina e a menstrua\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio da circuncis\u00e3o masculina, a pr\u00e1tica n\u00e3o tem benef\u00edcios de sa\u00fade. Ocasionalmente, ela \u00e9 acompanhada por casamento adolescente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meados do ano passado, uma adolescente nascida nos Estados Unidos de origem somali fugiu da casa dos pais num sub\u00farbio dessa cidade depois que descobriu que uma futura viagem de f\u00e9rias na Som\u00e1lia incluiria um rito sagrado de passagem: o corte de sua genit\u00e1lia. Na Guin\u00e9, uma nova-iorquina fugiu para a embaixada norte-americana depois que uma tia lhe contou que a viagem em fam\u00edlia incluiria a mutila\u00e7\u00e3o genital. 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