Ao mesmo tempo que o Supremo Tribunal dos Estados Unidos analisa um caso que vai definir o futuro das ações afirmativas nas admissões em universidades, o Estado da Califórnia já da pistas de como poderá ser.
A Califórnia foi um dos primeiros Estados a abolir a ação afirmativa na década de 90, e em seguida a admissão de latinos na Universidade da Califórnia caiu de mais de 15% para 12% e a de afro-americanos diminuiu para 3%. Nos câmpus mais competitivos, em Berkeley e Los Angeles, a queda foi ainda mais acentuada.

No entanto, esses números já foram recuperados. Este ano, 25% dos novos alunos inscritos são latinos, refletindo a crescente população hispânica, e 4% são afro-americanos. Um padrão semelhante de declínio e recuperação ocorreu em outras universidades estaduais que eliminaram a raça como um fator decisivo nas admissões.
Os resultados dessas ações dividem opiniões. Apesar de todos apoiarem os avanços do sistema da Universidade da Califórnia para a diversidade econômica – e não apenas racial -, defensores das admissões baseadas na raça reconhecem que o sistema reverteu a queda inicial no número de matrículas de afro-americanos e hispânicos, mas ainda dizem que não é suficiente.
Por isso, representantes de universidades públicas da Califórnia e alguns de seus colegas em todo o país têm se enfronhado em comunidades carentes, trabalhando com escolas, alunos e pais para identificar adolescentes promissores e fazer com que mais deles ingressem nas faculdades.
A necessidade de tal intervenção une as pessoas como Mark G. Yudof, presidente da Universidade da Califórnia, que acredita que a raça deveria ser um fator nas admissões, e Richard D. Kahlenberg, um membro sênior do Century Foundation, um grupo de pesquisa de tendência liberal que crítico proeminente da ação afirmativa baseada na raça.
Existem programas que aconselham os pais, programas para orientar estudantes universitários da comunidade para entrarem em faculdades superiores do Estado e programas para professores de escolas primárias e secundárias para melhorar seu método de ensino e conhecimento em cada matéria ensinada. Mas a maior parte da ajuda está voltada diretamente para os estudantes no ensino fundamental e médio de alto desempenho – visando alunos superdotados como Ramirez, assim como realizando esforços mais amplos para todos aqueles que queiram cursar uma faculdade.
Líderes das universidades admitem que é difícil medir a diferença que esses programas fazem. A maioria dos alunos que são auxiliados acabam cursando uma faculdade, mas normalmente são aqueles que tendem a estar entre os melhores alunos em suas escolas.















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