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Bate-Papo Exclusivo com o Cineasta Premiado Pedro Almodovar

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Roger Costa– O cineasta Pedro Almodovar é o diretor espanhol de maior reconhecimento internacional desde Luis Buñuel. Nascido em La Mancha em 1949, Almodovar mudou-se para Madrid em 1968, com o objetivo de fazer cinema. Sem dinheiro para pagar os estudos, ele conseguiu comprar uma câmera Super 8, com o dinheiro que economizou trabalhando numa companhia telefônica. Durante 1972 e 1978, ele produziu curtas que chamou a atenção ao redor do mundo por seu contexto de Movimento Pop, criado durante os anos do Governo Franco.

pedro almodovar exclusivo entrevista

Seu primeiro longa-metragem, “Pepi Luci Bom” foi lançado em 1980. Desde então Almodovar, já realizou 33 filmes como diretor, muitos outros como produtor e roteirista, venceu 2 Oscar, e conquistou fama mundial com seus filmes tão populares ao redor do globo. Sua próxima comédia, “I’m So Excited” é um dos filmes mais aguardados do verão, entra em cartaz no próximo dia 28. Tive o prazer de conhecê-lo há algumas semanas atrás durante sua visita a New York para promover o filme e bater um papo descontraído sobre sua carreira, a consagração, seus ideais e também a concepção da nova comédia.

*O homossexualismo é uma característica em seus filmes. Como esse fato é encarado na Espanha?

-Lá existe muito machismo, a sociedade ainda se mostra conservadora, especialmente as mulheres, não são aceitas, é um caso complicado. Mesmo com tantas mudanças, o país continua homofóbico e a igreja está muito preocupada com esse fato, para proteger as famílias. Existe uma revolução sexual acontecendo neste momento, no entanto, a homossexualidade é algo fortemente visível, mas o problema da aceitação é grande na Espanha. No caso de “I’m So Excited”, tento demonstrar a bisexualidade como parte de nossa sociedade, muitos não falam a respeito, mas existe muito lá.

*O movimento de expressão criado nos anos 70, influenciou grande parte de seus filmes. Onde esse aspecto se encaixa no novo filme?

-O filme é uma homenagem aquele período marcante na história política da Espanha, onde todos os aspectos estão unidos a bordo de um avião sem destino, e resolvem tomar o famoso coquetel alucinógeno para melhor aproveitarem a viagem.

*Existe alguma metáfora acerca da sociedade espanhola e a crise econômica entre os acontecimentos dentro do avião?

-Eu construí o filme com o objetivo de servir como uma válvula de escape à realidade, e tudo ocorre entre as nuvens, lugar mais irreal impossível. O fato do avião estar dando voltas em círculos, buscando um lugar seguro para pousar, sem certeza do que há de acontecer, é uma metáfora à sociedade espanhola e os impactos que vivemos neste momento. O aeroporto abandonado também é uma metáfora, pois ele existe, está presente, mas não funciona. Na Espanha temos 17 aeroportos nessas condições.

*Me fale um pouco sobre seu relacionamento com a Bahia.

-Eu amo a Bahia, e sempre sonhei em fazer uma sequência de algum filme lá em alguma daquelas praças. Minha experiência lá tem sido através de Caetano Veloso, que me convida e me apresenta a cidade, me apresenta a várias personalidades, músicos, artistas, mas acima de tudo, o que mais me toca, é quando lembro da imagem dos tocadores de tambor pelas ruas. Nunca presenciei algo tão primitivo e ao mesmo tempo comovente assim em minha vida. Foi uma experiência impactante.

*Tem planos de realizar algum filme fora da Espanha?

-Alimento a tentação de fazer um filme brasileiro. Caetano costuma brincar que ele é o cineasta brasileiro, e eu replico que sou “o cineasta brasileiro que vive fora de lá”. Sinto-me parte do Brasil, me identifico muito com essa exuberância em todos os aspectos da natureza, da arquitetura, da cultura, da alegria do povo. Tive a oportunidade de fazer um filme aqui nos Estados Unidos, (o drama “The Paperboy”) mas sem querer criticar ninguém, o filme, o elenco era tudo um grande equívoco. Quero muito fazer um filme aqui, trabalhar com grandes estrelas como Jessica Chastain, Meryl Streep ou Kate Winslet, essas atrizes têm aquela luz, aquela pele própria para as lentes do cinema, que absorve toda a luz.


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