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Acre: de rota do tráfico a mercado consumidor de drogas

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acreAs regiões de fronteira do Brasil estão deixando de ser apenas áreas de passagem do tráfico de drogas para se tornar mercados consumidores.

O aumento do narcotráfico e outros crimes na fronteira do Acre com o Peru e a Bolívia fez com que o governador do estado, Tião Viana, solicitasse ajuda da Força Nacional de Segurança Pública, tropa de choque subordinada ao Ministério da Justiça.

Em 30 de setembro, o governo federal autorizou o uso da Força Nacional no estado por 180 dias, prazo que pode ser prorrogado. Com uma área de 164.123 km2 e 776.463 habitantes, o Acre tem 2.000 km de fronteira com a Bolívia e o Peru. Esta região é cortada por rios, o que facilita o tráfico de drogas e dificulta o trabalho das forças de segurança.

A situação nas regiões da fronteira piorou com a chegada do crack a partir da década de 90, diz o padre Mássimo Lombardi, reitor da Catedral Nossa Senhora de Nazaré e coordenador da Pastoral Diocesana em Rio Branco, capital do Acre.

“Um grama de cocaína se transforma em dezenas de pedras de crack”, diz o padre. “Com apenas R$ 2, a pessoa se droga nas bocas de fumo das periferias.”

Padre Mássimo, 68 anos, faz um trabalho pastoral nas prisões do estado uma vez por semana. Ele diz que é nítido o aumento no número de detentos jovens por conta de envolvimento com drogas.

A violência associada às drogas tem aumentado também nas escolas da região.

Nas áreas de fronteira, 1 kg de cocaína custa cerca de US$ 1.200. Nas outras regiões do país o preço chega a ser seis vezes maior, segundo o delegado Maurício Moscardi, chefe da Delegacia de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal no Acre.

Moscardi diz que o reforço no combate ao tráfico aumentou na mesma proporção que o consumo. Ele afirma que as apreensões crescem a cada ano.

“No ano passado, foram apreendidos 700 kg de cocaína no estado do Acre, 180 kg a mais do que no ano anterior”, diz o delegado.

Para ele, os acordos internacionais com a Bolívia e o Peru têm sido fundamentais na repressão ao tráfico de drogas.

“Essas parcerias permitem muita troca de informações de inteligência. Como não temos soberania no país vizinho, muitas vezes precisamos, por exemplo, de informações sobre um determinado traficante que está naquele país. Só eles podem ajudar.”

Os acordos incluem operações em conjunto e intercâmbio de policiais entre os países.

Em 6 de janeiro, a Polícia Federal (PF) anunciou que 2013 teve um recorde na apreensão de cocaína, maconha e bens de organizações criminosas do tráfico de drogas em todo o Brasil. Foram apreendidos mais de 256 t de drogas – 35,7 t de cocaína e 220,7 t de maconha – e R$ 80,1 milhões em bens.

A PF creditou o recorde ao reforço policial nas fronteiras por meio das iniciativas do governo federal Crack É Possível Vencer e Plano Estratégico de Fronteiras.

O delegado Moscardi também defende a bandeira da prevenção.

“Como é um caso de saúde pública, tem que ser feito um esforço grandioso para tentar implementar uma cultura preventiva, principalmente nas escolas”, diz Moscardi. “Mas não é dar uma palestra e achar que resolveu. É preciso um trabalho contínuo e eficaz de prevenção.”


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