
Um tribunal egípcio sentenciou à morte na segunda-feira 529 membros da proscrita Irmandade Muçulmana, sob acusação de homicídio e outros crimes, numa forte escalada da repressão ao movimento, o que deve contribuir para a instabilidade no país.
Familiares ficaram em frente ao tribunal gritando depois do veredicto – a maior condenação em massa à pena capital na história moderna do Egito, segundo os advogados. Em protesto, simpatizantes dos réus atearam fogo a uma escola próxima, segundo a TV estatal.
A turbulência no Egito se aprofundou desde julho, quando o Exército depôs o primeiro presidente democraticamente eleito da história do país, Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana. As forças de segurança já mataram centenas de manifestantes da Irmandade nas ruas, e prenderam milhares de outros.
A maioria dos réus condenados na segunda-feira havia sido presa durante confrontos na província de Minya, sul do país, em agosto. “A corte decidiu sentenciar à morte 529 réus, e 16 foram absolvidos”, disse o advogado de defesa Ahmed al Sharif à Reuters. Os condenados podem recorrer. A TV estatal noticiou as sentenças sem fazer comentários, e um porta-voz governamental não respondeu de imediato aos telefonemas feitos pela Reuters.
A Irmandade Muçulmana, agora na clandestinidade, respondeu em seu site com a defesa da “queda do regime militar”. As sentenças foram proferidas dias antes de o comandante das Forças Armadas, marechal Abdel Fattah al Sisi, anunciar oficialmente que será candidato na eleição presidencial deste ano, na qual ele é amplamente favorito. No julgamento iniciado no sábado em Minya, as acusações envolviam violência, incitação ao homicídio, a invasão de uma delegacia de polícia, lesões corporais e vandalismo contra o patrimônio público e privado. “Este é o processo mais rápido, e o número de sentenciados à morte é o maior na história do Judiciário”, disse o advogado Nabil Abdel Salam, que defende alguns líderes da Irmandade, inclusive Mursi.















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