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Desaparecimento do suíço, base do filme “A lista de Schindler”, ainda é um mistério 70 anos depois

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_Raoul Wallenberg memorial

Parentes de Raoul Wallenberg, o salvador de milhares de judeus húngaros que misteriosamente desapareceu nas mãos dos soviéticos depois da guerra, lembram, neste sábado, os 70 anos de sua morte, que ainda esperam esclarecer.

Raoul Wallenberg foi um desses Justos que trabalharam para salvar judeus do Holocausto. Em 1944, em Budapeste, ele distribuiu passaportes de proteção que identificava seus portadores como cidadãos suecos que aguardavam repatriamento.

Em 17 de janeiro de 1945, ele foi convocado ao quartel-general do Exército Vermelho e desapareceu em condições obscuras. Ele morreu oficialmente em uma prisão de Moscou durante o verão de 1947, aos 35 anos de idade, mas sua família e pesquisadores duvidam desta versão.

“Em 1957, as autoridades soviéticas asseguravam ter um único documento sobre Wallenberg, seu suposto atestado de óbito manuscrito. Após a queda da União Soviética, os russos apresentaram numerosos documentos relativos aos suecos, e hoje não há dúvida que nem todos foram produzidos”, explica à AFP Ingrid Carlberg, que escreveu uma biografia exaustiva sobre Raoul.

“É possível descobrir a verdade”, insiste Nina Lagergren, meia-irmã de Raoul Wallenberg.

Aos 93 anos, ela deseja saber a verdade. Em julho, ela participou em Washington de uma homenagem ao herói, tornado cidadão de honra americano em 1981.

“É necessário que a Rússia abra seus arquivos. Já se passaram 70 anos desde que desapareceu, sua irmã ainda está viva e à espera de uma resposta. É uma pena que a Rússia ainda esteja brincando de gato e rato”, insiste Carlberg.

Um grupo de pesquisadores apresentou recentemente pistas inéditas, prova de que nem tudo foi dito.

Não se sabe as razões para a sua detenção e prisão, talvez por espionagem, e certeza sobre o momento de sua morte nunca foi estabelecida.

Salvador de 100.000 pessoas

A Suécia nunca esteve tão envolvida no caso. Por muito tempo, “o comportamento no ministério das Relações Exteriores e a falta de interesse eram realmente estranhas”, afirma Lagergren.

Viva e elegante, ela cultiva uma memória muito lúcida de seu irmão, quase uma década mais velho.

“Nós (o seu irmão Guy von Dardel, falecido em 2009, e ela mesma) sempre o admiramos. Ele era extremamente divertido e amoroso.”

Em seu charmoso apartamento no subúrbio de Estocolmo, Nina Lagergren dedicou uma sala inteira a “Raoul”, onde reúne seus arquivos, muitos quadros e obras de arte.

Vivendo em Berlim no início do verão de 1944, ela foi a última pessoa da família a vê-lo vivo.

Enviado a Budapeste pela Comissão de Refugiados de Guerra, uma agência americana criada para salvar as vítimas civis dos nazistas, fornecendo documentos de identidade de países neutros, como a Suécia, ele colocou toda a sua energia e imaginação à serviço do resgate dos judeus de Budapeste.

De acordo com algumas estimativas, teria salvado até 100.000 pessoas.

“Em seus telegramas de poucas linhas, conseguíamos compreender a situação”, sugere Lagergren.

Em 2001, ela participou da criação da Academia Raoul Wallenberg, que visa incentivar os jovens a “agir em favor da igualdade”.


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