
O aumento no consumo de cannabis, o retorno do ecstasy e a expansão do tráfico de drogas na internet são as principais conclusões do relatório de 2016 do Observatório Europeu de Drogas e Dependência Química, apresentado terça-feira.
Mais de 88 milhões de adultos, ou seja, mais de um quarto das pessoas com idades entre 15 e 64 anos já usaram drogas ilícitas na União Europeia, recordou o OEDT no seu relatório anual, apresentado em Lisboa.
“A Europa enfrenta problemas cada vez mais importantes com as drogas. A oferta e a demanda de novas substâncias psicoativas, estimulantes, heroína e outros opiáceos continuam a aumentar, o que tem consequências importantes em termos de saúde pública”, disse Dimitris Avramopoulos, comissário europeu para Assuntos Internos, citado no estudo.
O mercado de drogas ilícitas na UE foi avaliado em 24 bilhões de euros em 2013. Com 38%, a cannabis (importada ou produzida localmente) representa a parte mais importante deste mercado e sua produção tornou-se “o maior gerador de renda para o crime organizado”, de acordo com o OEDT. Em seguida vem heroína (28%), cocaína (24%), anfetaminas (8%) e ecstasy (3%).
A cannabis também representa três quartos das apreensões de drogas na Europa (50% para a erva e 24% para a resina), bem à frente da cocaína e do crack (9%), anfetaminas (5%), heroína (4%), ecstasy (2%), etc. O observatório avalia o percentual de adultos americanos que consomem cannabis quase diariamente em 1%.
A quantidade do princípio ativo da erva (de 8% a 12% de tetrahidrocannabinol, THC) e da resina de cannabis (de 12% a 18% de THC) sofreu um aumento histórico, “que se deve talvez ao surgimento de técnicas de produção intensiva na Europa e, mais recentemente, à introdução de plantas com forte quantidade de princípio ativo no Marrocos”.
Embora a cannabis continue a ser a droga mais consumida na Europa (51,4 milhões de homens e 32,4 milhões de mulheres experimentaram pelo menos uma vez), o OEDT observa uma vasta gama de possibilidades, especialmente com “uma retomada” do ecstasy, “tanto entre os consumidores de estimulantes clássicos como entre uma nova geração de jovens consumidores”.
O observatório ressalta que “o potencial de expansão da oferta de drogas através da internet parece notável”, com o mercado “darknets”, redes clandestinas sem referência, criptografia de dados e pagamento difícil de rastrear, uso de moeda eletrônica tipo bitcoin, embora a maioria das transações ocorra offline.
Em 2014, pelo menos 6.800 pessoas morreram de overdose na União Europeia, sobretudo de heroína, com “preocupantes” aumentos na Irlanda, Lituânia, Suécia e Reino Unido.















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