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A vida dos imigrantes brasileiros que decidiram recomeçar em Israel

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Há quatro anos, o designer paulista Bernardo Bromberg deixou para trás sua própria empresa ao imigrar para Israel com a esposa e os três filhos.

Uma semana depois de desembarcar, recebeu uma proposta para trabalhar na segunda maior importadora de autopeças israelense, a ABC. Bromberg não hesitou em aceitar a vaga. Só que o posto não era de gerência ou direção e, sim, nos armazéns da empresa, para contagem e etiquetagem de produtos. Nos últimos anos, cada vez mais brasileiros, a maioria de classe média alta, vem trocando o Brasil por Israel. Entre os motivos, estão a violência e a crise econômica.

Mas, uma série de obstáculos faz com que a grande maioria, assim como Bromberg, tenha que aceitar empregos de menor qualificação, tendo de recomeçar do zero. Desde sua fundação, em 1948, Israel vinha recebendo uma média de 150 a 200 imigrantes brasileiros por ano. Mas um recorde foi registrado em 2016, quando o número chegou a 1 mil, e neste ano a marca deve ser superada. Além disso, verificou-se também uma mudança no perfil do imigrante brasileiro.

No passado, jovens com menos de 30 anos representavam a maior parte dos chamados “novos imigrantes” (conhecidos como “olim chadashim”, em hebraico). Eles tinham origem judaica e defendiam a ideologia sionista – a de que Israel é a casa dos 14 milhões de judeus do mundo. Muitos optavam pela vida comunitária em vilarejos de economia compartilhada – os chamados kibutz.

Outros privilegiavam estudar nas universidades israelenses, pois imigrantes de ascendência judaica recebem benefícios com base na chamada “Lei do Retorno” (segundo a qual judeus da Diáspora têm direito de receber imediatamente cidadania israelense). Já os mais recentes não se mudaram para Israel por motivação puramente religiosa ou sionista. Tampouco têm necessariamente origem judaica – são convertidos ou casados com judeus.

Todos os imigrantes, recentes ou não, recebem uma “cesta básica” que inclui universidade gratuita para jovens, auxílio financeiro de até um ano, seguro saúde por seis meses e subsídios temporários para moradia, compra de carro e financiamento de imóveis. Mas a ajuda nem sempre cobre o alto custo de vida no país. Neste sentido, se trabalhar como garçom ou telefonista de telemarketing era, antes, uma opção temporária para os estudantes, se tornou uma necessidade para muitos dos imigrantes de meia-idade e com crianças para sustentar. Um ponto positivo, contudo, é a receptividade dos israelenses. Diferentemente de muitos países europeus, os novos imigrantes não são mal vistos pela sociedade – diante da noção de que, em geral, são judeus que “retornam” à Terra Prometida. Hoje, Bromberg é gerente de logística da empresa de importação na qual começou como etiquetador.


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