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Número de moradores de rua dispara na capital da miséria dos Estados Unidos

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“Nunca foi tão ruim.” Quem diz isso enquanto caminha pela Six Street, centro de Los Angeles, Califórnia, viu de tudo em se tratando de miséria. É o policial Deon Joseph, que tem vinte anos de experiência patrulhando na delegacia Central da cidade, situada em meio à maior concentração de pessoas morando nas ruas, o bairro conhecido como Skid Row.

Os números oficiais dão razão ao policial. Pelo menos no tempo que ele está no bairro, a situação nunca esteve tão ruim. A situação dos moradores em situação de rua em Los Angeles, que as autoridades locais já qualificaram de “emergência”, se tornou uma questão nacional, quando foram divulgados os últimos números do fenômeno nos Estados Unidos.

O aumento espetacular no condado de Los Angeles, com 23% a mais de sem-teto em um ano, chegando a quase 58.000 pessoas, explica em si os números nacionais. Se não fosse pela região de Los Angeles, a população sem teto teria caído 1,5%. Os números aumentaram em toda a Costa Oeste. Das sete regiões urbanas com mais pessoas sem teto, cinco estão no Pacífico (Los Angeles, Seattle, San Diego, San José e San Francisco).

Nos Estados Unidos há 553.000 pessoas sem moradia segundo o último censo do Departamento de Habitação publicado no início de dezembro. Um em cada cinco vive em New York ou em Los Angeles. Em números absolutos, a cidade de New York é a que mais tem sem tetos, acima de 76.000. A diferença é que em New York, 90% têm onde passar a noite. Três em cada quatro pessoas sem teto em Los Angeles não têm cama em algum albergue ou solução temporária.

Além disso, a diferença no clima (a temperatura máxima em Nova York semana passada foi de -5 graus e em Los Angeles, 26) faz com que as pessoas fiquem ao ar livre, nas calçadas de toda a cidade. E em Skid Row é onde esse teatro da miséria norte-americana se mostra mais cru. Nas 50 quadras de Skid Row se concentra a metade dos sem tetos da cidade de Los Angeles.

O policial Deon Joseph patrulha a pé andando pelo meio da Six Street, porque não é possível usar as calçadas. São uma mistura de barracas de camping, lixo e ferro-velho, onde vivem milhares de pessoas. De vez em quando, o cheiro é repugnante. Alguns se aproximam para cumprimentar ou contar seus problemas. Joseph diz que essas pessoas se tornaram vítimas das gangues, que cobram pelo espaço nas calçadas, em dinheiro (até 200 dólares por mês) ou em serviços, desde o tráfico de drogas até a prostituição.

A situação está se ampliando há dois anos para fora do centro da cidade. As barracas aparecem da noite para o dia em toda Los Angeles e é tão evidente que os eleitores aprovaram duas vezes em referendo aumentar os impostos para arrecadar um total de 4,7 bilhões de dólares em 10 anos para construir moradias permanentes para pelo menos 15.000 pessoas sem teto e os serviços de que necessitam. Na semana passada, o prefeito inaugurou a primeira dessas obras.


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