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Estudantes brasileiros sofrem com bullying recorde em escolas no Japão

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No mês passado, o brasileiro Sandro Kimura, de 47 anos, foi surpreendido pela notícia de que a filha, de 16 anos, havia sofrido uma ameaça de morte na escola. O caso aconteceu na província de Nagano, região central do Japão.

Embora não haja dados oficiais, especialistas que atuam em entidades destinadas ao apoio dos estudantes acreditam que o problema é comum para a maioria das crianças com raízes estrangeiras no Japão, e o fato de serem diferentes dos japoneses os torna alvos fáceis nas salas de aula.

“Nas escolas do Japão, é muito comum que as crianças que são diferentes do grupo se tornem vítimas. O fato de ter um rosto, cor de pele, nome diferentes dos japoneses ou simplesmente ter pais estrangeiros é suficiente para que a criança seja excluída do grupo, ridicularizada”, explica Iki Tanaka, responsável pelo YSC Global School, gerenciada pela organização Youth Support Center, com sede em Tóquio.

Tanaka é responsável por prestar apoio a crianças e adolescentes estrangeiros com dificuldades de adaptação e já atendeu mais de 1000 jovens de 40 países em mais de uma década. “Especialmente as crianças com raízes estrangeiras que estudam ou já estudaram em escolas japonesas foram vítimas de bullying em algum momento. É difícil encontrar uma criança que nunca tenha sofrido”, revela.

O bullying é considerado um problema social grave no Japão, responsável pelo suicídio de menores de idade todos os anos. Em 2019, pelo segundo ano consecutivo, mais de 300 crianças e jovens tiraram a própria vida, segundo os dados do Ministério da Educação (MEXT).

O governo japonês também mantém um levantamento anual da ocorrência de bullying nas escolas. De acordo com os dados divulgados em 2020, foram 612 mil casos reportados por 30 mil escolas no ano anterior, um dado que superou todas as estatísticas.

Apesar da gravidade do problema, é raro que as escolas tomem medidas mais duras para combatê-lo. O plano preventivo envolve ações como a distribuição de enquetes anônimas para incentivar os alunos a reportarem os casos ou ainda a notificação dos órgãos governamentais.

Para muitos especialistas, o país está longe de resolver a questão. A falta de medidas enérgicas faz com que a situação evolua para episódios mais graves, causando consequências psicológicas que podem afetar a vida da vítima por muitos anos.

Autor de livros sobre o tema, Asao Naito é um dos principais pesquisadores sobre casos de bullying e acredita que a escola japonesa é um ambiente sem leis, onde crimes ocorrem e nada acontece com os agressores.

Para muitos estrangeiros que cresceram no Japão, enfrentar o sistema educacional repleto de regras rigorosas, bullying e pressão é um grande desafio. Quem passa por dificuldades de socialização ou com o idioma japonês pode acabar tendo que enfrentar questões que se refletem na vida adulta.

Asao Naito, que pesquisa o bullying há décadas, acredita que o sistema escolar no Japão é totalitário. Segundo ele, não há espaço para individualidades e, de modo geral, a sociedade japonesa está tão acostumada com o sistema que o considera natural.


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