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EUA querem fim do desmatamento no Brasil até 2030 e resultados imediatos

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O novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden , já começou sua campanha de pressão sobre o Brasil para uma mudança em sua política para o meio ambiente. O que o governo americano deseja são ações concretas imediatas, com resultados palpáveis ainda neste ano. A longo prazo, o objetivo é garantir que a administração brasileira acabe totalmente com o desmatamento ilegal no país até 2030.

Em conversa com jornalistas, um integrante do Departamento de Estado americano disse que a Casa Branca espera demonstrações fortes e rápidas de que pode construir uma relação de confiança com o governo de Jair Bolsonaro neste tema. Em uma carta enviada ao presidente brasileiro em fevereiro, Biden já havia dito esperar por alguma evidência do comprometimento antes da cúpula global do clima que está organizando para abril, e para a qual Bolsonaro foi convidado.

“Queremos um comprometimento claro para acabar com o desmatamento ilegal e um sinal político de que essa prática não será tolerada”, disse o oficial, que pediu para não ser identificado. “Gostaríamos de ver uma queda real nos níveis de desmatamento ainda neste ano. Não vamos esperar por mais 5 ou 10 anos, nem por um compromisso em 2050”.

Foco de calor direto em floresta, próximo a área recém desmatada, com alerta Deter, em Alta Floresta (MT).Todos os anos, o Greenpeace Brasil realiza uma série de sobrevoos de monitoramento para registrar o avanço do desmatamento e das queimadas na Amazônia. Em julho de 2020, monitoramos pontos com alertas do Deter e de pontos de calor, do Inpe, nos estados do Pará e Mato Grosso.

O Departamento de Estado não traçou metas específicas para a redução da destruição florestal, mas deixou claro em suas conversas com membros do governo de Bolsonaro que tem um plano ambicioso para o Brasil e espera que as leis ambientais sejam cumpridas de forma rigorosa a partir de agora. “O governo brasileiro precisa nos mostrar que não irá tolerar a ilegalidade e não irá fingir que não está vendo o que acontece [na Amazônia]”, disse.

Dados de monitoramento por satélite divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que a taxa de desmatamento na Amazônia aumentou 34% em 2020, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Essa foi a segunda alta consecutiva nos primeiros dois anos de gestão do presidente Jair Bolsonaro.

O governo de Biden se disse disposto a continuar fornecendo auxílio técnico, tecnológico e até material para o monitoramento das áreas desmatadas e controle de queimadas. Os americanos reconhecem, porém, a necessidade do governo tomar as rédeas da própria situação e criar mecanismos internos para garantir que as leis sejam aplicadas e que as comunidades locais e os indígenas sejam capazes de construir uma economia sustentável.

Recompensas financeiras

Ainda segundo o funcionário do Departamento de Estado, o Brasil poderá ser recompensado financeiramente pelos avanços conquistados. “Estamos dispostos a negociar uma agenda de compensação financeira. Se o Brasil puder reduzir seu desmatamento e demonstrar que tem um mecanismo eficaz para evitar o corte da árvore, então haveria pagamentos da comunidade global”, disse.

A princípio, a ideia é realizar os pagamentos a partir dos resultados, e não fazer investimentos adiantados. “Precisamos de uma ação imediata para ajudar na construção de uma relação de confiança. Se o mundo vai fazer um investimento para ajudar a evitar o desmatamento, é preciso que os investidores vejam resultados”, afirmou o oficial, sob condição de anonimato.

Mas o membro do governo americano admitiu que algum investimento prévio pode ser necessário para iniciar a mudança. “Estamos avaliando como combinar as duas coisas. Pagamentos que podem vir de países, os EUA poderiam contribuir com parte disso, mas outra parte poderia vir tanto do setor público como do privado”.

Sanções

Questionado sobre a possibilidade de aplicar sanções contra o governo brasileiro ou empresas que descumprem a legislação ambiental nacional, o oficial do Departamento de Estado afirmou que os Estados Unidos ainda não enxergam essa como uma possibilidade. “Neste momento não vemos as sanções como um ponto de partida”, disse. “Mas não significa que nós nunca consideramos a possibilidade. Significa apenas que neste momento não pretendemos começar nossa conversa a partir disso”.

Fundo emergencial

Desde que assumiu a Casa Branca em janeiro, Joe Biden trata a questão do meio ambiente como prioridade. O democrata prometeu eliminar as emissões de carbono do setor elétrico dos EUA até 2035 e já tratou diversas vezes do desmatamento da Amazônia. Ele, inclusive, anunciou durante a campanha eleitoral a intenção de criar um fundo de 20 bilhões de dólares para preservar a região. Segundo o Departamento de Estado, essa proposta está sendo desenvolvida e deve ser colocada em prática em breve.

Na época que o fundo foi anunciado, o presidente Jair Bolsonaro disse que não está disposto a aceitar suborno e acusou mais uma vez os governos estrangeiros dos Estados Unidos e da Europa de ameaçar a soberania nacional. “Reconhecemos a soberania do Brasil ao lidar com questões em relação à Amazônia”, disse o oficial do governo americano na conversa desta segunda. “Mas queremos usar nossa parceria para encorajar o Brasil a atingir metas mais ambiciosas”. A relação entre o Brasil e os Estados Unidos se tornou mais complexa desde que Biden assumiu o cargo. O governo de Bolsonaro mantinha uma relação próxima com seu antecessor, Donald Trump, e chegou inclusive a apoiar as contestações falsas do republicano sobre o resultado das eleições. Bolsonaro ainda é considerado no exterior um líder sem compromisso com a proteção do ambiente, posição que entra em conflito direto com as metas do governo Biden.


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