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Bolsonaro faz promessas sobre desmatamento, mas EUA querem ação

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Numa mudança de postura — ao menos no discurso —, o presidente Jair Bolsonaro prometeu, na Cúpula dos Líderes sobre o Clima, que o Brasil deixará de emitir gases do efeito estufa até 2050, meta mais ambiciosa do que aquela estabelecida pelo governo de Michel Temer, de fazer o mesmo até 2060. De acordo com o chefe do Planalto, já em 2025, a redução das emissões de carbono será de 37%. Para 2030, o compromisso é de diminuir em 40% as emissões e erradicar o desmatamento ilegal.

As declarações de Bolsonaro foram marcadas por informações verdadeiras e falsas. No início do discurso, por exemplo, ele afirmou que o Brasil foi responsável por menos de 1% das emissões de gases do efeito estufa, nos últimos 200 anos, e responde por somente 3% do que é lançado na atmosfera hoje, o que não condiz com a realidade.

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Bolsonaro destacou que “somos pioneiros na difusão de biocombustíveis renováveis, como o etanol, fundamentais para a despoluição de nossos centros urbanos”. “No campo, promovemos uma revolução verde a partir da ciência e da inovação. Produzimos mais com menos recursos, o que faz da nossa agricultura uma das mais sustentáveis do planeta.” De acordo com o chefe do Executivo, o país tem o mérito de preservar a floresta amazônica. “Temos orgulho de conservar 84% do nosso bioma amazônico e 12% de toda a água doce da Terra. Como resultado, somente nos últimos 15 anos, evitamos a emissão de mais de 7,8 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera”, disse. “À luz de nossas responsabilidades comuns, porém diferenciadas, continuamos a colaborar com os esforços mundiais contra a mudança do clima.”

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Ao mencionar os atos de preservação do Brasil, Bolsonaro voltou a pedir recursos, o que já era esperado por especialistas, pois já constava da carta enviada pelo mandatário ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, na semana passada. “É preciso haver justa remuneração pelos serviços ambientais prestados por nossos biomas ao planeta, como forma de reconhecer o caráter econômico das atividades de conservação. Estamos, reitero, abertos à cooperação internacional”, enfatizou. O discurso de que o país precisa de mais recursos para conseguir preservar o meio ambiente, no entanto, tem sido amplamente criticado por ambientalistas e especialistas internacionais. A narrativa vai de encontro, inclusive, a falas do próprio Bolsonaro. Em agosto de 2019, ele disse que o Brasil não precisava de dinheiro da Alemanha, por exemplo, para preservar a Amazônia.

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O chefe do Planalto ressaltou, ainda, que o chamado dos EUA para a preservação do clima coincide com as ações que estão sendo adotadas pelo governo brasileiro. Falou também sobre a importância de investir em bioeconomia e disse que isso deve contemplar os interesses de todos os brasileiros, incluindo indígenas e a sociedade em geral. Para que essa estratégia tenha êxito — destacou —, o Brasil precisa contar com a contribuição de outros países e da iniciativa privada. Segundo Bolsonaro, as ações pela preservação ambiental devem ter foco, ainda, em elevar as condições da população que vive no bioma amazônico. “Devemos enfrentar o desafio de melhorar a vida dos mais de 23 milhões de brasileiros que vivem na Amazônia, região mais rica do país em recursos naturais, mas que apresenta os piores índices de desenvolvimento humano”, afirmou.

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Cautela

O compromisso do mandatário foi saudado pelos Estados Unidos, que, no entanto, querem ações, não apenas discurso. O enviado especial dos EUA para o Clima, John Kerry, afirmou: “Alguns dos comentários que o presidente Bolsonaro fez hoje (ontem) me surpreenderam, e isso é muito bom. Vão funcionar essas coisas se forem feitas. A questão é: eles vão cumprir? A questão é: como será feito e de que forma?” De acordo com um porta-voz do Departamento de Estado americano, o país notou “o tom positivo e construtivo nos comentários do presidente Bolsonaro na Cúpula de Líderes”. “Alcançar a neutralidade de carbono até 2050, 10 anos antes do que o compromisso anterior, é significativo, particularmente sem condições prévias. A duplicação dos fundos disponíveis para aplicação também será crucial para eliminar o desmatamento ilegal”, destacou. “Estamos satisfeitos que o presidente Bolsonaro reconheceu o importante papel do setor privado em nos ajudar a encontrar soluções. Também concordamos com sua ênfase de que os povos indígenas e as comunidades tradicionais devem estar envolvidos para proteger as florestas e a biodiversidade.”

Conforme o porta-voz, “muitos detalhes ainda serão resolvidos, e é justo perguntar a todos os países, Estados Unidos, Brasil e outros, como vamos alcançar nossos ambiciosos objetivos”. “Nossa credibilidade dependerá de ter planos sólidos, fazer o trabalho e permanecer incessantemente focados nos resultados. Entendemos que alcançar metas ambiciosas requer recursos, e os Estados Unidos estão comprometidos em ser um parceiro do Brasil nesse esforço”, enfatizou. “Esperamos continuar trabalhando em conjunto com o Brasil para expandir nosso diálogo e nossa cooperação, baseando-nos em nossas décadas de cooperação em desafios ambientais compartilhados.” // Correio Braziliense.


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