
Há 113 anos, um pedaço de Cuba está sob o controle dos Estados Unidos por um aluguel anual equivalente ao que se paga mensalmente por um bom apartamento em uma grande cidade. A história da locação de Guantánamo está cheia de curiosidades e é um dos principais obstáculos no processo de reaproximação iniciado pelos dois países em 17 de dezembro de 2014.
Guantánamo está em poder do governo americano desde 1903, quando os Estados Unidos intervieram na guerra de Cuba contra a Espanha pela independência em 1898. Em 16 de fevereiro de 1903, os presidentes de ambos os países, Tomás Estrada Palma e Theodore Roosevelt, assinaram um acordo segundo o qual Cuba cedia aos Estados Unidos, “pelo tempo necessário e para os propósitos de estação naval e estação carvoeira”, dois territórios, em Guantánamo e em Bahía Honda. Este último nunca foi efetivado.
Em 2 de julho de 1903, ambos os países assinaram um tratado no qual se especificavam os detalhes da locação. Por exemplo, que os Estados Unidos se encarregariam da manutenção das cercas ao redor de Guantánamo. E também o preço do aluguel: “A soma anual de 2 mil dólares em moedas de ouro dos Estados Unidos”.
O preço era alto para a época, mas Cuba não incluiu no contrato nenhum tipo de ajuste. Por isso, o aluguel dos 116 quilômetros quadrados continua a ser ínfimo em valores atuais. Desde a Revolução em 1959, Cuba só cobrou uma vez o cheque do aluguel anual.
Desde 1960 até hoje eles nunca foram cobrados e se mantêm como registro de um arrendamento imposto durante mais de 107 anos”. Após a Revolução, as relações entre os países foram cortadas, mas o governo americano manteve Guantánamo. Os anos passaram e os Estados Unidos foram reinterpretando os usos de “estação naval e carvoeira” especificados no acordo.
Como parte dessa reinterpretação, decidiram abrir em 2002 uma prisão na base de Guantánamo, criticada pela comunidade internacional e para cujo fechamento o presidente Obama apresentou, no mês passado, um plano que depende da aprovação do Congresso. Mas enquanto isso, a base e a prisão continuam funcionando. Um total de 5.394 pessoas, entre militares e civis, trabalham ali todos os dias, segundo a base confirmou à BBC Mundo.
E por causa disso, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos continua enviando os cheques a Cuba. O preço do aluguel: US$ 4.085 por ano, segundo o último ajuste que os Estados Unidos fizeram em 1973. Mas Cuba não os cobra, e os cheques, segundo Strauss, são anulados se não são cobrados em um ano.















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