
A economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, em Washington, acredita que a chegada de Donald Trump à Casa Branca não deve afetar a relação bilateral entre os Estados Unidos e o Brasil, que continuará ocupando um espaço periférico na política americana. Bolle alerta, no entanto, que a promessa do republicano de cortes de impostos em um cenário econômico já aquecido pode acelerar a inflação na maior economia do mundo, trazendo reflexos negativos para o Brasil.
Ela afirma que ainda há muitas dúvidas sobre como o Governo de Trump atuará, mas uma coisa parece certa: ele adotará políticas fiscais mais expansionistas. Há uma perspectiva de um corte bastante expressivo de impostos principalmente para as empresas, mas não há clareza de como isso vai ser financiado ainda. A economia americana, no entanto, já está aquecida e com essa expansão fiscal provavelmente haverá uma tendência de alta de inflação. A questão é o que o Federal Reserve – o Banco Central dos EUA – vai fazer em meio a isso. Tudo indica que ele será mais agressivo do que tem sinalizado. As taxas de juros vão subir com mais intensidade e o dólar vai ter uma valorização adicional. Os mercados ainda não precificaram completamente os efeitos dessas políticas expansionistas do Trump. Se esse for mesmo o cenário, essas ações terão reflexos importantes no Brasil, principalmente nesse momento em que o Banco Central (BC) do Brasil resolveu finalmente reduzir os juros de forma mais agressiva. Se de fato o Fed aumentar os juros e o dólar se valorizar, o quadro inflacionário brasileiro pode não ser tão favorável como o de agora. O que provocaria uma turbulência grande no país, podendo até impedir que o BC continue cortando os juros. Isso seria péssimo para a retomada da economia brasileira.















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