O primeiro mês de 2017 chegava ao fim quando um avião caiu no litoral do Rio de Janeiro. Era uma tarde de quinta-feira, dia 19 de janeiro, em Paraty. Cinco pessoas morreram no acidente aéreo, entre elas o ministro e relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki.
As pessoas ainda se recuperavam da folia do Carnaval quando a Operação Carne Fraca foi deflagrada, no dia 17 de março. A operação tinha foco na venda ilegal de carnes por frigoríficos, com denúncias de venda de carne estragada por empresas como a Friboi.
Como parte de um acordo de delação premiada, os donos da empresa, Joesley e Wesley Batista, entregaram à Justiça uma gravação que revelava um diálogo entre Temer e Joesley, na qual o presidente ouviu do empresário que ele estava se esforçando para “ficar de bem com o Eduardo Cunha.
Mas a Carne Fraca não foi a única operação da PF a frequentar o noticiário em 2017. No dia 11 de abril, o ministro do STF Edson Fachin retirou os sigilos das delações da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato.
Apenas dias depois de uma greve geral nacional contra cortes em benefícios de seguridade social e mudanças nas leis trabalhistas impostas pelo governo, o STF divulgou o acordo de delação premiada da JBS, em maio. A empresa teria pago R$ 500 milhões em propina a políticos, incluindo o próprio presidente.
No dia 24 de maio, manifestantes incendiaram a sede do Ministério da Agricultura na capital. Eles pediram o impeachment ou a renúncia do presidente Michel Temer pelas suspeitas de corrupção.
Em julho, Janot, que em breve se afastaria do cargo de procurador-geral, afirmava que manteria o mesmo ritmo de investigações e denúncias de corrupção até deixar a cadeira.
Apesar dos esforços do procurador e dos atos de protesto contra o presidente, que acumulava níveis de impopularidade cada vez mais altos, a Câmara dos Deputados barrou a denúncia de corrupção contra Temer em agosto.
Algumas semanas antes, ainda em julho, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também enfrentaria problemas com a Justiça. O juiz Sérgio Moro condenou o petista por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Julho também ficou marcado pela prisão de uma das figuras fortes do governo Temer. O então ministro-chefe da Secretaria do Governo e amigo próximo do presidente, Geddel Vieira Lima, foi preso no dia 3, por suspeitas de ter pressionado o corretor Lucio Funaro a não fechar um acordo de delação premiada que expusesse ainda mais o governo.
Geddel foi solto e preso novamente no dia 8 de agosto, por suposto recebimento de propina de empresários em troca de facilitação ou liberação de créditos da Caixa Econômica Federal, banco no qual ele é ex-vice-presidente de Pessoa Jurídica. Geddel seria questionado sobre os R$ 51 milhões encontrados pela PF no dia 5, em um apartamento em Salvador, que ficou conhecido como “bunker”.
Enquanto isso, já em outubro, Janot disparava sua última flecha contra Temer. Mas, no fim, a Câmara barrou a segunda denúncia contra o presidente, dessa vez acusado de obstrução da Justiça e organização criminosa. Rodrigo Janot deixou o cargo para a entrada de Raquel Dodge, indicada por Temer.
Uma série de reformas implementadas pelo governo federal foram alvos de polêmicas durante todo o ano. A reforma do ensino médio foi criticada inicialmente pela falta de discussão com a sociedade. Meses depois, foi a vez da mudança na legislação do trabalho. A reforma trabalhista aprovada em agosto pelo Senado mexeu nas férias, na jornada, remuneração e plano de carreira dos trabalhadores brasileiros.
O governo também pretendia aprovar a reforma da Previdência, defendendo a falta de dinheiro no caixa para arcar com as despesas com aposentados e pensionistas nos próximos anos.
A delação dos donos da JBS também afetou o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Deflagrada pelo depoimento dos irmãos Joesley e Wesley Batista, a operação Patmos expôs o senador, que aparece pedindo R$ 2 milhões a Joesley para pagar a defesa dele na Lava Jato.
Irmã e assessora de Aécio, Andrea Neves foi presa na operação em maio, detida por suspeitas de que também tenha pedido dinheiro a Joesley, em nome do senador. Ela é considerada operadora de Aécio nas investigações da Lava Jato.
Em setembro, o STF determinou o afastamento de Aécio do exercício do mandato, que em outubro, teve restituído o cargo político pelo Senado Federal.
No entanto, após todos os escândalos de corrupção, além dos problemas médicos do presidente Michel Temer, todas as discussões foram adiadas para o próximo ano.















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