O diplomata brasileiro José Maurício Bustani, 72, lembra-se do dia em que John Bolton entrou em sua sala e afirmou: “Vim aqui com instruções do vice-presidente [dos EUA], Dick Cheney, para lhe informar que você tem 24 horas para pedir demissão e ir embora.”
Era março de 2002, e Bustani era diretor-geral da Opaq (Organização para a Proibição de Armas Químicas), em Haia, na Holanda. Bolton era subsecretário de Estado americano para controle de armas e segurança internacional no governo de George W Bush.
Posicionava-se como um dos principais defensores da tese de que o ditador iraquiano Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa e de que isso justificava uma invasão do país pelos EUA, o que acabou ocorrendo em 2003. Posteriormente, ficou provado que o Iraque não tinha esses armamentos.
Hoje, Bolton está prestes a assumir um dos cargos mais importantes da política externa dos EUA “- será conselheiro de segurança nacional do presidente Donald Trump. “É muito preocupante”, disse à Folha de S.Paulo o embaixador Bustani, que está aposentado e vive no Rio. “Espero que ele não cause nenhuma outra guerra.”
Em um documento interno do Departamento de Estado, Bolton afirmou que Bustani estava querendo ter “um papel não apropriado” no Iraque, e que a questão deveria ficar a cargo do Conselho de Segurança da ONU”, onde os EUA têm poder de veto. Os americanos começaram a fazer campanha para derrubar Bustani, dizendo que o estilo de gerenciamento dele era inaceitável – embora o brasileiro tivesse sido reeleito com os votos de todos os membros da Opaq, inclusive o dos EUA.















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