MundoNotícias

Denúncia: Traficantes fingem ser voluntários para capturar e vender refugiadas ucranianas

0

Cinco semanas após o início da brutal invasão russa da Ucrânia, dez milhões de ucranianos tentaram fugir. A maioria buscou refúgio em outras partes da própria Ucrânia, acreditando que fossem mais seguras. Mais de 3,5 milhões de pessoas, no entanto, fugiram para além da fronteira.

Desalojados e desorientados, frequentemente sem ideia sobre aonde ir, refugiados são obrigados a confiar em estranhos.

O caos da guerra ficou para trás, mas a verdade é que eles não estão completamente a salvo fora da Ucrânia. Redes de traficantes são notoriamente ativas na Ucrânia e em países vizinhos em tempos de paz. A chamada névoa da guerra é perfeita para aumentar esse tipo de atividade.

Karolina Wierzbińska, coordenadora da Homo Faber, uma organização de direitos humanos baseada na cidade de Lublin (Polônia), disse que as crianças são uma preocupação enorme.

Muitos jovens estão viajando para fora da Ucrânia desacompanhados, diz ela. Com processos de registro informais na Polônia e em outras regiões de fronteira, crianças desapareceram, e seu paradeiro continua desconhecido.

Numa estação de trem, conhecida por ser ponto de chegada de refugiados, nós encontramos um local movimentado. Por todos os lados, havia mulheres atordoadas e crianças chorando.

Muitas estavam sendo confortadas e recebendo comida quente feita por um exército de voluntários, com seus coletes com cores chamativas. Parece tudo muito bem organizado, certo? Não exatamente.

Nós encontramos Margherita Husmanov, uma refugiada ucraniana de Kiev, de pouco mais de 20 anos de idade. Ela chegara à fronteira havia duas semanas, mas decidiu ficar para ajudar a impedir que outros refugiados caíssem nas mãos de pessoas erradas.

Eu perguntei se ela se sentia vulnerável. “Sim”, afirmou. “É especialmente por isso que eu me preocupo com a segurança deles.”

“Qualquer pessoa pode aparecer nesta estação. No primeiro dia que eu me ofereci como voluntária, eu vi três homens da Itália. Eles estavam procurando mulheres lindas para vender no tráfico sexual. Eu chamei a polícia, e eu estava certa. Não era paranóia. É terrível.”

Margherita diz que os oficiais locais estão um pouco mais organizados agora. A polícia patrulha a estação regularmente. As pessoas que estavam tão presentes nas primeiras duas semanas, a maioria homens, segundo nos disseram, com pedaços de cartolina anunciando viagens para destinos atraentes, praticamente desapareceram.

Como nós descobrimos a partir de várias fontes, no entanto, outros indivíduos mal intencionados estão agora se fazendo passar por voluntários, vestindo coletes de alta visibilidade.

Elena Moskvitina fez uma postagem no Facebook para alertar as pessoas. Ela está agora em segurança na Dinamarca, então nós conversamos longamente via Skype. Sua experiência é assustadora.

Elżbieta Jarmulska, uma combativa empreendedora polonesa, é fundadora do grupo Women Take The Wheel Initiative (Iniciativa Mulheres Tomam a Direção). Seu objetivo, segundo ela, é oferecer a refugiados ucranianos uma “bolha de segurança”.

Ela já recrutou mais de 650 “incríveis mulheres” polonesas, como ela as descreve, fazendo viagens de carro de ida e volta, o quanto elas podem, até a fronteira entre Polônia e Ucrânia para oferecer um trânsito seguro a outros refugiados.

Elżbieta trabalha pelos interesses das refugiadas, mas deixar a fronteira de forma segura não significa que o perigo para acabou para elas. A maioria das mulheres com quem falamos esperava voltar para casa assim que a violência na Ucrânia chegasse ao fim.

O crime organizado (incluindo tráfico sexual e órgãos humanos e, frequentemente, trabalho escravo) não é a única ameaça. Refugiados são explorados por indivíduos também.

 


Atlético-MG x Cruzeiro: final única terá renda dividida e chance de decisão nos pênaltis

Previous article

Brasil: Endividamento de famílias atinge nível recorde em março, diz CNC

Next article

You may also like

Comments

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.

More in Mundo