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França expulsa sem-tetos de Paris antes dos Jogos Olímpicos para embelezar a cidade

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A “pátria dos direitos humanos” — como a França é conhecida por ter feito a primeira declaração nesse tema durante a Revolução Francesa, também expulsou milhares de moradores de rua para “embelezar” a cidade, como ocorreu em Olimpíadas em outros países, criticam associações.

Para a Olimpíada de Paris, segundo a ONG O Reverso da Medalha, mais de 12,5 mil pessoas foram removidas, sobretudo na capital francesa e na Seine-Saint-Denis, região ao norte de Paris onde fica a Vila Olímpica, o centro aquático e outros locais de competição, como o Stade de France, onde haverá provas de atletismo. As remoções foram alvos de protestos. O relator especial da Nações Unidas para direito à moradia, Balakrishnan Rajagopal, questionou a França, em abril, sobre a situação dos “grupos marginalizados.”

Ele afirmou, na rede social X, que “as expulsões para embelezar Paris antes dos Jogos são similares ao que a China e outros fizeram antes de grandes eventos. Como a França justifica isso?”, questionou. As autoridades francesas negam que a retirada dos sem-teto, enviados para abrigos temporários em outras cidades, tenha a ver com os Jogos Olímpicos. “Não há faxina social”, declarou a ministra dos Esportes e dos Jogos Olímpicos de Paris, Amélie Oudéa-Castéra. “Há uma política de acomodação de emergência que visa distribuir essas pessoas por todo o país. Operações desse tipo são realizadas regularmente, isso não é ditado pela agenda dos Jogos.”

As associações, no entanto, ressaltam que o acesso de migrantes a acomodações de emergência fora de Paris se tornou repentinamente mais fácil. São pessoas que vivem em tendas ou sob pontes em algumas áreas de Paris, principalmente no norte da capital, e também às margens do rio Sena. Há muitos migrantes entre os sem-teto que vivem na capital. Seine-Saint-Denis, onde estão os equipamentos olímpicos, é formada por municípios pobres onde residem muitos imigrantes. A região foi o epicentro da forte onda de violência que se alastrou pelos subúrbios franceses em 2005.

Nas proximidades da estação de trem e metrô Gare du Nord, área onde há muitos usuários de crack que pedem dinheiro pelo bairro, o 10° distrito de Paris – uma região central onde fica a praça de la République – essa população ficou progressivamente bem menos visível nas últimas semanas. A secretaria de segurança pública da capital já havia proibido no final do ano passado, por decreto, o reagrupamento de usuários de drogas nas ruas. Um levantamento realizado por grupos que prestam assistência a moradores de rua, contabilizou quase 3,5 mil sem-teto apenas capital francesa, que tem cerca de 2 milhões de habitantes.

Esse número também é menor do que o total de remoções, porque o levantamento feito sobre as expulsões das ruas leva em conta também as periferias de Paris e as pessoas que estavam em acampamentos e prédios ocupados irregularmente. A contagem, chamada de “noite de solidariedade” é uma iniciativa da Prefeitura de Paris, que pede a milhares de voluntários para percorrer a cidade, incluindo estacionamentos, metrôs e parques.


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