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América Latina condena espionagem americana

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Depois do vazamento de informações sobre escutas realizadas nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil, agora são diversos países da América Latina que se descobrem como alvo — e o Brasil já defendeu, na terça-feira, um protesto formal do Mercosul.

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De acordo com o jornal O Globo, os EUA têm programas de espionagem e rastreamento funcionando também em países como México, Colômbia, Venezuela, Argentina e Equador.

Dos documentos da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) obtidos por O Globo, entende-se que há, por trás das escutas, interesse comercial — e não apenas militar, como era seis décadas atrás, quando o organismo foi criado, em plena Guerra Fria. Exemplos: petróleo e aquisições militares na Venezuela e energia em geral no México. Na Colômbia, o alvo são as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o narcotráfico, além do petróleo.

Depois do Brasil, México e Colômbia são os mais investigados nos últimos anos. A documentação abrange desde 1988 até março deste ano.

Também foram espionados — embora com menor intensidade — Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Paraguai, Chile, Peru e El Salvador.

No Equador, na terça-feira, o chanceler Ricardo Patiño até relacionou a descoberta de um microfone na embaixada do país em Londres, no mês passado, a parte do plano de espionagens americano. No prédio, está refugiado Julian Assange, o fundador do portal WikiLeaks.

— O microfone espião que colocaram no escritório de nossa embaixadora em Londres, eu acredito que pode ter algum tipo de relação (com a espionagem americana) porque isto é inaceitável. Todos, inclusive os aliados mais próximos, foram espionados pelos EUA — disse Patiño.

Para se proteger, país terá antivírus 100% nacional

O governo brasileiro, também na terça-feira, decidiu montar um grupo de trabalho com a participação de diferentes ministérios para ter um “diagnóstico preciso” sobre a interceptação de dados pelos EUA.

A ordem é fechar um relatório “o mais rápido possível”, nas palavras do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre as denúncias de espionagem. O objetivo é subsidiar as próximas ações do governo brasileiro.

— O grupo técnico vai trabalhar sob a ótica jurídica para termos uma avaliação sobre o que aconteceu, para que possamos ter um diagnóstico preciso — disse Cardozo.

A denúncia de que o Brasil foi alvo de espionagem com uso de satélite e diferentes programas de computadores foi tema de debate numa reunião entre os ministros Cardozo (Justiça), Celso Amorim (Defesa), Paulo Bernardo (Comunicações), José Elito Siqueira (Gabinete de Segurança Institucional) e Antonio Patriota (Relações Exteriores). Questionado se ainda há dúvida sobre a ilegalidade do ato dos EUA, Cardozo disse que a Constituição brasileira é clara em classificar como crime interceptação de dados e que a investigação será feita sob sigilo. Já o ministro da Defesa, Celso Amorim, afirmou que, para garantir a própria soberania na área virtual, o Brasil está sendo desenvolvido um antivírus 100% nacional.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), enquanto isso, anunciou oficialmente na terça-feira que vai analisar os contratos entre operadoras brasileiras e estrangeiras que permitem aos clientes do Brasil usar o celular no Exterior para verificar se alguma cláusula facilita a quebra do sigilo telefônico dos usuários.


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