BrasilNotícias

Os black blocs e a sova no coronel da PM

0

PROTESTO ZONA NORTE SP

95% da população paulistana diz que é contra a ação dos Black Blocs. É o número alcançado pela pesquisa de parte da imprensa, no dia em que um coronel da PM tomou umas bordoadas de mascarados que, dizem as vozes oficiais, foram de black blocs.

Os black blocs atuam antes com o “teatro da violência” que com a violência propriamente dita – não só agora, mas sempre foi assim no movimento anarquista. Os black blocs são um movimento de caráter libertário, e nada tem de fascista.

Mesmo no dia da pisa que deram no coronel da PM (eram mesmo black blocs?), ainda assim foi uma ação limitada, pois o coronel ficou indefeso no chão e deixaram-no ir embora. Caso fosse uma violência pela violência, uma violência de bandidos, ele não teria saído dali. O que ocorreu é que ele é um despreparado, e voltou desonrado para o seu batalhão. Perdeu a arma para civis desarmados, duvido que consiga comandar alguma coisa daqui para diante. Por isso mesmo, deste ponto de vista, a ação dos mascarados venceu. A chamada “ação direta” funciona exatamente assim: fabrica-se um fato por meio da fabricação do espetáculo.

Por que os black blocs atuam assim? Porque eles sabem que funciona. Os 98% de reprovação, eles sabem, não representam uma verdade. O número real é bem mais baixo. As pessoas em pesquisa nunca admitem apoiar quem está taxativamente marcado pela palavra “violência”. Todos nós temos empregos e queremos nos mostrar cidadãos pacíficos. Só um maluco de pedra responderia uma pesquisa dizendo ser a favor dos black blocs, sendo eles exatamente os que representam a violência. Mas essa mesma sociedade que, em pesquisa, se mostra contrária ao que aparece como sendo a violência, em outras pesquisas mais bem feitas responde com total apoio à violência.

Pesquisas sobre o aborto, pena de morte, castigo a presos e até mesmo a respeito de “Justiça com as próprias mãos” – ou seja, tudo o que corresponde à violência – mostram com facilidade o gosto de nossa sociedade pela violência. Mas, se a pergunta é sobre a violência, diretamente, ou seja, se a pergunta é sobre um grupo identificado com a prática da violência, então tudo muda. A palavra “violência” e a prática exercida por um grupo que carrega a bandeira da violência, mesmo que teatral, faz nossa sociedade responder hipocritamente. Não poderia ser de outra forma em uma sociedade moderna, onde todas as pessoas, de alguma maneira, estão atreladas às instituições controladoras.

Por isso mesmo, na Internet, dá para se ver como a pesquisa engana. O coronel que apanhou não recebeu a defesa de ninguém. Nem mesmo da própria polícia. Ou se ficou quieto ou se fez piada com o coronel. Isso sem contar os que, longe da pesquisa, disseram o que boa parte da população realmente pensa, mostrando fotos da polícia batendo e matando pobres e negros. Todos nós estamos carecas de ler as estatísticas brasileiras a respeito disso – são altíssimas, descabidas.

Nossa sociedade é violenta. Por isso mesmo, ela não se compromete com a palavra “violência”. É assim que funciona sempre: em casa de ferreiro o espeto é de pau. Agora, a violência preocupante e mais grave, e esta é que tem a ver com os Direitos Humanos, é a violência do Estado contra indivíduos. A violência entre membros da sociedade é problema policial corriqueiro. A violência do Estado, esta sim, se ultrapassa a legalidade, clama pela justiça dos Direitos Humanos.


Pesquisa mostra que 29% dos alimentos têm resíduos de agrotóxicos

Previous article

Polícia nos EUA testa bala com GPS em perseguições

Next article

You may also like

Comments

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.

More in Brasil