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Francisco Sampa: Brasil, um silêncio assassino, eita povo

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francisco_sampaO cancioneiro popular nos versos da música cantarolou: “No beco escuro explode a violência”, ela saiu dos becos, invadiu barracos, trapiches, casas, fazendas, chácaras, apartamentos, sítios e mansões. Nossas vielas, ruas, estradas e avenidas estão sendo lavadas com sangue humano e cobertas com corpos de todas as cores, raças, idades e níveis socais. Senhores, estamos vivendo uma guerra civil com cenas dignas do velho colonizado oeste americano, bancos são detonados durante as 24 horas do dia, duelos entre quadrilhas no meio da multidão, pessoas caçadas num verdadeiro safári humano em nossos campos, vales montanhas e em nossas selvas de pedra, São Paulo que o diga. Todos os dias a violência invade a Sampa, que segundo Caetano tem a força da grana que destrói coisas belas, e uma das mais belas coisas que Deus nos deu chama-se vida e ela esta sendo dizimada em todos os cantos, de todas as formas.

Todos são executados, em todo o país dezenas de pessoas nesta nossa guerra civil Made in Brazil, alardeamos aos 4 cantos do planeta que somos pacíficos, povo bom, hospitaleiro, gente do bem. Vários adjetivos de louvor à brava gente brasileira, que na sua frouxidão vem sendo eliminada nas 24 horas do dia, e o povo pacato, cordeiros, calam-se diante do descalabro epidêmico da violência. Agora só se fala em festa de fim de ano, Natal, Reveillon e por aí segue o rosário de pão e circo na terra brasilis. Daqui a poucos dias é Carnaval, Páscoa, São João e Copa do Mundo. Enquanto isso a caçada segue a todo vapor, o sangue lava as vias públicas e corpos são recolhidos como conchas nas areias brancas das praias.

Acorrrrrrrrrrrrrrrrrda Brasil. Acorrrrrrrrrrrrrdem brasileiros. É hora de darmos um basta, deixarmos de sermos frouxos. Repito: frouxos mesmo, botar essa corja de legisladores corruptos, safados para fora. É fácil jogarmos pedras em prefeitos, governadores e presidente. Esqueçam eles, pois boa parte, assim como o povo, também são reféns de um legislativo, municipal, estadual e federal corroído pela corrupção, que legislam na maioria das vezes em causa própria. Vamos exigir através do voto, que as leis sejam mudadas, fiscalizadas e cumpridas. Vamos fazer a nossa parte cumprindo com os nossos deveres para depois sim, exigirmos a ferro e fogo o cumprimento dos nossos direitos.

Vamos para cima das urnas e mostrar para eles que ninguém pode mais que nós, o povo, nós sim, somos as verdadeiras e legítimas vossas excelências. Nós temos o poder de mudar, botar e tirar a corja de salteadores do erário público, da zona de conforto de onde eles estão, seja na Câmara, na Assembleia ou no Congresso Federal. Esse nosso silêncio é assassino, somos vítimas de nossa covardia, não somos Gandhi que libertou a Índia. Não somos Nelson Rolihlaha para os irmãos de África o Mandiba , que Deus o tenha brother, rest in peace. Somos brasileiros. Uma grande vítima da violência executados a tiros. Nos EUA falou certa vez: “O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… o que me preocupa é o silêncio dos bons.”, palavras de um homem que lutou contra os poderosos: Martin Luther King, durante uma fase muito triste da grande nação do norte. E nós, a grande maioria de brasileiros somos bons, justos e honestos, portanto por que nos calarmos e fazermos como o avestruz e enfiar a cabeça na terra? Vamos nos armar e vencer esta guerra do bem contra o mal. Nós temos as armas: fé em Deus, amor à família, patriotismo e muita vergonha na cara e voto consciente. Com elas, assim como em Jericó, derrubaremos estas muralhas do mal que cercam e oprimem a nação brasileira.

Desde que você começou a ler esta crônica, milhares de brasileiros jazem prostrados no chão, crivados de balas. Lembrem-se dessa frase de Luther King: “No final não nos lembraremos das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos.”, portanto compatriotas é hora de fazermos algo antes do próximo tiro, do próximo corpo estendido no chão e um silêncio servindo de amém. Vamos tirar a mancha de sangue da nossa bandeira e dissipar a nuvem negra da epidêmica violência que paira sobre as nossas cabeças. Aqui, da terra de José de Alencar, um fraternal sampraço.


Social Press . 12/12/2013

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