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Quem foi o poeta que escreveu os versos?

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carlos spinola

By Carlos Spinola
@Spinola64

A mimosa poesia que adiante se vai ler, plenamente cheia do mais dedicado sentimento poético e perturbante ternura, é uma das mais encantadoras que existem ainda da época do lirismo e constitui o máximo encanto de uma geração inteira. É, portanto, das que ficam, como tantas outras, sejam quais forem as escolas e o predomínio do mais rígido materialismo dos tempos de agora. Por isso desejei registrá-la nas páginas deste jornal.

Ignora-se quem tivesse sido o mavioso autor, poeta do mais fino sentimento.

Tais versos apareceram em nossas ilhas (Cabo Verde) vindos do Brasil, mais provavelmente do Rio de Janeiro, há muitos anos, no tempo em que eram frequentes, as comunicações com as ilhas de Barlavento por motivo do comércio do sal (segundo o poeta José Lopes). Assim também se introduziram modinhas brasileiras, poesias, livros, etc., que ficaram para as gerações na memória dos nossos cabo-verdianos tão amigos dos brasileiros.

Analizando os encantadores versos, logo da segunda quadra se depreende que a mulher amada embarcava para Lisboa, era portuguesa metropolitana, e o apaixonado poeta ficava no Brasil, donde certamente era natural.

Quem seria o eternecido vate? O caso é digno de investigação. Essa joia literária bem o merece; tanto o poeta cabo-verdiano José Lopes, bem como o famoso “Almanaque Bertrand”, há muitos anos propunham a mesma coisa. Os versos bem o merecem.

Em Cabo Verde se tornaram tão populares, sobretudo nos meios intelectuais da época. É possivel que no Brasil, Cabo Verde ou Portugal algum erudito investigador possa descobrir o nome do autor e apresentá-lo a todos livre do ingrato olvido.

Eis a seguir os versos:

Tu Vais deixar-me!

Tu vais deixar-me sem, talvez, que o pranto
Te inunde as faces de escutar meus ais
E deste afecto, da minh’alma encanto,
Quem sabe, ingrata! Se esquecer-te vais!
Terás ao longe, no teu pátrio Tejo,
Vivas saudades deste imenso amor?
Fagueira espr’ança dum porvir que invejo
Virá de longe mitigar-me a dor!

Tu vais deixar-me, eu que tea mo tanto!
Oh! Que saudades hei-de ti sofrer!
Se meiga espra’nça não estancar meu pranto,
De mágoa em breve sei que vou morrer!

Morrer que importa? Que é pra mim a vida
Logo que eu perca o teu ardente amor?
Há-de ir comigo a tua imagem querida
Descer a vala que me abrir a dor!

Oh! não te esqueças que eu por ti só vivo
E, embora ausente, sempre te amarei!
No céu, na terra, no sepulcro, ou vivo,
Eternamente, sempre teu serei!


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