
O Ministério da Saúde e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República lançaram na terça-feira (25), em Brasília, a primeira campanha publicitária contra o racismo voltada para profissionais e pacientes da rede pública de saúde. Dados do governo apontam, por exemplo, que 60% das mortes de mães que deram à luz nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) ocorreram entre mulheres negras e 34% entre as brancas. Na primeira semana de vida, a mortalidade também é maior entre crianças negras – 47% dos casos.
As propagandas da campanha “Racismo faz mal à Saúde. Denuncie!” começaram a ser veiculadas em televisão, rádio, jornal impresso, revistas e nas redes sociais na terça, assim como a distribuição de panfletos nos hospitais.
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou que a conscientização foi motivada por relatos de discriminação nas unidade de saúde e que “os dados são impactantes e mostram como a desigualdade traz mais doenças, mais sofrimento e mais mortes”. Segundo ele, o “racismo institucional” deve ser combatido. A pasta também aponta que mais mulheres brancas tiveram acompanhantes no parto em unidades do SUS. Foram 46,2% dos casos, contra 27% das mães negras.
Campanha
A foto de uma mulher negra fazendo o gesto de silêncio com o dedo indicador sobre a boca, em referência aos profissionais de enfermagem nos hospitais, é a imagem que ilustra o material da campanha. A frase de impacto é “não fique em silêncio”. O ministério pretende com isso incentivar a população a denunciar qualquer situação que envolva discriminação racial nas unidades, por meio do “Disque Saúde 136”.
Por este telefone, as pessoas podem também obter informações sobre doenças mais comuns entre os negros. Entre os exemplos, está a anemia falciforme (diagnosticada precocemente pelo “teste do pezinho”), com incidência que chega a 10% nesta população, contra 2% a 6% nos outros grupos. Segundo o governo, 40 mil pessoas fazem o tratamento dessa doença pelo SUS atualmente.
O ministério informou que profissionais do Disque Saúde passaram por treinamento para identificar as denúncias caracterizadas como racismo, para depois encaminhar os casos aos órgãos competentes. Segundo Chioro, as ações necessárias são adotadas de acordo com a situação.















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