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Francisco Sampa: Na boleia do destino

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francisco_sampaPassageiros da vida, pegamos carona na boleia do tempo. Sonhamos e lutamos por dias melhores em prol de sonhos e realizações. Para trás ficaram os vales, as montanhas, praias, rios, cerrados e planaltos. Sonhamos na infância e na adolescência de um dia sermos alguém, termos uma vida melhor, porém o destino tem suas próprias coisas, razões e metas. E nós passageiros sonhadores, caminhantes de um tempo, frutos de uma era, não sabíamos o que teríamos pela frente. Como e o que fazer para realizar as metas almejadas, os desejos de jovens moças e rapazes rebeldes com e sem causa cuja maior causa era a de um dia ter uma vida decente, viver, realizar, doar aos que nos colocaram no mundo e aos que nos rodeavam uma vida melhor do ponto de vista material, pois nada é melhor e mais valoroso do que o amor de nossos pais e de nossos entes queridos, cada um à sua maneira, na cidade, no campo ou em qualquer parte da pátria amada mãe às vezes gentil, sonhou em voar para outras plagas em busca de metas realizar. Uns na madrugada deixaram na penumbra da noite aqueles que os viu nascer e saíram rumo às promessas do irmão grande e rico e do norte ou de São Paulo, assim como fez minha mãe Dona Carmelita. Uma terra onde o sonho seria realizável, poderíamos vir a ter ou não. Não importando para muitos sonhadores se um dia seriam, pois como um exército farroupilha, carregavam no peito o sonho da independência entre o ter e o ser, o primeiro sempre esteve presente, pois para muitos ser sem ter de que adianta viver.

Para muitos, anos se passaram. Uns com e outros sem escrúpulos. O importante e a meta era ter e muito, pois tendo, seriam alguém. Na pirâmide social da vida material teriam um lugar ao sol ou na janela da boleia do tempo, que foi passando e passa vertiginosamente, não dando chance de equacionar os ensinamentos da infância daqueles que ficaram para trás à espera das conquistas que lhes remeteriam a uma nova vida, uma nova ordem social e material, onde os agregados e familiares, todos os que o rodeiam, possam ver e invejar os bens conquistados em terras estrangeiras a custas de lágrimas, dólares sujos de suor, muito sangue, horas de angústia, tristeza e solidão. Para muitos trabalho exaustivo e muita humilhação, a exploração do patrão imigrante mau caráter e usurpador que explora o compatriota sem vergonha e pudor. O senhor da fazenda, capitão do mato da escravidão globalizada, que vê no imigrante recém-chegado mais uma criatura sonhadora, uma bela presa a ser dilapidada e explorada e assim na boleia do destino, vamos seguindo em busca da sorte. Para muitos, no caminho só encontram a morte, fria como uma noite escura de inverno, que leva para sabe onde só Deus aquele que um dia sonhou em ser e fazer feliz aqueles que ficaram para trás, seja a família da moça ou do rapaz, que na madrugada fria deixaram seus vales, cerrados e planaltos e zarparam nas asas do vento na busca de trabalho e sucesso para realizar como viajantes na boleia do destino os velhos e bons sonhos de menino. No entanto muitos dos passageiros do tempo desceram da boleia, apeados pelo tempo e só levaram ou deixaram nesta terra desejos e pensamentos. A todos uma boa semana.


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