Para os cidadãos dos Estados Unidos, viajar a Cuba será muito mais difícil a partir de quinta-feira passada, o que significa um duro golpe à frágil economia cubana e sua emergente classe de trabalhadores privados.
A principal novidade é o fim das brechas que facilitavam a viagem a Cuba e que dispararam o turismo ao país comunista. O embargo a Cuba, imposto em 1962 e blindado pelo Congresso, não permite viagens por motivos de turismo à ilha. As visitas só podem ser autorizadas dentro de 12 categorias, entre elas razões familiares, educativas, de pesquisa e de apoio ao povo cubano.
Na prática, abriu-se a porta para que a pessoa aproveitasse os motivos educativos e de apoio ao povo cubano para fazer turismo na ilha. Isso, além do restabelecimento dos voos diretos entre ambos os países, propiciou o auge das visitas a Cuba. Em 2016, essas viagens aumentaram 34% em relação a 2015. Nos primeiros cinco meses de 2017, o número de turistas igualou a cifra de todo o ano anterior.
As mudanças do Departamento de Estado nas normas sobre Cuba impõem novas obrigações. Quem alegar viajar à ilha caribenha por motivos educacionais terão de fazê-lo sob os auspícios de uma organização nos EUA, além de estar acompanhados por pessoas de tal entidade, salvo que a integrem. A entrada em vigor é flexível: não inclui quem comprou a passagem de avião antes de quinta.
Trump não deu informações sobre os detalhes dessas mudanças quando anunciou, em junho sua nova política com respeito a Havana. Na ocasião, bradou contra o “monopólio militar que oprime os cubanos”, mas evitou romper com o restabelecimento diplomático, os voos diretos e as facilidades para os cubanos-americanos.
O que também foi anunciado em junho – mas sem detalhes – é que seria proibida a relação comercial com o conglomerado militar e de segurança do regime, que controla 60% da economia cubana. O Departamento de Estado publicou a lista das entidades com as quais não podem realizar “transações financeiras diretas”. São dezenas de hotéis, lojas turísticas e destilarias de rum. Por exemplo, vários dos hotéis são de empresas espanholas, como Meliá e Iberostar, que operam sob a égide da Gaviota, a empresa militar que administra o setor turístico.
Devido à restrição, os cidadãos não serão autorizados a “reservar um quarto de hotel diretamente” com um estabelecimento incluído na lista, segundo o Tesouro. Como no caso das viagens, as transações acordadas antes da entrada em vigor das restrições serão respeitadas.
O setor turístico cubano acredita que ainda assim poderá explorar as brechas da nova normativa, por exemplo através de viagens em grupo que só lidem com o setor privado. Mas, de todo jeito, as proibições representam um duro golpe contra o crescente negócio das empresas de turismo e das companhias aéreas dos EUA com presença em Cuba, que agora temem uma queda no número de visitantes.















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