Um em cada cinco americanos tem acesso à maconha legal a partir de segunda-feira (01), quando a Califórnia se integrou à lista de Estados que permitem o comércio e consumo da maconha para uso recreativo. Com as badaladas do Ano Novo, a Califórnia se transformou no maior mercado de maconha legal do mundo.
A Califórnia aprovou em referendo a legalização da maconha recreativa em novembro de 2016, nas mesmas eleições vencidas por Donald Trump. As regras básicas do comércio de maconha na Califórnia a partir de 1º de janeiro são as seguintes: Os maiores de 21 anos podem comprar até uma onça por pessoa por vez em lojas autorizadas. Cada um pode ter apenas uma onça, logo, para comprar mais, precisa usar o produto ou doá-lo para alguém. Não se pode fumar em público, nem a menos de 300 metros de um colégio ou parque infantil, de acordo com as leis californianas sobre o tabaco. Tampouco dirigindo. Até seis plantas podem ser cultivadas em casa. O produto não pode sair do Estado, nem pelas fronteiras do Oregon ou Nevada, onde também é legal.
A droga é ilegal nos Estados Unidos, mas legal em oito estados e, ao mesmo tempo, ilegal em algumas cidades desses mesmos estados, onde os políticos locais se negam a facilitar o comércio. Formalmente, o FBI pode prender qualquer um que compre ou venda maconha que é perfeitamente legal em seu Estado, com a nota fiscal em mãos e os impostos correntes.
Na verdade, a Califórnia foi o primeiro Estado a aprovar o uso medicinal da maconha, em 1996. Desde então, 28 Estados fizeram o mesmo. Na Califórnia, existem mais de 200 farmácias reguladas pelos municípios, onde basicamente a compra pode ser feita legalmente com um cartão de paciente e uma receita médica.
Quando chegou o momento da legalização total, os californianos disseram “não” nas urnas, em 2010. Foi o Colorado, em 2012, o primeiro a aprovar a legalização e se converter no laboratório do que aconteceria a seguir, principalmente em duas frentes, sanitária e fiscal. Na primeira, o Colorado não experimentou um aumento no número de overdoses de outros tipos de droga, nem do crime associado às drogas, mas há preocupação da polícia em relação a outros efeitos, como, por exemplo, a dificuldade de detectar motoristas sob o efeito da maconha.
Desde então, outros seis Estados aprovaram o comércio e consumo da maconha recreativa: Washington, Oregon, Nevada, Alasca, Massachussets e Maine (esses últimos dois começam em 2018), além de Washington DC. Mas o maior deles, o estado de Washington, tem 7,2 milhões de habitantes. A Califórnia tem 39 milhões de habitantes, uma economia do tamanho da França, 270 milhões de turistas por ano, fronteira terrestre com o México e portos de entrada de comércio com a China. A partir de segunda-feira, este pequeno experimento torna-se global.















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