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Absurdo: Existem lojas nos EUA proibindo clientes de entrar usando máscaras

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A relação amor-ódio que norte-americanos têm demonstrado pelas máscaras faciais e pelas regras de contenção da Covid-19 não é novidade. Mas, contrariamente à maior parte dos estabelecimentos comerciais em quase todo o mundo, há lojas nos Estados Unidos que estão a proibir o uso de máscara no interior e a impedir a entrada de clientes que não respeitem essa regra.

“No Face Masks” – ou em português, “Sem máscaras faciais” – é o que se lê nas placas à entrada das portas de algumas lojas norte-americanas. Nas últimas semanas, a juntar-se à manifestações contra as medidas de contenção da Covid-19, muitas lojas encheram as manchetes dos jornais por proibirem a entrada de clientes que usassem máscara, como orientam as autoridades de saúde. A conhecida loja de conveniência, bomba de gasolina e, ao mesmo tempo, restaurante buffet do Kentucky, a Alvin’s, tinha um cartaz escrito à mão, na entrada, a pedir aos clientes para retirarem a máscara ou irem “para outro lugar”, divulgou o site informativo Vice. “Não são permitidas máscaras faciais na loja. Retire a sua máscara ou vá para outro lugar. Pare de ouvir [o governador de Kentucky, Andy] Beshear, ele é um idiota”, lia-se na mensagem escrita pelos proprietários.

Alvin’s in Manchester, KY. Let’s spread their shame. Frankfort will be notified about this and a few other things.

Posted by Dan Henson on Monday, May 18, 2020

Na semana passada, o governador Beshear apelou à população do estado a usar uma máscara ou “qualquer cobertura no rosto rosto” quando estiverem junto de outras pessoas em público, no trabalho ou em qualquer estabelecimento comercial aberto. Embora o anúncio de Beshear tenha especificado que as empresas ou supermercados podiam negar a entrada a quem não estivesse a usar máscara, não disse nada sobre impedir a entrada a quem a usasse. Entretanto, tornando-se alvo de críticas e com as autoridades de saúde locais a prometer uma inspeção, os proprietários da Alvin’s acabaram por retirar a controversa placa. “Antes de tudo, nunca negaríamos o acesso de qualquer cliente dentro da nossa loja, quer usasse uma máscara ou não”, escreveu no Facebook . “Não estamos a dizer para não usar máscara, o que estamos a dizer é que é uma escolha sua usar ou não, não é a escolha do nosso governo para nós. Embora alguns tenham o significado por trás disso, muitas não o fizeram. Nós não. Não queremos ofender ninguém, mas não vamos pedir desculpas pelas nossas crenças tendo a liberdade de tomar as nossas próprias decisões, o que o nosso governo quer fazer por nós”.

Uma funcionária de um posto de gasolina da BP em Peoria Heights, Illinois, foi demitida, esta semana, depois de fixar um cartaz com uma mensagem idêntica à da loja de conveniência, alegadamente porque o uso de máscaras dificultava a diferenciação entre adultos e crianças ao vender bebidas e cigarros. “Nenhuma máscara facial é permitida na loja. Retire a sua máscara ou vá para outro lugar”, dizia. “Pare de ouvir [Governador de Illinois JB] Pritzker, ele é um idiota”. Também na Califórnia uma loja de materiais de construção segue a mesma regra de não permitir clientes com máscara e ainda, numa mensagem à entrada, encorajava o contacto físico e os abraços.

Máscara, sim! Máscara, não!

As opiniões, claramente, divergem, especialmente nos EUA, no que diz respeito ao uso de máscara ou a seguir orientações dos governos e das autoridades de saúde na prevenção da transmissão do novo coronavírus. Por um lado, há os manifestantes contra o bloqueio que argumentam que é “anti-americano” o governo federal reduzir a liberdade das pessoas apenas para conter as mortes devido à Covid-19. Por outro, há os proprietários de lojas que informam os clientes quais são as regras do estabelecimento, e os clientes “tossem” na cara dos funcionários em nome da “liberdade”. Numa das maiores superfícies comerciais norte-americanas, a Costco, é exigido aos clientes que usem máscara e, esta semana, foi impedido de entrar um homem que se recusava a colocar máscara facial ou qualquer proteção no rosto, argumentando, num vídeo, que vive num “país livre”.

Com “liberdade” de escolha ou não, a maioria dos norte-americanos não voltou ao estabelecimentos comerciais com a normalidade do costume. A verdade é que torna-se incongruente exigir ao país que siga as regras de segurança das autoridades de saúde, quando nem Donald Trump é coerente nas suas opiniões quanto às máscaras. Até há bem pouco tempo afirmava que não precisaria de usar máscara para se proteger. “Acho que não vou usar”, chegou mesmo a dizer, contrariando as orientações das autoridades. Mas na sexta-feira, o Presidente norte-americano visitou uma fábrica da Ford e usou máscara nos bastidores, tirando-a antes de falar aos jornalistas. No entanto, já há imagens de Trump a usar a proteção que sempre defendeu não precisar. // Fonte: RTP.


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