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EUA mostram sinais de melhora na economia, mas vivem risco de nova onda do Coronavírus

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Setores da economia americana começaram a registrar uma pequena melhora nos seus índices de maio, após o relaxamento de medidas de distanciamento social e a retomada de parte das atividades nos EUA. A avaliação de especialistas, porém, é que isso não significa uma recuperação rápida, e ainda é possível que haja nova queda econômica caso o país seja atingido por uma segunda onda de transmissão do coronavírus.

Os dados que apresentaram alta este mês englobam companhias aéreas, restaurantes, transporte de carga e mercado imobiliário, o que pede que os números sejam olhados com cautela. Além de serem projetados sobre um cenário econômico já bastante debilitado —é uma melhora tímida em cima de algo muito ruim— os dados referem-se a categorias imediatamente prejudicadas com as restrições à circulação. Quando a reabertura acontece, portanto, é provável que elas sejam as primeiras a reagir.

U.S. economy faces hard slog back from pandemic, Fed chief says ...

A queda do PIB para este ano é esperada em 5,8%, segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional), e o índice de desemprego —que já atingiu o recorde de 14,7%— pode chegar a 20%. Desde 30 de abril, quando o presidente Donald Trump anunciou o fim das medidas de isolamento social e passou aos governadores a responsabilidade do cronograma de reabertura, parte da população começou a sair às ruas para atividades —incluindo viajar e comprar— que até então estavam parcialmente bloqueadas. Com parte das viagens nacionais liberadas, apesar das regras de distanciamento entre os passageiros, as companhias aéreas como Delta Airlines e United Airlines viram suas ações aumentarem nesta terça-feira (26), assim como a rede de hoteis Marriott Internacional.

De acordo com a Agência de Segurança dos Transportes dos EUA, cerca de 87,5 mil passageiros passaram pelos postos de controle do país em abril, quase 15% a menos que o registrado no mesmo mês do ano passado. Em 22 de maio, no entanto, o número chegou a 348 mil passageiros, quase três semanas após diversos estados americanos anunciarem que estavam reabrindo parte de suas atividades. O número triplicou em um mês, mas o volume ainda está 88% abaixo do que foi registrado em maio de 2019. Segundo a DAT Solutions, o índice para cargas de caminhões no transporte rodoviário também subiu em maio, neste caso com alta de 22%, acompanhando o aumento no fluxo de circulação das estradas.

Wave of Covid-19 bankruptcies poses next threat to US economy ...

Já o Departamento de Comércio americano mostra que houve pequena alta na venda de imóveis nas últimas semanas, de 1%, mas a expectativa era de uma queda de mais de 20% no setor. Depois de mais de 90% da população ter ficado sob regras de isolamento ou distanciamento social por pelo menos um mês e meio, estados americanos iniciaram a reabertura de forma precoce, ou seja, ainda sem terem apresentado redução consistente no número de casos de Covid-19 e uma quantidade de testagem considerada segura para a retomada das atividades. Relatório divulgado na primeira semana de maio pelo Brookings Institution, centro de pesquisa em Washington, mostrou que há cinco possíveis cenários para a recuperação econômica pós-pandemia, e um deles engloba justamente a ocorrência de uma segunda onda de contágio. Dois são mais otimistas (graficamente em Z ou em V), dois, mais prováveis (em U ou Nike Swoosh e W) e um é mais pessimista (em L).

WHO warns against austerity : Global COVID-19 update | CBR

No início da crise nos EUA, ainda em março, muitos especialistas esperavam a retomada em Z ou V, ou seja, após uma depressão vertiginosa, as atividades teriam um boom e ultrapassariam os índices pré-pandemia para, depois, restabelecerem-se no patamar antes da crise. Segundo o Financial Times, porém, somente um em cada dez gestores de fundos acredita nessa versão atualmente. O mais provável, avaliam, é que a retomada seja em U ou em Nike Swoosh, em referência ao formato do símbolo da marca esportiva. Nesses casos, os efeitos da pandemia na atividade econômica duram muito além do fim do distanciamento social. A volta da demanda reprimida —como viagens, compras e idas a restaurantes observadas nos dados recentes de maio— é lenta e seu reflexo no PIB deve ser bastante demorado. Mesmo depois que os riscos à saúde diminuem, dizem as economistas Louise Sheiner e Kadija Yilla, responsáveis pelo estudo do Brookings, o PIB não volta rapidamente aos índices pré-crise porque os consumidores, as empresas e mesmo os governos ainda hesitam em gastar normalmente. Para efeitos comparativos, basta olhar os dados antes e depois da crise de 2008. Os EUA levaram mais de cinco anos para recuperar vários deles, como PIB per capita, por exemplo.


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